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Sindicalistas pedem proteção à indústria nacional
Publicado em 2/2/2012, às 20h38
 
Última atualização em 2/2/2012, às 20h38


Produzido em Porto Real, C3 é um dos modelos que enfrentam concorrência estrangeira

Brasília

Sindicalistas dos setores de metalurgia, tubos de alumínio, autopeças e instrumentos musicais buscam garantias do governo para combater a "entrada desenfreada" de produtos importados no Brasil e evitar demissões nas indústrias.

Representantes das centrais e empresários dos segmentos se reuniram com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel, para tratar do tema.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes e vice-presidente da Força Sindical, Miguel Torres, o ministro garantiu que avaliará as reivindicações e que, em breve, implementará medidas compensatórias.

- O ministro ficou impressionado com os números que os empresários mostraram e prometeu medidas imediatas que devem ser anunciadas nos próximos dias" - disse.

Torres destacou ainda que os setores mencionados são responsáveis pela geração de 50 mil empregos.

- São setores em risco de acabar no Brasil pela entrada desenfreada de produtos importados. Se o governo não tomar medidas urgentes, cerca de 10 mil postos de trabalho devem ser fechados - estimou o sindicalista.

O vice-presidente da Força Sindical saiu otimista do encontro.

- Estamos acreditando que vão ter ações rápidas. Se não tiver, vamos ter que pressionar de outras maneiras. O que não podemos deixar é que os trabalhadores percam postos de trabalho e a indústria nacional perca a competitividade - observou.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense, Renato Soares, também participou das conversas e afirmou que a defesa da indústria nacional contra a invasão de produtos importados tem sido uma de suas principais preocupações.

A assessoria de imprensa do MDIC não confirmou a implementação de medidas imediatamente e disse que as propostas apresentadas serão avaliadas.

Governo revê acordo automotivo com o México

O acordo automotivo entre Brasil e México provocou um rombo de R$ 1,55 bilhão na balança comercial brasileira apenas com a importação de automóveis de passeio. Em 2011, o Brasil vendeu para o México pouco mais de US$ 512 milhões de carros, mas gastou US$ 2,07 bilhões na compra de automóveis mexicanos.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgados ontem à Agência Brasil, em 2011, no âmbito do acordo automotivo, o Brasil exportou para o México US$ 1,81 bilhão em veículos e autopeças e importou dos mexicanos US$ 2,51 bilhões, gerando saldo foi negativo de US$ 696 milhões.

Os números reforçam a preocupação do governo brasileiro com o acordo automotivo em vigor, a ponto de o governo admitir, inclusive, o fim dos benefícios fiscais.

Firmado em 2002, o acordo permite importações de automóveis, peças e partes de veículos do México com redução de impostos. Os detalhes das negociações com os mexicanos não foram divulgados. A secretária de Comércio Exterior (Secex), Tatiana Lacerda Prazeres, apenas confirmou ontem (1º) as articulações em curso. "[O assunto] está em discussão no governo", revelou ela, sem detalhar a proposta em discussão.

Dados preliminares do governo mostram que, nos primeiros anos de vigência do acordo, o Brasil registrou saldo positivo no comércio de automóveis com o México. Mas, nos últimos anos, o saldo tem sido negativo para o Brasil.

Abinee quer incentivos do governo para enfrentar concorrência internacional

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) cobrou do governo federal medidas para diminuir os impactos das importações de equipamentos de energia elétrica para os produtores nacionais. O presidente da entidade, Humberto Barbato, teve reunião ontem com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para tratar do assunto.

- Os equipamentos para geração, distribuição e transmissão de energia sempre foram produtos com tecnologia bem desenvolvida e não há razão para importar. No ano passado, as importações cresceram 56%. É um número expressivo que demonstra que o nosso nível de desindustrialização é muito grande - disse Barbato.

Uma das propostas da Abinee é o incentivo fiscal a empresas que comprarem produtos nacionais, mesmo sendo mais caros que os importados.

- Não vamos ter condições de competir com os produtos chineses.

Barbato já conversou sobre o tema com os ministros das Comunicações, Paulo Bernardo e com o então ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.

A Abinee também cobrou do ministro Lobão uma decisão rápida sobre o destino das concessões do setor elétrico que começam a vencer a partir de 2015. Segundo Barbato, a indefinição sobre a renovação das concessões ou novos leilões está gerando uma paralisia nos investimentos do setor. "A indústria é que paga mais caro por essa insegurança".

 

 

 
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