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Polícia Federal desarticula duas quadrilhas especializadas em fraudes do INSS
Publicado em 13/12/2011, às 09h08
 
Última atualização em 13/12/2011, às 12h46

Volta Redonda

A Delegacia da Polícia Federal de Volta Redonda, com apoio do Ministério Público Federal e da Previdência Social, deflagrou na manhã de hoje (13) as Operações Inserção e Cigarra, com o objetivo de combater crimes contra a Previdência Social na região Sul Fluminense. Duas quadrilhas foram desarticuladas. Os policiais tem que cumprir 14 mandados de prisão e 40 de busca e apreensão.

De acordo com informações da delegada Carla Dolinski, quase todos os mandados de prisão já foram cumpridos, entre os presos está o chefe do Posto do Ministério do Trabalho de Barra do Piraí.  Um advogado e um despachante, suspeitos de fraudes, foram presos em flagrante em Volta Redonda por porte ilegal de armas. Além das prisões, foram apreendidas nas operações cinco armas - dois rifles, duas pistolas e uma caneta que funciona como arma calibre 22 -, munições, documentos, carteiras de trabalho em branco, documentos, notebooks, pen drivers, entre outros objetos.

As investigações identificaram duas quadrilhas especializadas que inseriam vínculos empregatícios nos sistemas da Previdência para obtenção de benefícios indevidos baseados nos vínculos fictícios e  documentos falsificados. Os mandados estão sendo cumpridos numa ação conjunta do setor de inteligência do INSS,  Ministério Público Federal e Polícia Federal - que disponibilizou cerca de 200 policiais, divididos em 40 equipes. As ações estão acontecendo nas cidades de Volta Redonda, Barra Mansa, Barra do Piraí, Resende, Piraí, Pinheiral, Angra dos Reis, Paraíba do Sul, Nova Iguaçu, Queimados, Duque de Caxias, São João de Meriti, Niterói e Juiz de Fora (MG).

Até o momento, pelo menos 10 pessoas foram presas. Os nomes não foram divulgados, mas de acordo com informações da delegada, além do chefe do Posto do Ministério do Trabalho de Barra do Piraí, foram presos três advogados - um deles em Volta Redonda, e três servidores do INSS, despachantes e contadores. Ainda de acordo com informações, foram efetuados também dois flagrantes por porte ilegal de armas em Volta Redonda. Uma arma foi encontrada na casa de um advogado e quatro outras armas na casa de um despachante, também na cidade.

Em Volta Redonda, foram feitos também um mandado de busca e apreensão no Edifício Maria Yabrudi, na Rua Luiz Alves Pereira, no Aterrado.

De acordo com a delegada Carla Dolinski, as investigações tiveram início no começo deste ano. A assessora do setor de inteligência da Previdência, Neuza Campos, explicou que as investigações foram iniciadas através de denúncias.

- O Ministério Público possui cerca de 60 servidores que trabalham na apuração de fraudes previdenciárias. Só este ano foram 1,6 mil denúncias recebidas, 42 operações deflagradas - 7 só no estado do Rio - contou, acrescentando que uma operação aconteceu no estado de Pernambuco simultaneamente.

O delegado Adriano de Freitas, do Núcleo Previdenciário da delegacia, explicou que as investigações acabaram se fundindo a partir da descoberta de um elo entre as quadrilhas, o que resultou na ação das duas operações em conjunto. A Operação Inserção investigava o pagamento ilegal de benefícios previdenciários - como auxílio doença e pensão -, no valor de R$ 1 mil a R$ 3,4 mil a beneficiários indevidamente inseridos no sistema do INSS através de documentos e vínculos empregatícios falsos. Ainda de acordo com o delegado, os golpes usavam também empresas falidas e até fictícias.

A Operação Cigarra apurava a concessão ilegal de seguro desemprego. Nesta ação ocorreu a prisão do chefe do posto do Ministério do Trabalho, em Barra do Piraí. Na casa dele teriam sido apreendidas várias carteiras de trabalho preenchidas e em branco.  De acordo com o delegado, eram criadas pessoas inexistentes, os chamados "bonecos", que receberiam fictíciamente os seguros.

Ainda segundo o delegado, os autores dos crimes poderão responder por vários crimes, de acordo com a participação de cada um. Segundo ele, os crimes vão de formação de quadrilha, estelionato previdênciário, falsificação de documento público e particular, inserção de dados falsos ao sistema até corrupção. A delegada Carla acrescentou que os mandados de prisão são temporários e tem validade de 5 dias, que serão prorrogados por mais cinco. Segundo ela, os materiais apreendidos serão analisados pelo juíz que deverá expedir a prisão preventiva. Já os beneficiários não serão presos, segundo a delegada, eles serão ouvidos e podem ser indiciados de acordo com o envolvimento de cada um.

Os responsáveis pelas operações ainda não tem informações do prejuízo que as fraudes causaram, mas a delegada acredita que se trata de ‘milhões de reais', já que as quadrilhas atuam há muitos anos. Segundo informações, o enfoque das operações era prender os ‘cabeças' das quadrilhas e por consequência desarticulá-las, mas novos mandados devem ser expedidos para que os demais integrantes sejam presos

 
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