Barra Mansa
Dez dias depois de afirmar publicamente que a unidade da Siderúrgica Votorantim no município estaria correndo o risco de fechar as portas, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Renato Soares (PDT), convocou uma reunião com autoridades políticas para discutir o assunto. Durante o encontro, realizado na tarde de hoje, na sede da entidade em Barra Mansa, foi criada uma comissão para pedir explicações à direção da empresa sobre o esvaziamento da planta instalada na cidade.
- Queremos saber por que a companhia está transportando equipamentos de Barra Mansa para a fábrica de Resende, ao invés de utilizá-los aqui. As forças políticas da região têm que chamar a executiva da Votorantim para esclarecer o que está acontecendo - frisou o líder sindicalista.
- A diretoria da empresa nega o fechamento e diz que continua investindo no município, porém, essa informação parece não proceder. O encontro de hoje é para dar uma sacudida nas autoridades e despertá-las para a necessidade de tomar providências - acrescentou.
A reunião culminou com a formação de uma comissão para acompanhar a problemática. Lideranças como a deputada estadual, Inês Pandeló (PT), e o secretário de Desenvolvimento Econômico local, Luís Antônio Nogueira Feris, bem como o presidente da Câmara Municipal, Luís Antônio Cardoso (PMDB), integram o grupo (eles participaram da discussão).
Hoje mesmo, as autoridades presentes assinaram uma correspondência, endereçada à executiva da Votorantim Siderurgia. No documento, a comissão solicita uma reunião com a empresa, para esclarecer o que está acontecendo com a unidade - popularmente conhecida como Siderúrgica Barra Mansa, seu antigo nome - e saber se existem planos de futuros investimentos no local.
‘Cidade dormitório'
Em sua participação no encontro, Inês Pandeló destacou que o possível fechamento da companhia é preocupante no que tange ao desenvolvimento do município.
- Caso o problema se agrave, não são apenas os metalúrgicos que vão sofrer, e, sim, toda a população. Barra Mansa já é quase uma cidade dormitório e que tem desenvolvido aquém dos patamares atingidos pelo estado, e até pelo país. Não podemos perder mais nada. Então, é fundamental lutarmos para que a empresa permaneça no município - frisou.
- Vale ressaltar que a instalação da Votorantim Siderurgia em Resende (o que estaria provocando o esvaziamento da fábrica barramansense) não passou pela Alerj. Aliás, quero deixar claro que não tenho nada contra a cidade vizinha, afinal, sou deputada do estado inteiro e torço principalmente pelo desenvolvimento do Sul Fluminense, região na qual Resende se inclui. Porém, não acho salutar que esse progresso ocorra às custas de perdas em Barra Mansa - complementou.
Questionada por uma liderança sobre o porque de a Codin (Companhia de Desenvolvimento Industrial do estado do Rio de Janeiro) ter fomentado a instalação de outra unidade do Grupo Votorantim tão próxima à de Barra Mansa, a parlamentar "passou a bola" para o governador Sérgio Cabral (PMDB).
- Acabei de enviar um e-mail para o Cabral, solicitando a ele que dê uma atenção ao assunto - alegou. Minutos depois de dizer isso, Pandeló informou que o governador já havia respondido sua mensagem (enviada por e-mail). No comunicado, ele pede ao secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno, que verifique o que está acontecendo.
Por fim, Inês salientou o que espera que a comissão consiga fazer:
- Não temos poder direto para evitar que o Grupo Votorantim saia de Barra Mansa, mas, nossa articulação política pode interferir nesses rumos. Porém, antes de tudo, é fundamental sentar e conversar com a diretoria da empresa, pois nem sabemos se a informação de querem desativar a fábrica é verdadeira.
Prefeitura já sabia de existência da ‘crise'
No decorrer da reunião de hoje, o secretário Luís Antônio Nogueira Feris revelou que a prefeitura já havia conversado com a diretoria da Votorantim Siderurgia, antes mesmo de o líder sindicalista trazer o caso à tona publicamente, o que aconteceu há dez dias.
- Cerca de um mês e meio atrás, nos reunimos com a toda a executiva da empresa. Na ocasião, o presidente apresentou-nos uma explanação dos investimentos da companhia em Barra Mansa ao longo dos últimos anos, que, segundo ele, totalizaram cerca de R$ 400 milhões. Sobre o assunto do fechamento da unidade no município, foi descartada qualquer hipótese de que isso aconteça. Fomos informados de que não existem chances de a fábrica ser desligada - relatou.
Luís Antônio foi interrompido por questionamentos de Soares, que quis saber onde estão os investimentos anunciados.
- Sou sindicalista, mas penso como "peão". Então, gosto de ver dados e fatos. Onde estão esses R$ 400 milhões? Aliás, é claro que a empresa não admitiria para a prefeitura que está com intenções de sair da cidade. Há alguns anos, a Nestlé dizia a mesma coisa e deu no que deu: foi embora - rebateu.
Em resposta a Renato, o secretário disse:
- O governo municipal continua preocupado com a problemática, mas, não acredito que o presidente da Votorantim Siderurgia tenha contado "história pra boi dormir". Mesmo assim, é claro que vamos integrar a comissão e ouvir os esclarecimentos da empresa, afinal, esse é um assunto de total interesse da municipalidade.
Relembre o caso
Há dez dias, o DIÁRIO DO VALE noticiou que, segundo Renato Soares, a fábrica da Votorantim Siderurgia em Barra Mansa estaria em processo de desativação. A informação foi divulgada depois que 52 funcionários da empresa foram demitidos, dias antes do comunicado feito pelo sindicato.
- A Votorantim falou que o desligamento aconteceu porque os empregados estavam para se aposentar, mas não acreditamos. Para nós do sindicato, a siderúrgica está sendo esvaziada. Desde 2006 o quadro de funcionários diminuiu de 25% a 30%. Se continuar assim, estimamos que daqui a 10 a 15 anos a SBM estará fechada. Temos certeza que a planta de Barra Mansa está sendo transferida para a nova unidade da empresa em Resende, que é mais moderna - denunciou.
Na ocasião, Soares afirmou que mudança de alguns equipamentos para o novo polo e a desativação da alguns setores da unidade Barra Mansa mostra essa tendência.
- Os equipamentos do setor de coque que sobraram ficaram um tempo desligados e voltaram ao funcionamento no dia 12 de dezembro de 2011, mas, com apenas oito funcionários, 92% a menos do quadro. Na aciaria, apenas um dos dois altos fornos está em funcionamento. Há aproximadamente três meses, o setor de shreder, onde se preparava sucata para o forno, encerrou as operações - revelou.
No entanto, em nota oficial, a Votorantim descartou a possibilidade do fechamento da fábrica.