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Crivella: ‘Nova emenda tem um lado positivo’
Publicado em 13/6/2010, às 19h14
 

Crivella discutiu pré-sal e eleições em Volta Redonda; ao lado do autor da lei contra a homofobia de Barra do Piraí, também falou do tema

Jader Moraes

Volta Redonda

O senador Marcelo Crivella (PRB) esteve hoje (13) em Volta Redonda, onde ministrou uma palestra sobre a divisão dos recursos dos royalties do petróleo. Surpreendendo os presentes, Crivella afirmou que a nova emenda proposta pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS) e aprovada no Senado na semana passada, tem um lado positivo. Mas ele fez questão de, logo em seguida, explicar: como o texto diz que o governo federal deverá compensar as possíveis perdas dos estados produtores, Crivella acredita que aumentam as chances do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) vetar a emenda.

- O presidente já havia nos dito que não aprovava. Agora, com essa emenda do Simon que atribui as responsabilidades da compensação ao governo federal, Lula vai vetar com toda a certeza, não vai querer pagar essa conta - opinou o senador, que, no entanto, não poupou críticas à proposta de redivisão dos royalties.

"O petróleo é do Brasil, claro, mas o royalties são dos estados produtores. Agora o país se virou para pegar a nossa parte, o Rio teve o Brasil inteiro contra ele na Câmara. A emenda do Simon, mesmo prevendo a compensação por parte do governo federal, continua sendo terrível. Ficaremos de ‘pires' pedindo à União o pagamento", disse Crivella, comparando a emenda à situação criada pela Lei Kandir.

Sancionada em 1996, a Lei Kandir isentou de ICSM os produtos e serviços destinados à exportação. O governo federal ficou comprometido em compensar as eventuais perdas dos estados com a medida, contudo as regras do repasse não ficaram claras e ainda hoje há impasse entre a União e os estados, que divergem sobre os valores devidos.

- Fui de gabinete em gabinete, conversei com cada senador, já havíamos decidido votar os royalties depois das eleições. Assim, o Rio tinha mais chance, a votação seria de forma menos ‘apaixonada'. Mas tenho certeza que o povo brasileiro não aprova isso, ninguém quer construir sua casa e destruir a do vizinho - comparou. "Nós já demos todas as provas de que o Rio não quer se desenvolver longe do Brasil, pelo contrário, somos parte integrante do país. Mas não nos peçam mais do que podemos dar", completou Crivella.

Ele ainda avaliou que, mesmo com boas intenções, o governador Sérgio Cabral (PMDB) pode ter exagerado quando foi à Câmara e acusou os parlamentares de quererem ‘meter a mão' no Rio. "Cabral, num momento de extrema preocupação, talvez tenha se excedido um pouco. Na política temos que ter muito cuidado com o que a gente diz. A partir do discurso de Cabral, os que já estavam com intenção de mudar a distribuição puderam dizer: ‘Ah, era isso que a gente queria'", comentou.

Eleições

Como não poderia ser diferente, o encontro reuniu políticos e militantes do PRB, além de lideranças de outros partidos, como o vereador Edson Quinto (PR) e o deputado estadual Ademir Melo (PSDB). Assim, o tema eleições também dominou o evento. Logo no início da palestra, Crivella fez uma "exaltação" à política e afirmou que é preciso eleger políticos que tenham "característica de servir".

- Eu tenho um prazer enorme de estar fazendo política com vocês. Mas a política com ‘P maiúsculo', de querer construir um país melhor, transformar a vida do povo - discursou ele, que buscará a reeleição ao Senado este ano.

Ele citou uma pesquisa da ONG Transparência Brasil que o elegeu como o terceiro melhor senador do país. Neste momento, lembrou dos muitos escândalos que o Congresso tem passado nos últimos anos, afirmando que passou imune pelas crises. "Tem gente que é capaz de fazer o que a gente tem vergonha só de pensar", disse.

Em entrevista à imprensa, o senador comentou as negociações sobre a chapa que vai concorrer ao Senado pelo Rio. Apesar do presidente Lula já ter declarado apoio a ele, PT e o PMDB caminham para uma aliança sem Crivella - a chapa contaria com Lindberg Farias (PT) e Jorge Picciani (PMDB).

Crivella, no entanto, propôs uma nova composição à aliança, com duas chapas. A primeira (PMDB-PP-PSB) teria como candidato único Picciani e seria apoiada por Cabral; e a segunda (PRB-PT-PCdoB-PDT) com Lindberg e Crivella. Ambas apoiariam Dilma Roussef à Presidência da República. "É uma composição possível, o importante é darmos total apoio a Dilma", afirmou.

Depois de saia justa, Crivella elogia ‘Lei Rosa' de Barra do Piraí

Logo no início da palestra de Crivella, um pequeno constrangimento: o senador disse que só apoiou Cabral depois que ele retirou uma proposta de casamento homossexual de sua plataforma de campanha. Ao lado do senador, neste momento, estava o vereador Pedro Fernando de Souza Alves, o Pedrinho ADL (PRB), autor da primeira lei contra a homofobia da região, em Barra do Piraí, e homossexual assumido. Apesar da saia justa, Pedrinho afirmou que se sente à vontade no partido e que entende o posicionamento dos correligionários.

- Como ele (Crivella) é líder de uma igreja, entendo seu posicionamento de não falar abertamente sobre o tema. O importante é que o senador me disse que é um prazer me ter no partido e tenho liberdade para propor minhas ideias e apresentar meus projetos - disse. "É o partido onde me sinto a vontade. Eles podem ter os dogmas deles, mas eu tenho os meus e não entramos em conflito. Jamais ficaria num partido que não me respeitasse", completou.

Ao DIÁRIO DO VALE, o senador também afirmou que a divergência sobre o tema é comum e até elogiou a lei sancionada em Barra do Piraí no início da semana passada.

- Acho que a convivência de homossexuais e heterossexuais deve ser pautada no respeito e é assim que agimos aqui, respeitando a opinião de cada um. Acho a lei muito boa, combate o preconceito, mas nós não temos que concordar em tudo. Isso é a democracia, afinal - disse Crivella, pontuando que vê diferenças entre casamento homossexual (que é contra) e união civil homossexual (a favor). "Podem ter certeza que os homossexuais jamais ouvirão de mim qualquer ato de discriminação", garantiu o senador.

 

 
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