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A difícil tarefa de alugar um imóvel em Volta Redonda
Publicado em 24/12/2011, às 12h00
 
Última atualização em 24/12/2011, às 11h59

 

Clarissa Coli

Volta Redonda

Quem anda à procura de um lugar para morar - mais especificamente para alugar - tem encontrado muita dificuldade. É que as imobiliárias têm toda uma documentação necessária à locação de imóveis. E não são apenas os documentos que tiram o sono dos futuros inquilinos, mas também uma exigência chamada fiador. Normalmente, as imobiliárias pedem dois ou três fiadores com imóveis na cidade ou região, com rendimentos maiores do que o valor do aluguel pretendido. E algumas administradoras de imóveis chegam a exigir os documentos não só dos fiadores, mas também de seus cônjuges.

De acordo com o diretor de imobiliária José Francisco Medeiros, a figura do fiador representa a garantia de que o aluguel será pago, caso o morador falte ao compromisso.

– O inquilino deve apresentar pessoas que estejam dispostas a assumir essa responsabilidade. No nosso caso, pedimos que os fiadores comprovem renda de três vezes o valor do aluguel. Assim, caso o inquilino fique inadimplente, eles poderão despender cerca de 30% de seus orçamentos para sanar a dívida, que passa a ser deles – explicou.

Da mesma forma que poucos estão dispostos a assumir essa garantia, nem todas as pessoas conhecem alguém ou gostariam de passar pelo constrangimento de fazer o pedido. É o caso do publicitário Jorge Augusto Cardoso, que se mudou de Mendes para Volta Redonda com o objetivo de estudar. Chegando à nova cidade, ele se deparou com uma série de obstáculos para conseguir alugar a casa onde vive há quase dois anos.

– Tínhamos duas opções: a primeira seria arrumar três fiadores com renda fixa maior do que duas vezes o valor do aluguel, além de residência própria na cidade. A outra seria pagar um valor equivalente a três vezes o valor da locação. Como não conhecíamos ninguém na cidade, tivemos que pagar o valor de três meses de aluguel – contou, se referindo ao chamado seguro fiança.

De acordo com Medeiros, a nova Lei do Inquilinato, que entrou em vigor em janeiro de 2010, prevê três modalidades de garantia. Além do fiador, existem o seguro fiança e a caução, que também pode ser encontrada com o nome de “título de capitalização”. Algumas imobiliárias já oferecem as três formas de garantia – sendo as duas últimas negociadas diretamente com uma corretora de seguros.

Se o futuro inquilino, assim como Jorge Augusto, não tiver fiador, pode optar pelo título de capitalização. Há pouco tempo era comum a caução, que normalmente era paga com um cheque no valor de dois ou três meses de aluguel como garantia. Ao fim do contrato, o inquilino retirava seu cheque na imobiliária. Considerada insegura, nem todas as empresas do setor aceitavam a opção. Assim, a ideia foi reformulada e transformada no título de capitalização, que agora é assegurado por uma corretora de seguros.

A vantagem dessa modalidade é que ela é feita na hora e independe de análise de crédito. A desvantagem é que o título pode custar o equivalente a 12 vezes o valor do aluguel a ser pago em dinheiro. A corretora emite um boleto e o título tem validade enquanto o inquilino estiver no imóvel.

O seguro fiança, opção do publicitário, é uma espécie de contrato no qual o inquilino deve pagar um valor equivalente a cerca de dois meses de aluguel. Essa garantia só é realizada se o futuro morador provar rendimento maior do que o aluguel em até quatro vezes. Apesar da vantagem de ser uma alternativa ao fiador, o seguro fiança depende de análise de crédito e deve ser renovado a cada 12 meses.

– A financeira responsável pelo seguro pede a renovação anual, com o pagamento de quase dois meses de aluguel. Caso não ocorra essa renovação, a imobiliária não recebe a mensalidade, mesmo se ela for paga antes do vencimento – explicou Jorge Augusto Cardoso.

Para ele, o seguro foi apenas uma solução encontrada para a questão dos fiadores. Ele considera a garantia muito mais vantajosa para o dono do imóvel do que para o inquilino.

– No nosso caso, podemos dizer que não existe vantagem além do fato da seguradora assumir a condição de fiadora, uma vez que não conhecíamos pessoas para assumirem essa responsabilidade. Além disso, não há outras vantagens para o inquilino, já que o seguro não cobre multas, atrasos, e o seguro é muito mais benéfico ao proprietário do imóvel – concluiu.

 

A escolha das garantias

 

Na opinião de José Francisco Medeiros, todas as modalidades previstas pela lei oferecem as garantias de que a imobiliária precisa. Cabe ao inquilino avaliar cada uma e optar por aquela que o atenda da melhor forma.

– A lei só não permite o acúmulo de garantias. O inquilino é livre para escolher a que melhor lhe convier, de acordo com suas possibilidades, sem interferência da imobiliária. Cada uma tem vantagens e desvantagens – afirmou Medeiros.

Para ele, a administradora de imóveis necessita de documentos comprobatórios para avaliar a idoneidade financeira do futuro inquilino - ou seja, de posse do CPF e identidade, realiza consultas ao SPC e Serasa e busca as respostas de que precisa.

– Precisamos saber se a pessoa gosta de pagar suas pendências e também se ela tem rendimentos para isso. Quando o proprietário procura uma imobiliária, confia que essa seja capaz de fazer análises e exigências que ele talvez não conseguisse por si só. Precisamos ser rígidos nesse quesito para fazer jus a essa confiança – afirmou.

Esse estranho cenário onde se encontram, de um lado, muitos interessados em alugar os imóveis e, de outro, uma dura burocracia a se enfrentar, é simplificado pelo diretor de imobiliária.

– Temos que dosar. Se exigirmos demais, dificultamos o processo de locação; se exigirmos pouco, de modo que seja muito fácil, passamos a ter uma operação de risco. Assim, as imobiliárias precisam balancear esses fatores, já que precisam dos clientes, mas não podem ficar vulneráveis – revelou.

Para Jorge Augusto, a situação poderia ser simplificada por meios menos burocráticos para o processo de locação.

– Entendo que deve haver regras, mas os benefícios e prejuízos, assim dizendo, poderiam ser mais iguais a inquilinos e proprietários. Alugamos o imóvel porque realmente precisávamos morar na cidade. Se não fosse isso, talvez optássemos por lugares com menos burocracia – revelou.

Um futuro menos burocrático

 

Quando foram aprovadas as alterações na Lei 8.245, de 1991, a expectativa era facilitar o processo de locação, reduzindo a necessidade de fiadores. O motivo é a previsão do limite de 45 dias para o inquilino deixar a residência em caso de despejo. Assim, com mais imóveis sendo esvaziados, aumentaria a oferta, resultando, entre outros benefícios, na redução dos preços. Na visão de José Francisco Medeiros, porém, as novas regras não alteraram significativamente essas relações.

– A lei existe e é um instrumento jurídico, mas não dispomos de um juizado eficiente que faça com que ela se aplique conforme previsto. Ou seja, na prática, ainda não funcionou – avaliou o diretor de imobiliária.

Outro ponto citado por Medeiros é a questão das garantias. A velocidade do despejo só se aplica caso o proprietário não esteja protegido por nenhuma das modalidades.

– Se a lei funcionasse, tenho certeza de que os administradores de imóveis optariam por ela, ao invés das garantias, como ocorre em países desenvolvidos – comparou.

Medeiros acredita que todo esse entrave na hora de alugar deve ser reduzido no futuro. Confiante, ele contou que, no passado, a burocracia era ainda maior.

– Estou há 25 anos nesse negócio [imobiliário] e posso dizer que, hoje, a forma de concessão de crédito é bem mais fácil. Temos os recursos tecnológicos a nosso favor, como as consultas pela Internet e a aplicação do título de capitalização, que facilitou o uso da caução – citou.

 

 
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