Julio Amaral
julio.amaral@diariodovale.com.br
Volta Redonda
A maior parte das
famílias com filhos pequenos conhece bem esse relato. Na hora de fazer compras
no supermercado, os pais passam em frente ao setor de algum tipo de guloseima
junto com a criança e lá vem o choro. É aí que entra a questão de gastar ou não
gastar com um produto que não estava na lista. Mais que isso, um bom momento de
ensinar aos pequenos uma matéria cada vez mais necessária na vida moderna: a
educação financeira.
Cuidar de
dinheiro não é fácil para os adultos e, na maioria das vezes, é um assunto que
nem passa pela cabeça das crianças. Para tratar deste assunto, o DIÁRIO DO VALE contou com a colaboração
e opinião dos leitores através de seu site.
Para a economista
Sônia Cristina Vasconcelos Vilela, professora do UBM (Centro Universitário de
Barra Mansa) e da Faculdade de Economia de Valença, a educação é a base para
formação de uma criança. Segundo Cristina, se os pequenos aprenderem desde cedo
a lidar com dinheiro aumentam as chances de no futuro se tornarem adultos mais
responsáveis.
Sônia é da
opinião que a criança deve ter limites para gastar, assim como tem de ter os
"impulsos consumistas" controlados.
Uma lição
importante, segundo a professora, é aprender a gastar menos do que ganha, de
forma racional. Cristina defende ainda que o exercício seja feito por toda a
família de maneira conjunta.
- É um excelente
exercício para a integração e apoio dos demais membros familiares, onde cada um
passa a ter uma real ideia da situação financeira do todo, definindo atitudes
que podem ser tomadas objetivando contribuir para melhorar a situação do
conjunto - destacou.
Trata-se de um
jogo onde todos ganham. Se a situação de um melhora, por exemplo, reduzindo o
gasto com a conta de energia elétrica, isso significa que sobrará mais dinheiro
para adquirir outro bem. Ou seja, pequenas atitudes promovem a parceria
familiar e melhora a vida de todos. A
economista explicou que a educação financeira deve ser feita de forma
harmoniosa, com muita conversa e valorização das ideias que surgirem.
Cabe aos pais
ajudar os filhos
A mídia, através
da propaganda, faz o papel de divulgação de produtos e serviços com um único
objetivo: despertar o desejo de consumo. Com o surgimento de novas mídias e com
propagandas cada vez mais elaboradas, aumenta também a responsabilidade dos
pais na educação financeira.
Um bom exemplo do
que pode ser feito é a concessão da tradicional mesada. Sônia afirma que o "salário" é importante,
pois ensina a criança a lidar com restrição financeira, traçar metas e
controlar orçamentos. Os pais devem interferir, dando orientação sobre as
prioridades, os objetivos e possibilidades de escolha de gastos. Podem ainda
ensinar um outro valor importante: poupança.
- As dificuldades
das crianças estão mais ligadas à questão da abstração. Por outro lado, elas
têm mais facilidade em lidar com o que é concreto. Daí, a mesada é importante
porque permite essa prática financeira de forma concreta. A discussão deve ser
iniciada quando a criança começa a agir de forma compulsiva em supermercados,
feiras, lojas e etc. Começa a comprar sem ter como pagar, ou em outras práticas
não saudáveis sob o ponto de vista financeiro - define.
Mesmo admitindo
que cada criança tem seu próprio caminho a seguir, a professora destaca que a
partir dos 7 anos a criança já pode começar a dar os primeiros passos nesta
matéria que vem de casa. Sônia afirma ainda que o consumismo exacerbado pode e
deve ser combatido:
Leitores dão sua opinião
O leitor
Guilherme Roner, que estudou educação complementar de como lidar com finanças
no colégio João XXIII, da Fevre (Fundação Educacional de Volta Redonda), acha
muito importante falar sobre dinheiro dentro de casa.
- Na época que
estudei existia até um banco para alguns dos alunos trabalharem. Forneciam-nos
até um talão de cheques que podíamos usar para transações na escola. Foi muito
bom, pois praticávamos. Não podemos é deixar de educar em casa aquilo que dizem
que vem do berço, o que fará parte da personalidade dos nossos filhos -
declara.
A internauta
Fabiana Raguza também é a favor da educação financeira dentro de casa.
- Hoje existem
sites bem interessantes sobre o assunto direcionados às crianças, como o
EduFin, além do site da DSOP e da Cássia D'Aquino entre outros - informa.
Já o leitor
Johnes Hebert também é a favor de ensinar a criança a poupar e aponta o popular
cofrinho como um bom primeiro passo neste sentido.
Educação financeira pode ajudar a formar
personalidade
Segundo a
psicanalista clínica Neide da Cunha Silveira, a formação da personalidade de
uma criança acontece até aos oito anos e durante esta etapa é importante tratar
da educação financeira.
- A criança já
vem com uma formação hereditária, por isso nesta primeira etapa da vida é
essencial que os pais orientem desde cedo os filhos a lidar com dinheiro. Se
der uma mesada, é preciso ensiná-los a gastar. Neste caso, o pai tem que
mostrar ao filho porque está dando o dinheiro, e orientá-lo a valorizar este
dinheiro, explicando que foi ganho com trabalho e muito esforço. E é por isso
que só pode ser gasto com coisas realmente necessárias. Se os pais não
impuserem limites aos filhos, eles não saberão usar aquele dinheiro - alerta.