Barra Mansa
Os moradores de Barra Mansa passaram o dia de hoje contando os prejuízos e tentando se recuperar dos transtornos causados pelas fortes chuvas dos últimos dias. De acordo com a Defesa Civil, 20 casas foram interditadas e 120 pessoas foram registradas como desalojadas.
-São pessoas que estão com as casas em situação de risco e migraram para residência de parentes e amigos, mas no município ainda não há registro de desabrigados, que são as pessoas que perderam as casas e não tem para onde ir-explicou o coordenador da Defesa Civil, Manoel Carlos de Souza.
Na cidade não há mais bairros e ruas alagadas, apenas cobertos de lama. De acordo com as informações técnicas da Defesa Civil, a última medição do Rio Paraíba do Sul constatou 3,5 metros de profundidade, cerca de dois metros abaixo do que o registrado na madrugada de segunda-feira.
-Estamos rezando para que não chova mais. Já perdemos muita coisa com os alagamentos, se houver outros, a coisa vai piorar muito mais-disse a moradora do São Luiz, Augusta Coutinho, de 28 anos.
A comerciante Lourdes Botelho, de 52 anos, do bairro Boa Sorte ressalta que a cidade parece ter enfrentado uma guerra.
-Estão todos muito tristes, pois muita gente está passando necessidades. Tive muitos prejuízos na minha loja de roupas, e perdi muita coisa na minha casa. Com a ajuda de todos e a solidariedade de muitos vamos levantar tudo novamente e nos recuperar da tragédia-disse Lourdes.
Força tarefa
A Defesa Civil alterou o esquema de vistorias, dividindo as equipes em subgrupos para atender os moradores em diferentes pontos do município. Nos últimos dias, o órgão chegou a receber mais de 300 chamadas. Porém, os técnicos afirmam que uma das prioridades é vistoriar as áreas de risco devido aos casos de desabamento e desmoronamento.
A prefeitura da cidade disponibilizou cerca de 300 homens, 20 máquinas e 30 caminhões para trabalhar no mutirão de limpeza. Segundo os coordenadores do mutirão, por dia estão sendo recolhidos cerca de 700m³ de entulho e lama.
-Estamos agilizando o trabalho de limpeza e conscientização das famílias, pois sabemos que há possibilidade de novos temporais e queremos evitar que os estragos sejam ainda piores-destacou o prefeito Zé Renato (PMDB).
Funcionários da Secretaria de Promoção Social continuam visitando os locais atingidos. Até o momento, cerca de 430 famílias foram registradas e vão receber doações de cestas básicas, roupas, calçados, cobertores, colchões e outros artigos. O material está sendo doado pela prefeitura, e pela Secretaria Estadual de Assistência Social. O município contará também com a ajuda da Defesa Civil Estadual, e com o Corpo de Bombeiros do Estado. Quem quiser doar alimentos, água, roupas, calçados, colchões e artigos de higiene pessoal pode procurar a sede da Promoção Social, na rua Oscar Silva Marino, n° 252, no Centro.
Demais serviços
O trabalho de desinfecção continua. Na tarde de hoje, cerca de 1.200 litros de cloro foram distribuídos. Segundo os técnicos da Vigilância Ambiental, desde sexta-feira foram entregues aproximadamente cinco mil litros de cloro.
-Estamos percorrendo os bairros e orientando os moradores sobre as doenças transmitidas pela água, como leptospirose e dengue (pelo acúmulo de água) para que tomem alguns cuidados. Sabemos que as pessoas estão preocupadas com os móveis e a casa, mas devem pensar também na saúde-afirmou a enfermeira, Fernanda Santos.
O abastecimento de água já está normalizado em cerca de 80% dos bairros e a previsão é de que a distribuição chegue a 100% ainda hoje, caso não haja falha no sistema elétrico da Light, conforme vem ocorrendo nos últimos dias. Mesmo assim, o Saae pede aos moradores que continuem economizando água.