

Resende
A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) encerrou na manhã de ontem (30), na unidade de Engenheiro Passos, em Resende, o Mês do Meio Ambiente inaugurando oficialmente uma decomposteira de resíduos orgânicos. Antes da inauguração os participantes assistiram uma palestra no refeitório da empresa com o Biólogo Luiz Toledo sobre a importância e formas de se reciclar resíduos secos e molhados. A nova decomposteira vai reciclar resíduos do restaurante, sobras de jardinagem, e guardanapos de papel.
De acordo com o Coordenador de Meio Ambiente e Proteção Radiológica, Jorge José de Barros, durante todo o mês de junho a empresa realizou palestras educativas, caminhada ecológica, plantio de mudas, visitação de alunos das escolas de Engenheiro Passos, dentre outras atividades internas ligadas ao meio ambiente. - Fizemos uma Feira Ambiental, na semana passada, com o objetivo de trazer pessoas que trabalham com reciclagem de resíduos simples (papel, papelão, vidro, plástico, e metal).
Através da venda desses materiais eles ganham o sustento, isso gera oportunidade e dignidade para as pessoas. Há um ano o Sr. Luiz (biólogo Luiz Toledo) esteve na empresa e nós nos interessamos pela decomposteira, agora estamos inaugurando a nossa decomposteira que foi construída com material reciclado e mão de obra local. - explicou Jorge Barros ressaltando que a construção da decomposteira trouxe oportunidade de aprendizagem para os funcionários além de ser uma ação de responsabilidade socioambiental da INB, que executa suas atividades de acordo com o conceito de desenvolvimento sustentável.
Segundo a bióloga responsável pelo Centro Zoobotânico da Fábrica de Combustível Nuclear (FCN) de Resende, Flávia Almeida, desde 2005 a empresa pratica a reciclagem dos resíduos orgânicos com uma produção anual de 50 toneladas de adubo orgânico, mas com a nova tecnologia espera-se um aumento desta produção e uma operação muito mais fácil da atividade.
- Além do benefício do adubo, que servirá para a fertilização dos solos tão exauridos na bacia do Paraíba do Sul, a prática da reciclagem diminui a emissão de metano para a atmosfera, emissão que aconteceria se estes resíduos fossem destinados a um aterro sanitário. O produto final da nova decomposteira será um adubo rico em nutrientes que será utilizado pelo Viveiro Florestal da FCN na produção de mudas nativas da Mata Atlântica. As mudas produzidas no viveiro são utilizadas no Programa de Restauração Ambiental em Bioma Mata Atlântica, uma das ações permanentes de aprimoramento e progresso da atividade ambiental na unidade de Resende.
Biólogo fala sobre a produção de lixo no Brasil - Durante sua palestra Toledo explicou que a geração do lixo é um fenômeno social novo e um dos causadores da morte do planeta.- Quase ninguém liga para o lixo, nome popular dos resíduos sólidos, mas ele é uma das grandes causas da morte do planeta, e ele é novo em nossas vidas. Eu nasci em 1941, e até 1960 não existia lixo. Eu morava em Volta Redonda, lá o lixo era coletado em uma carroça. As compras eram ensacadas em papel, mas agora o lixo cada vez mais está aumentando sendo proporcional ao nível social.
Aumentando o nível social aumenta o lixo. No Brasil a média é 800 gramas por habitante, nos Estados Unidos a produção é de dois quilos e meio por habitante. - disse Toledo ressaltando que é fácil dar destino ao lixo de forma ecologicamente correta.- O lixo orgânico decompõe fácil. Cada país usa um critério para destinar o lixo. No Brasil o que predomina é o lixão. Cerca de 85% dos municípios do país têm lixão.
Existe uma lei federal que diz que todo o município tem que ter aterro sanitário. O grande problema do lixão é a distância que as prefeituras colocam entre ele e o centro da cidade. Para baratear transporte eles colocam os lixões perto das cidades, o que causa o problema de contaminação aérea através de moscas. As moscas voam, às vezes uma mosca que está no seu talher em casa estava no lixão minutos antes. Elas tem um raio de 12 Km para reproduzir, os lixões normalmente não são localizados a mais de 12 Km das cidades, então esse é o grande problema. De acordo com o Ministério da Saúde 60% das internações hospitalares são decorrentes de contaminações via bactérias, via fungos, ou seja, via lixo.
Então se tem 60% internado por contaminação o lixo tinha que ser tratado, dessa forma teríamos menos problemas de saúde. A questão é que estamos tão acostumados que fazemos campanha para construir posto de saúde nos bairros, mas não pedimos para tratar o córrego que passa perto, nem para tratar o lixo, nós pedimos para construir mais posto de saúde, mais hospital, mais vagas nos hospitais, e não é necessário.
O necessário é cuidar da base, do meio onde você vive. - explicou o biólogo. Durante a palestra Toledo falou sobre várias formas de se lidar com o lixo no mundo e no Brasil e as formas de reciclá-lo. O Biólogo tirou dúvidas dos presentes e falou sobre a qualidade do húmus produzido através da decompostagem do lixo orgânico.