Clarissa
Coli
Na sequência do sucesso do espetáculo "Renato Russo",
no Cine 9 de Abril, segunda-feira, em Volta Redonda, o "Circuito Estadual das Artes" traz a Velha Guarda
da Mangueira, na sexta. A apresentação será no térreo do Memorial Getúlio
Vargas, às 20h.
Criado em 2008 pela SEC-RJ (Secretaria de Estado de
Cultura do Rio de Janeiro), o projeto já levou mais de cem atrações diferentes
para a capital e cidades do interior do estado. Desde janeiro, mais de cinco
mil pessoas já assistiram aos espetáculos.
- O circuito é um projeto de circulação, pelo
interior do estado, de espetáculos já estreados nas artes cênicas (teatro
adulto, infantil e de rua) e música, com mérito e relevância artística, a
preços populares - explica a coordenadora de artes cênicas da Superintendência
de Artes da SEC-RJ, Sassá Samico.
Ela conta que a primeira edição do projeto, em 2008, firmou
um convênio entre a SEC e o Sesc (Serviço Social do Comércio) Rio. Entre
outubro e dezembro, 12 cidades do estado receberam os espetáculos, escolhidos
por um processo seletivo realizado por uma comissão da secretaria.
- Apenas a região serrana não foi atendida na primeira
edição. A segunda foi iniciada em setembro de 2009. Até março, serão
totalizadas 75 apresentações em 21 municípios. Desta vez, todas as regiões
estão sendo atendidas - ressalta, dizendo que apenas três cidades do Médio
Paraíba aceitaram receber o projeto.
Piraí e Valença, cada uma com duas apresentações, e
Volta Redonda, com cinco espetáculos diferentes, foram as paradas do circuito
na região. Além da peça "Renato Russo" e do show com a Velha Guarda da
Mangueira, a Cidade do Aço receberá a banda Farofa Carioca e os espetáculos de
dança "Batalha Urbana" e "Quinteto".
Dizer que apenas três municípios aceitaram o projeto
não significa que os outros o rejeitaram, simplesmente. Para a coordenadora,
essa é uma decisão que vai além da vontade de receber ou não o circuito em uma
cidade.
- O circuito é uma parceria da SEC-RJ com os
municípios que o recebem. Normalmente, o que impede as cidades é a falta de
local e estrutura (teatro, auditório) adequados às apresentações. O que também
pode ser um empecilho é a falta de verba, já que a secretaria arca com as
apresentações e o município fornece alimentação, divulgação e hospedagem. Esta
última quando a cidade estiver localizada a mais de cem quilômetros da capital
- explica Sassá.
Ela conta ainda que a SEC-RJ recebeu 276 inscrições
de projetos. Dos inscritos, 25 foram contemplados e se apresentarão até março,
em pelo menos três cidades diferentes. Os escolhidos são espetáculos de teatro
e música. A grande novidade desta segunda edição serão as montagens de circo e
dança.
- O objetivo principal do projeto é proporcionar
maior acessibilidade às atividades culturais e ampliar o mercado de trabalho
para artistas, técnicos, produtores - diz a coordenadora.
Esta primeira etapa termina em março, quando novas
atrações entrarão no circuito, sendo apresentadas até junho. E entre julho e
setembro acontece a última fase do projeto em 2010. A expectativa é de que 75 mil pessoas compareçam às apresentações
deste ano.
As próximas
atrações
Formada em 1956, a Velha Guarda da Mangueira tem como objetivo
principal valorizar seus compositores, indo muito além dos sambas de enredo e
do Carnaval. O grupo passou por várias formações até a atual, de 1988, com
direção musical e artística do violonista Josimar Monteiro. Com Tia Zélia,
Soninha Zenith, Erivá, Sapoty, Ary, Genuíno, Mocinho, Rody e Siqueira, a Velha
Guarda já se apresentou, entre outros países, na França, Inglaterra e Alemanha.
Em 2000, recebeu a indicação do Grammy Latino na categoria melhor CD de samba.
A banda Farofa Carioca completa em março 13 anos de
estrada. O nome foi escolhido devido à sua música, uma rica mistura de estilos
musicais. Essa farofa tem como ingredientes jongo, choro, xote, hip-hop,
reggae, funk e, é claro, muito samba. Além da música, a banda Farofa Carioca
realiza trabalhos sociais junto a comunidades carentes do Rio de Janeiro, o que
já rendeu vários prêmios ao grupo.
O espetáculo de dança "Batalha Urbana" retrata em coreografias
as batalhas da vida, da dança e os enfrentamentos do dia a dia dos próprios
dançarinos. A dificuldade em lidar com as diferenças, a segregação, o medo e as
formas de reação diante da desesperança são algumas dessas batalhas
representadas pela Companhia Urbana de Dança. "Batalha Urbana" estreou em 2006
na "Biennale de La Danse", na França, e no Espaço Sesc Copacabana, no Rio. A
companhia já se apresentou em cidades de todo o Brasil, como Brasília, São
Paulo (interior e capital), Garanhuns e Recife (PE), e Campina Grande (PB). Na
França, a Companhia Urbana de dança também passou pela cidade de Biarritz e em
março fará uma temporada em Paris.
O espetáculo "Quinteto", da Staccato | Paulo Caldas,
é definido como uma reunião de coreografias que visam à valorização do corpo
como objeto principal. Não há uma narrativa nem um tema definido, somente o
corpo e o movimento, o que varia com o corpo e a mobilidade de cada bailarino.
A Companhia de Dança Staccato foi fundada pelo coreógrafo e bailarino Paulo
Caldas em 1993 e desde então vem se destacando por fazer um tipo de dança único
e diferenciado, inspirado na linguagem cinematográfica. A companhia já se
apresentou em países como Alemanha, França, EUA, Itália e Japão. No Brasil,
passou pelos estados da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba,
Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.
Serviço
* Circuito Estadual das Artes - As apresentações da
Velha Guarda da Mangueira e da Farofa Carioca serão no Memorial Getúlio Vargas,
na Vila Santa Cecília, sexta-feira e dia 23, respectivamente, às 20h. "Batalha
Urbana" e "Quinteto", no Gacemss, também na Vila, em 5 e 6 de março, às 20h. A
entrada é franca.
www.cultura.rj.gov.br