
Sul Fluminense
A perda de competitividade da indústria brasileira, pressionada pela concorrência de produtos chineses e pela dificuldade em competir no mercado externo, devido à valorização do câmbio, se reflete também na região. No primeiro trimestre de 2012, a indústria de transformação gerou 659 empregos na região (Angra dos Reis, Barra do Piraí, Barra Mansa, Itatiaia, Paraty, Pinheiral, Piraí, Porto Real, Quatis, Resende, Rio Claro, Três Rios, Valença, Vassouras e Volta Redonda), contra 2.158 postos de trabalho no mesmo período de 2011. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho).
O resultado só não foi negativo porque Angra dos Reis registrou um saldo positivo de 1.027 vagas no período, junto com 181 em Porto Real, 50 em Itatiaia e três em Paraty - as únicas cidades do Sul Fluminense a terem saldo positivo de empregos industriais este ano. As demais cidades - exceto Rio Claro, que teve saldo zero na indústria - acumularam um saldo negativo de 602 postos de trabalho.
Duas das principais vocações industriais da região - siderurgia e indústria automotiva - vêm sendo pressionadas pela competição estrangeira e pela valorização do real. Já a indústria naval - principal empregadora do setor em Angra dos Reis - tem um comportamento diferenciado no que diz respeito à geração de empregos, já que depende quase exclusivamente de encomendas feitas pela Petrobras.
As recentes medidas de incentivo à indústria anunciadas pelo governo federal podem reduzir as perdas durante o ano e a expectativa é que os efeitos sejam percebidos com mais intensidade no segundo semestre, embora alguns resultados possam vir a ser percebidos já em abril, maio e junho.
Brasília
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados realiza amanhã (24) audiência pública sobre a desindustrialização.
O debate foi proposto pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, assim chamado por ser presidente da Força Sindical. Segundo ele, a discussão é necessária em razão do processo de desindustrialização pelo qual passam vários setores da indústria brasileira.
Na condição de presidente central, o deputado foi um dos organizadores de protesto realizado em São Paulo no último dia 4, quando entidades trabalhistas e patronais se uniram em um protesto contra a desindustrialização e a favor do emprego - um dia após o lançamento da segunda etapa do Plano Brasil Maior, de incentivo às indústrias.
O objetivo foi chamar a atenção do governo e alertar a sociedade para o problema da desindustrialização, que, segundo os sindicalistas, está diminuindo a produção, fechando empresas e gerando desemprego em vários setores da economia.
O movimento foi convocado em conjunto por entidades trabalhistas e patronais - Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicato dos Metalúrgicos do Grande ABC, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Os manifestantes cobraram do governo federal redução dos juros, mudança na política cambial e o fim da guerrra fiscal entre os estados.
Desindustrialização é um processo de mudança social e econômica causada pela eliminação ou redução da capacidade industrial ou atividade em um país ou região, especialmente a indústria pesada ou indústria transformadora. É o oposto de industrialização.