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Os perigos de produtos químicos para os cabelos
Publicado em 4/2/2012, às 18h47
 
Última atualização em 4/2/2012, às 18h47

Tamires Cabral

Sul Fluminense

Alisar, cachear, descolorir ou pintar. São diversas as técnicas utilizadas para alterar a cor ou a estrutura do cabelo, assim como os produtos químicos com essa finalidade são os mais variados. Porém, na busca pelo cabelo tão sonhado, muitas pessoas acabam sendo expostas aos perigos que alguns componentes e tratamentos executados podem causar.

Através do site e perfis do DIÁRIO DO VALE nas redes sociais, internautas contaram relatos e expuseram dúvidas em relação a produtos para o cabelo. Dos fios descoloridos que ficaram verdes a uma reação alérgica e lesões no couro cabeludo, são muitos os sustos ocasionados pela falta de atenção e profissionalismo.

Leonara da Silva Souza contou que em dezembro do ano passado decidiu fazer uma escova definitiva em um salão de beleza localizado na Vila Santa Cecília, em Volta Redonda; ela só não esperava que o tratamento enfraquecesse seus cabelos ao ponto de fazê-los cair. Um resultado bem diferente dos fios lisos e brilhantes que esperava.

- Meu cabelo estava nas costas e tive que cortar ele acima do ombro. Caiu muito e até hoje está elástico e muito fraco - contou.

Já Lidiane da Rocha se disse acostumada com os infortúnios provocados por alguns alisantes. Apesar de sofrer com alguns resultados, permanece na busca do cabelo ideal.

- Quando vou fazer relaxamento ele precisa ser feito no lavatório, porque arde muito. No dia seguinte o couro cabeludo fica cheio de machucados. A progressiva ainda é pior, pois, além de arder os olhos, provoca inchaço no rosto inteiro - disse.

Para ter o cabelo tão sonhado também é necessário ficar atento aos componentes do tratamento

Alta temporada de transtornos

De acordo com a dermatologista Maria Dolores da Costa, o período de dezembro a fevereiro é o que apresenta o maior número de casos de reações alérgicas e inesperadas relacionadas a tratamentos químicos capilares. Segundo ela, isso ocorre devido ao fato de que nesta época as pessoas desejam ficar mais belas para as festas de fim de ano e formaturas. A vontade de possuir um cabelo extremamente liso, porém, acaba provocando graves consequências.

- Muitos pacientes já chegam aqui desesperados, com o cabelo caindo ou feridas na cabeça. O tratamento é ter que parar tudo e esperar o cabelo crescer naturalmente. Então se a pessoa já estava fazendo aquilo para ficar bonita, fica desesperada ao ouvir que não poderá fazer nada durante algum tempo. Mas por causa do custo muitas pessoas acabam se submetendo a tratamentos até ilegais, e não há como fazer milagre. Há também os transtornos causados por produtos que ficaram mais tempo no cabelo do que deveriam - disse, acrescentando que não importa o número de vezes em que a pessoa realizou um procedimento. A alergia pode se desenvolver a qualquer momento.

A dermatologista ainda explica que os alisamentos definitivos visam romper as pontes de sulfeto de queratina responsáveis pela estrutura ondulada do cabelo. Os tratamentos podem ser à base de hidróxido de sódio, lítio, potássio ou tioglicolato de amônia - além do hidróxido de guanidina, entre outros. Embora a utilização da maioria deles seja comum e permitida nos estabelecimentos, os clientes não estão livres de surpresas.

Maria Dolores frisa que o mais importante para manter os cabelos saudáveis é evitar procedimentos químicos com intervalo menor do que três meses, pois o fio não suporta. Além de não misturar químicas, como tintura e alisamento.

- Tem que dar tempo para o cabelo se recuperar. As pessoas agora têm que cobrar mais do profissional também. Saber quais são os componentes do produto, ficar atento em relação ao tempo em que deve ficar em contato com o couro cabeludo - falou.

A polêmica do formol

O formol está entre os produtos químicos que vêm gerando maior polêmica nos salões de beleza. Apesar de proibido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde 2009, o produto ainda é utilizado como alisante em diversos estabelecimentos. De acordo com a agência, o formol só pode ser utilizado em produtos cosméticos capilares apenas na função de conservante (com limite máximo de 0,2%) e apenas durante a fabricação do produto. A adição de formol, glutaraldeído ou qualquer outra substância a um produto acabado (pronto para uso) constitui infração sanitária, estando o estabelecimento que adota esta prática sujeito às sanções administrativas, cíveis e penais cabíveis, sendo que adulteração desses produtos configura crime hediondo. Segundo a dermatologista Maria Dolores Marques, o formol se tornou o mais comum por se tratar de um processo rápido e que deixa os cabelos lisos e com brilho intenso. O formol, na verdade, é o formaldeído a 37%, cuja venda em farmácias é proibida. A solução é misturada à queratina líquida (que consiste em aminoácidos carregados positivamente no creme condicionador); o produto final é aplicado nos fios com auxilio do pente e, em seguida, é utilizado o secador e a prancha alisadora. Esses componentes formam um filme que mantém o cabelo rijo e liso, porém danificado.

- O efeito é o mesmo da Maçã do Amor. Por fora o cabelo fica brilhante e belo, mas por dentro desidratado e quebradiço, pronto para apodrecer - comentou.

Ainda de acordo com a ANVISA, o uso do formol como alisante pode causar irritação, coceira, queimadura, inchaço, descamação e vermelhidão do couro cabeludo, queda do cabelo, ardência e lacrimejamento dos olhos, falta de ar, tosse, dor de cabeça, ardência e coceira no nariz devido ao contato direto com a pele ou com vapor. Várias exposições podem causar também boca amarga, dores de barriga, enjôos, vômitos, desmaios, feridas na boca, narina e olhos e câncer nas vias aéreas superiores (nariz, faringe, laringe, traquéia e brônquios), podendo levar à morte.

A favor da hidratação

Rosilene Mendes Braga é cabeleireira há 18 anos e conta que já recebeu muitos casos de tratamentos químicos irresponsáveis, principalmente relacionados à utilização do formol em escovas progressivas.

- Já recebi muitas clientes com queda de cabelo e escamação no couro cabeludo. Tem gente que ficou careca e já ouvi falar de profissional que usou até 50% de formol no tratamento. Muitas clientes me pedem para colocar formol na escova, mas eu digo que no meu salão não fazemos isso e que o único formol utilizado nos tratamentos é aquele que já vem no produto, com a quantidade de 0,2% e aprovado pela Anvisa - garantiu, acrescentando que é possível ter um cabelo liso e bonito sem ter que recorrer ao formol, pois há outros produtos que produzem o mesmo efeito e ainda deixam o cabelo saudável.

- Uma boa escova com outros produtos menos nocivos, seguidos de uma hidratação, deixam os cabelos lindos. Um cabelo hidratado e saudável fica bonito - afirmou, esclarecendo que algumas escovas, como a de Turmalina, possuem sim uma pequena quantidade de formol, mas que isso depende da marca. Alguns tipos de escova realmente não possuem o produto, e ela aconselha a verificação do rótulo.

Com a palavra, os profissionais

Através do site do DIÁRIO DO VALE, das redes sociais e durante as entrevistas, muitos profissionais afirmaram que a pressão para utilizar produtos proibidos como o formol é grande, tanto da parte dos clientes quanto de fornecedores.

- Sou cabeleireira e muitas vezes sou vítima de vendedores que tentam nos vender produtos com o percentual elevado de formol. Outras vezes as clientes nos cobram um produto mais forte ou eficaz. É difícil, a concorrência está aí e, se a gente não faz, sempre tem alguém que aceita o pedido. Está difícil trabalhar - contou a cabeleireira e internauta identificada apenas como Vanessa. Ela ainda acrescenta que as clientes costumam reclamar se o resultado não é um cabelo extremamente liso.

- É questão de consciência e mudança de atitude. É difícil para nós profissionais, também - disse.

Já a profissional que se identificou apenas como Shirlei afirmou que é melhor perder o cliente do que perder a saúde devido aos problemas que podem ser ocasionados com a utilização do formol.

- Por mais difícil que seja, perder um cliente é melhor do que perder a saúde, pois hoje estamos bem para cuidar delas, mas se tivermos algum problema de saúde elas vão para outro salão. Com isso ficamos sem clientes e sem a nossa saúde. Quando chega uma cliente gestante em meu salão querendo fazer química ou tintura, a pergunta que faço pra elas é a seguinte: "Qual o tamanho do amor que você tem pelo seu filho?" E elas desistem - comentou.

 
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