
O governador Sérgio Cabral e o vice-governador e secretário
de Obras, Luiz Fernando Pezão, se reuniram na noite de ontem com o governador
Paulo Hartung, do Espírito Santo, demais secretários fluminenses e capixabas e
as bancadas federais dos dois estados. Na ocasião, foi definida uma estratégia
parlamentar para mudar a proposta do relator Henrique Alves (PMDB/RN), que
prevê novo modelo de partilha para os royalties do petróleo explorados na camada
pré-sal.
Pela proposta do relator, as empresas exploradas do pré-sal
pagarão alíquota de 15% em royalties. Desse total, a União ficaria com 30%,
sendo 22% para estados e municípios não produtores, já os estados produtores
ficariam com 18% e os municípios produtores, com 6%, e 2% seriam destinados aos
municípios afetados com operações de embarque.
- Esse relatório é um modelo de terra arrasada. Estamos
sendo profundamente atacados. Esse modelo gera um grande prejuízo. Nossa proposta
é uma tentativa de repor o mínimo de justiça para os estados e municípios
produtores - disse Cabral
Para os governadores Cabral e Hartung o peso não está na
contemplação generosa para os estados e municípios não produtores que acabariam
com uma fatia maior, mas sim nos prejuízos causados aos estados e municípios
produtores, com a diminuição dos percentuais de participação e com a extinção
do pagamento da participação especial aos produtores. Pela proposta do relator,
com exceção da União, tanto os estados quanto os municípios perdem com o novo
modelo de partilha.
O governador Paulo Hartung destacou que os estados e
municípios produtores de petróleo e gás precisam ter um tratamento diferenciado
na repartição dos recursos obtidos com a produção na camada pré-sal, lembrando
que essa garantia esta expressa na Constituição Federal, no Artigo 20,
Parágrafo 1º.
Os deputados integrantes das bancadas do Rio e do Espírito
Santo estão otimistas quanto à mudança na redação do texto do relatório final.
A comissão se reunirá hoje em Brasília. Os governadores já solicitaram um
contato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Tenho certeza que o presidente Lula vai atender nossa
proposta - afirma Hartung
Segundo Cabral os esforços empreendidos terão bons frutos,
uma vez que todos estão empenhados na causa, ressaltando que ontem foi possível
notar uma demonstração extraordinária de união. Cabral ressaltou o empenho de
parlamentares de diversos partidos.
- Temos aqui partidos de apoio à base do governo, partidos
de contestação à base do governo, mas que dentro de um consenso em relação aos
prejuízos causados aos estados e municípios produtores, os dois governadores e
os deputados enxergam que devemos minimizar as perdas - ressalta Cabral.