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O incrível roubo das vigas da Perimetral
Publicado em 18/10/2013, às 10h43
 
Última atualização em 18/10/2013, às 10h43

Taça foi roubada na década de 1980

Jorge Luiz CalifeJorge Luiz Calife
jorge.calife@diariodovale.com.br

O Brasil é uma espécie de paraíso para ladrões e criminosos do mundo inteiro, desde os tempos em que o inglês Ronald Biggs roubou um trem na Inglaterra e veio se refugiar no Rio de Janeiro. Aqui, a justiça "pega leve" com os criminosos, a desonestidade está disseminada em todos os setores da sociedade e é possível pegar todo o tipo de coisas com uma facilidade desconhecida nos países mais sérios. Semana passada ficamos sabendo do roubo de seis vigas de aço, de 20 toneladas cada uma, que "sumiram" de um depósito no Caju, no Rio de Janeiro. Pelo peso e o tamanho das peças, feitas de um aço especial, elas só poderiam ser levadas com a ajuda de carretas e grandes guindastes. Mesmo assim, sumiram. O prefeito Eduardo Paes classificou de "inacreditável" o furto e disse que vai responsabilizar a companhia encarregada pela guarda das peças.

O elevado da Perimetral, no Rio de Janeiro, fica ao lado do Cais do Porto. Foi inaugurado na década de 1960, para facilitar a ligação entre o aeroporto Santos Dumont e a Avenida Brasil. Passei várias vezes por ele, quando morava no Rio de Janeiro, apreciando o panorama dos navios no porto e da baía de Guanabara em frente. Como fica de frente para o mar, suas vigas metálicas foram feitas de um aço especial, produzido na CSN de Volta Redonda, para resistirem a corrosão. Cada viga está avaliada em mais de um milhão de reais.

Se continuassem lá no viaduto, provavelmente resistiriam por mais de um século. Mas no Brasil, nada dura tanto tempo assim. O atual governo decretou que a Perimetral tem que ser demolida para permitir a "revitalização" da área portuária. No lugar do elevado, será construída uma via subterrânea. Coisa de país rico que não tem onde gastar o dinheiro - e vai torrar bilhões sediando uma Copa do Mundo e uma Olimpíada.

Como as vigas ainda estavam novas, foram feitos planos para aproveitá-las em outras obras. Só esqueceram de armazená-las em um local com um mínimo de segurança. Segundo os motoristas que trabalham no depósito do Caju, as vigas foram cortadas com maçaricos durante oito dias pelos ladrões que trabalharam com a certeza da impunidade. E depois, levadas em caminhões com guindastes. E ninguém questionou ou perguntou para onde elas iam.

O mais interessante é que, para saírem do Caju com as vigas, os caminhões tiveram que passar por vias monitoradas por câmeras, como a Avenida Brasil. E a polícia não viu nem gravou nada. É o tipo de história que só acontece mesmo no Brasil.

Outro roubo incrível

O fato que aconteceu com as vigas lembra outro roubo incrível, o da taça Jules Rimet, roubada na década de 1980.

Essa, só a turma com mais de 40 anos vai se lembrar. A Jules Rimet era uma bonita taça de ouro, com a figura da deusa Nice, da Vitória, segurando um caldeirão. Era oferecida à seleção de futebol que conquistava a Copa do Mundo, nos idos de 1950. Se um país ganhasse três copas consecutivas, ficava com a taça definitivamente. E o Brasil ficou com a Jules Rimet, depois do tricampeonato em 1970. Mas não ficou por muito tempo. A "taça do mundo" foi roubada da sede da CBF, em 1983, e derretida pelo ladrão. E o Brasil acabou ficando com uma réplica da taça conquistada por Pelé e sua turma.

Curiosamente a Jules Rimet já tinha sido roubada antes, na Inglaterra, e fora encontrada por um cachorro chamado Pickles. Aqui no Brasil não teve cachorro nem polícia que salvassem a bela Nice de ser derretida pelos ladrões. Mas isso foi no século passado, quando roubavam coisas pequenas, fáceis de serem carregadas. Agora não, no século XXI os ladrões chegam com carretas e guindastes e levam vigas de 40 metros e 20 toneladas.

Estão chegando perto do Gru, o vilão do desenho animado "Meu Malvado Favorito", que queria roubar a pirâmide de Gizé. Desse jeito, um dia desses os cariocas vão acordar, olhar para o morro do Corcovado e descobrir que carregaram o Cristo Redentor.

 
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