|

Volta Redonda
O empresário Antônio Cardoso, diretor de Comunicação do Sicomércio de Volta Redonda, afirmou que, além da carga tributária elevada, as empresas estão sofrendo com o aumento de custos causado pela necessidade de passar uma quantidade cada vez maior de informações ao Poder Público.
Segundo ele, nos últimos cinco anos, o número de trabalhadores em escritórios e departamentos de contabilidade aumentou em cerca de 50%, por conta da necessidade de informar ao governo sobre faturamento, admissões e demissões e outros fatos do dia a dia das empresas.
- O problema é o levantamento dos dados, não sua transmissão, que normalmente é feita através da internet, sem custo para as empresas. Já manter equipes para reunir esses dados custa caro e transfere para o empresário uma obrigação que deveria ser do governo - afirma.
Um exemplo citado por Cardoso é a Declan, que não gera nenhum imposto adicional para o empresário, além do ICMS, que foi recolhido muito antes de o documento ser entregue.
"Reunir esses dados para enviar ao governo - e nesse caso precisamos mandar ao governo estadual e à prefeitura - gera trabalho e custos", diz ele.
Segundo Cardoso, no caso da Declan o envio duplo acontece porque o governo estadual precisa das informações para determinar o índice de participação dos municípios (IPM) no "bolo" do ICMS, enquanto a prefeitura solicita as mesmas informações para verificar a exatidão dos cálculos feitos pelo governo.
O envio de informações aos governos também contribuiu para aumentar a carga tributária. Cardoso estima que a arrecadação de impostos no Brasil tenha subido 19% em 2009, para uma inflação na casa dos 4% e um crescimento nulo da economia, por conta dos efeitos da crise econômica mundial:
"Com isso, a carga tributária cresce e ameaça inviabilizar muitas atividades empresariais", afirma.
O empresário exemplificou, com dois casos concretos, o peso dos impostos no cotidiano de empresas e pessoas físicas. Um deles é o de uma conta de energia elétrica de uma loja em Angra dos Reis: do valor total, de R$ 351, apenas R$ 166 se referiam à geração, transmissão e distribuição da energia. O restante eram impostos sobre o consumo.
Na mesma linha, um veículo adquirido por R$ 37 mil, direto da fábrica, custaria R$ 28 mil sem os impostos.
"Isso porque se trata de um veículo destinado a serviço e porque a compra foi feita sem a intervenção de uma concessionária. Se a compra fosse feita em uma concessionária, o preço iria superar em muito os R$ 40 mil", explica.
Para Cardoso, a solução, além da racionalização dos gastos do governo, está em uma reforma tributária e na busca de soluções que aumentem a quantidade de contribuintes, através de medidas que evitem a sonegação:
"Se todos pagarem, todos pagarão menos, e com regras claras haverá competição justa na economia", conclui.
|