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Sul Fluminense
O acentuado crescimento das faltas justificadas através de atestados médicos fez com que o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Sul Fluminense (Sinduscon) decidisse criar, de imediato, um banco de dados que vai centralizar as informações contidas nos documentos encaminhados pelos trabalhadores às empresas para justificar ausências ao trabalho. A decisão, que será implementada de imediato, foi tomada depois de uma reunião em que participaram, além de diretores do Sinduscon, representantes de secretarias municipais de Saúde de Volta Redonda, Barra Mansa e Pinheiral e de hospitais particulares, como o Hinja e o Santa Margarida e empresas de assistência médica, como a Unimed. No encontro, os participantes decidiram formar um grupo de trabalho para estudar mais profundamente a situação.
De acordo com o empresário Mauro Campos Pereira, presidente do Sinduscon, a iniciativa de realizar a reunião foi do sindicato, e foi tomada depois que empresários começaram a se queixar do excesso de faltas justificadas através de atestados médicos:
- Houve casos de empresas com cerca de 100 empregados que pagaram, em menos de dois meses, mais de 170 dias de afastamento por conta de atestados médicos. É um índice muito alto, que atrapalha o andamento dos trabalhos e gera prejuízos para os empregadores - afirmou.
O empresário revelou ainda que, em conversas com dirigentes de empresas de outros setores econômicos e até de órgãos públicos, descobriu que o aumento na quantidade de afastamentos por doença não é uma característica exclusiva da construção civil.
- A grande quantidade de atestados médicos está afetando também empresas do setor comercial e até alguns setores das prefeituras - disse.
Os levantamentos mais apurados que serão feitos têm como objetivo verificar se a região está sendo alvo de grupos que "vendem" atestados médicos a pessoas interessadas em se afastarem do trabalho por alguns dias sem perda de remuneração. Esquemas semelhantes foram descobertos recentemente em outros estados.
- Atestados médicos falsos são um caso de polícia. O Sinduscon e outros sindicatos patronais estão dispostos a levar esse caso, se confirmado, às últimas consequências - declarou Mauro Campos.
Fontes ouvidas pelo DIÁRIO DO VALE informaram que, caso sejam confirmadas as suspeitas de que existiria uma "máfia dos atestados" operando na região, os trabalhadores que se valem desse artifício podem ser punidos, assim como as pessoas que vendem os atestados falsos.
A punição para quem "compra" um atestado médico começa com a demissão por justa causa, já que o documento falso representa uma fraude contra a empresa. Além disso, o empregado, depois de ser demitido, pode ser processado, já que a empresa pagou por um tempo de serviço que não foi cumprido em função de uma mentira.
Até mesmo um afastamento dado "por camaradagem" por um médico, com a concessão de mais dias do que o necessário para a recuperação da pessoa, ou mesmo na ausência de doença, pode ser motivo de punição, segundo a fonte.
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