Brasília
A Financiadora de
Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação, prepara uma nova linha de crédito, a Conta Especial Inova Brasil. Por
ela, serão concedidos empréstimos subsidiados a empresas que invistam em
pesquisa e desenvolvimento. A ideia é conceder linhas de crédito durante cinco
anos, aumentando o aporte de recursos para as empresas que inovem conforme as
metas do governo.
"Vamos oferecer
crédito às empresas para que trabalhem tecnologia, mas condicionado a uma série
de metas. Se cumprirem as metas, terão mais crédito. Isso faz com que se
esforcem mais para conseguir mais crédito", disse o presidente da Finep, Glauco
Arbix. Ele falou à Agência Brasil após a primeira audiência concedida pelo novo
ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp.
Entre as metas,
Arbix antecipou que será estimulado o aumento do nível de qualificação de
pessoal (acima de 10% da média do setor), além da contratação de pequenas
empresas de base tecnológica como fornecedores e de institutos, universidades
ou departamentos acadêmicos para desenvolverem pesquisas. Também está prevista
a internalização de processos de tecnologia que hoje são comprados no exterior.
No total, o aponte de recursos pode chegar a 135% do crédito inicialmente
contratado.
Os empréstimos,
até R$ 200 milhões por operação, serão liberados durante cinco anos, a uma taxa
de juros anual de 4% (abaixo do percentual do centro da meta de inflação para
2012, 4,5%), com carência de três anos e prazo de pagamento de dez anos. O
dinheiro tem como fonte o Tesouro Nacional, e será liberado por meio do
Programa de Sustentação do Investimento (PSI), criado em julho de 2009 como
política anticíclica contra os efeitos da crise econômica mundial. A pretensão
da Finep é que R$ 6 bilhões do PSI estejam disponíveis (60% acima do
estabelecido em 2011).
De acordo com
Glauco Arbix, o empréstimo "não é para qualquer projeto. Quanto maior o risco
tecnológico, melhores são as condições que as empresas vão encontrar na Finep".
O dinheiro estará disponível para diversos setores econômicos. "Nenhuma empresa
que queira inovar no Brasil vai ficar sem o apoio da Finep. Nenhuma empresa que
procura tecnologia vai ficar sem apoio", disse.
A Estratégia
Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2012-2015 tem como prioritários os
setores de tecnologia da informação e comunicação; fármacos e complexo
industrial da saúde; petróleo e gás; complexo industrial da defesa e indústria
aeroespacial; além das empresas que trabalham com a "economia verde", como
energia limpa. "Para esses setores, vamos trabalhar de forma mais integrada,
mais rápida, e é possível que tenhamos melhores condições", anunciou o presidente
da Finep.
Conforme Arbix, o
dinheiro da Conta Especial Inova Brasil não será contingenciado pelo governo,
pois é recurso de investimento, e não de custeio. Arbix prevê para os próximos
dias o anúncio da linha de crédito, após
decisão do Ministério da Fazenda e da Presidência da República. A concessão de
empréstimos com recursos do Tesouro Nacional (incluindo o PSI) e o custo fiscal
dessas operações estão sob análise do Tribunal de Contas da União (Processo
022.684/2010-7).