Volta
Redonda
O projeto de lei do vereador Luis Cláudio da Silva, o
Soró (DEM), que oferece assistência veterinária gratuita a cães, gatos e
equinos, terá que aguardar mais um pouco para virar lei. Depois que foi
aprovado em primeira e segunda votações pela Câmara Municipal há um mês, foi
novamente vetado pela prefeitura, que alegou inconstitucionalidade por gerar
custos na contratação de pessoal e inflaestrutura. Agora o projeto vai novamente
para o plenário da Câmara para que seja votado o veto.
O projeto de lei, segundo o vereador, visa beneficiar
um número grande de animais domésticos que ficam soltos nas ruas, com risco de
serem atropelados ou ficarem doentes. A ideia surgiu durante a campanha de
2008.
- Estava caminhando pelos bairros da periferia
fazendo campanha, quando observei uma senhora recolhendo um gato na rua. A
partir daí, fiquei curioso e me aproximei, quando ela me mostrou os outros
animais de rua que recolhia e cuidava. Aí comecei a observar com mais atenção
que os bairros de periferia tinham um grande número de animais abandonados nas
ruas e que alguma coisa tinha que ser feita - lembrou o vereador.
Pelo projeto, serão oferecidos gratuitamente todos os
procedimentos necessários ao tratamento de cães, gatos e equinos, incluindo
vacinação, esterilização, cirurgia e tratamento pós-cirúrgico, por meio do
encaminhamento do animal ao Centro de Controle de Zoonose, localizado na
Avenida Paulo Erlei Alves Abrantes, 1323, ao lado do Campus UniFOA, em Três Poços.
- O projeto também facilita a prefeitura a fazer um
melhor acompanhamento de quantos cães, gatos e cavalos existem nas ruas. Para
que isso seja possível, o projeto observa que os animais tenham uma
identificação, seja por sistema eletrônico (microchapagem), chapa metálica,
tatuagem ou outro método que seja de fácil aplicação e que não cause dano ao
animal - esclareceu.
Segundo Soró, o projeto também permite que a
prefeitura faça convênio com estudantes de medicina veterinária e associações
protetoras dos animais, para que juntos façam um trabalho preventivo, com o
objetivo de diminuir os animais soltos nas ruas, e orientar as pessoas para que
tenham consciência quando tratam mal um animal.
O vereador lembrou que o projeto também envolve a
saúde pública, pois os animais que ficam vagando pelas ruas podem apresentar
doenças que prejudicam as pessoas - quem gosta e quem não gosta de animais.
- Controlando a superpopulação de animais e as
possíveis doenças transmitidas por eles, estamos primando pelos tratos corretos
e dignos a eles. Uma vez que a superpopulação de animais cresce a cada dia,
prova-se a necessidade de um Posto de Atendimento Veterinário Gratuito -
enfatizou.
Pelo projeto, os veterinários particulares não serão
prejudicados, uma vez que o objetivo é dar prioridade à população carente que
não possui orientação sobre cuidados com os animais, como vacinas,
vermifugação, esterilização e cirurgias, e convivem muitas vezes em situações
de higiene precária com seus animais de estimação. Já aqueles que já têm seu
médico veterinário e condições financeiras não irão mudar o atendimento.
Pontos
positivos e negativos do programa
Para o veterinário Rodrigo Lobo, a ideia do projeto
de lei do vereador Soró é muito bem vinda, mas o ideal seria direcioná-lo
apenas para os animais de rua, pois são eles que a população e a poder público
não recolhem.
- Temos que evitar o que acontece com o programa de
esterilização gratuita de cães e gatos da prefeitura, que atende apenas os
animais que têm dono ou aqueles que podem ser encaminhados por terceiros, no
caso dos animais de rua, eles ficam esquecidos - disse.
Na opinião do coordenador da Vigilância Sanitária,
Luis Carlos Rodrigues, o Imperial, para que o projeto do vereador Soró se
transforme em lei, ele terá que ser reestruturado para poder atender os animais
e o poder público.
- É um projeto muito amplo, tem o lado positivo, pois
beneficiaria muitos cães e gatos com doenças infecto contagiosas que poderiam
ser tratados, mas no momento o Centro de Controle de Zoonoses de Volta Redonda
não teria condições de fazer um atendimento veterinário dessa amplitude.
Teríamos de ter instalações maiores, e o projeto está muito dispendioso para os
recursos atuais da prefeitura - afirmou.
De acordo com Imperial, a ideia do projeto é válida,
mas teria que ser novamente estudado junto às instituições protetoras de
animais, Conselho de Medicina Veterinária e o governo municipal para chegar a
um denominador comum:
- Como a prefeitura atualmente só dispõe de seis
veterinários atuando no Centro de Zoonose, três no programa de esterilização de
cães e gatos e três na área de educação de controle de zoonose, hoje o nosso
quadro de veterinários não seria suficiente para atender toda a população
canina das ruas e bairros carentes da cidade, que deve estar em torno de 23 mil
cães e 7 mil gatos.
SPA alerta
para necessidade de infraestrutura
Para a diretora financeira e gestora da SPA (Sociedade
Protetora dos Animais), Lanyr de Souza Cavalcanti, o projeto de lei do vereador
Soró é uma ótima ideia para ajudar os cães que são abandonados nas ruas ou que
sofrem maus tratos, mas é preciso que se crie infraestrutura bem organizada
para que o projeto se desenvolva e dê certo.
A SPA é uma instituição particular sem fins
lucrativos e não filiada a nenhuma outra instituição, oficialmente legalizada,
com estatuto registrado em cartório, CNPJ e registro no Conselho Regional de Medicina
Veterinária, e atualmente dá assistência a 200 cães e 80 gatos, e não recebem
nem recolhem animais doados por terceiros ou achados na rua.
Segundo Lanyr, a SPA realiza todas as terças-feiras
um serviço de castração de cães e gatos, e quem estiver interessado em indicar
um animal de rua para castrar ou denunciar maus tratos é só entrar em contato
pelo e-mail (spa/vr@hotmail.com).