Rio
O seminário II Balanço da Indústria Naval e Offshore, realizado ontem (24), fez um retrato atual do setor e um prognóstico para os próximos anos. Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, a indústria naval do Rio de Janeiro terá investimentos de R$ 15,4 bilhões no período de 2012 a 2014, de acordo com o documento "Decisão Rio", uma compilação de dados anuais sobre investimentos no Estado nos próximos três anos, elaborado pela Firjan. Esse valor é 17% maior do anunciado no ano anterior referente a 2011 - 2013. Segundo Vieira, a previsão é de gerar 27 mil empregos, sendo 11 mil na construção dos novos estaleiros e o restante em postos de trabalho na operação.
Já o secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, anunciou a criação de um polo do segmento de navipeças em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, numa área inicial disponível de 500 mil metros quadrados. O projeto tem investimentos de R$ 250 milhões do governo estadual e deverá atrair em sua primeira fase empresas que irão gerar o equivalente a R$ 1,5 bilhão em negócios e cerca de 5 mil empregos diretos. Nesse momento, a área do futuro polo passa por conclusão de avaliação técnica e procedimentos ambientais.
Luiz Maurício Portela, presidente do Estaleiro Aliança, destacou a falta de mão-de-obra qualificada e a necessidade de investimento na formação de novos oficiais pela Marinha. -Faltam 906 oficiais de marinha mercante no Brasil, as empresas operam porque burlam a lei que determina uma quantidade mínima de oficiais brasileiros. Nós formamos menos engenheiros que a Argentina - diz.
Para Sérgio Machado, presidente da Transpetro, criaram-se alguns gargalos no Brasil em razão do rápido crescimento.
- Acredito que o grande problema dos estaleiros está na gestão. A marinha está fazendo um esforço de aumentar o número de vagas, teremos mais uns 2 -3 anos de sacrifício - afirma. O executivo alertou ainda que está na hora de focar na produtividade para que a indústria tenha condições de competir mundialmente.