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Volta Redonda entra entre os ‘100 mais’
Publicado em 14/12/2011, às 21h09
 
Última atualização em 14/12/2011, às 21h09

Volta Redonda

 

De acordo com dados liberados hoje (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Volta Redonda ficou em 53º lugar entre os maiores PIBs municipais do Brasil em 2009. Resende é a única outra cidade da região na lista dos 100 maiores PIBs municipais daquele ano, ocupando o 92º lugar. Considerando o Estado do Rio, Volta Redonda ficou na sétima posição e Resende, na décima.

Um dado a ser destacado no levantamento é que, como 2009 foi o ano em que os efeitos da crise econômica mundial foram mais sentidos no Brasil, economias mais industrializadas, como Volta Redonda, Resende, Angra dos Reis e Porto Real, tiveram queda em seus PIBs na comparação com 2008. Em 2009, Barra Mansa apresentou um forte crescimento em seu PIB e superou Porto Real, que teve queda em relação a 2008.

No cenário nacional, Volta Redonda ficou à frente de oito capitais de estados. Entre elas, Florianópolis, Aracaju e Porto Velho, que estão na lista dos 100 maiores PIBs municipais do Brasil.

Um levantamento incluindo apenas os municípios do Sul Fluminense aponta Volta Redonda como o maior PIB, seguida por Resende, Angra dos Reis, Barra Mansa e Porto Real.

A diversificação da economia de Volta Redonda e sua menor dependência em relação à CSN ficam evidentes quando se compara o PIB de Volta Redonda com o de Ipatinga (MG).

Embora o município mineiro seja sede da única usina siderúrgica com capacidade de produção maior do que a Usina Presidente Vargas, da CSN (outros grupos, como o Gerdau, têm capacidade maior, mas dividida entre diversas usinas), o PIB de Volta Redonda fica na casa dos R$ 8,3 bilhões, contra R$ 5,6 bilhões de Ipatinga.

 

Variações

 

Entre os 25 municípios com pelo menos 0,5% de participação no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, 11 apresentaram variações na sua participação entre 2008 e 2009, sendo quatro aumentos e sete reduções.

A crise internacional de 2008 teve impacto direto sobre a economia dos municípios de Campos dos Goytacazes (RJ), que caiu de 1,0% de participação em 2008 para 0,6% em 2009, e Vitória (ES), que passou de 0,8% para 0,6%. O desempenho econômico do município fluminense foi fortemente influenciado pela queda no preço do barril de petróleo, enquanto o decréscimo da capital capixaba foi devido aos baixos preços do minério de ferro.

Outras reduções de 2008 para 2009 ocorreram nos municípios paulistas de Guarulhos, São Bernardo do Campo, Barueri e Santos e, ainda, o município mineiro de Betim, todos com redução de 0,1 ponto percentual. Guarulhos teve pequenas perdas de participação tanto na indústria de transformação como no comércio. As principais perdas de São Bernardo do Campo foram na indústria de artigos de perfumaria e cosméticos. No caso de Barueri, a variação negativa aconteceu, principalmente, em função do ganho de participação do município de São Paulo. Já em Santos, a queda foi devida à retração das indústrias alimentícias e de produtos químicos. Betim perdeu participação devido à retração do comércio, principalmente em razão do declínio acentuado das vendas no atacado de produtos siderúrgicos - porém, no segmento industrial, sua participação aumentou.

Dos municípios com pelo menos 0,5% de participação no PIB nacional e que tiveram aumento de participação, três são capitais. São Paulo passou de 11,8% para 12,0%, principalmente por causa da valorização do segmento de intermediação financeira, seguros, previdência complementar e serviços relacionados. O Rio de Janeiro passou de 5,2% para 5,4% de participação, em razão do bom desempenho de todos os setores industriais, em particular, da indústria de transformação, no segmento de alimentos e bebidas e, indiretamente, pela queda de participação do município de Campos dos Goytacazes (RJ). Brasília subiu de 3,9% para 4,1%, especialmente por causa das contratações no serviço público, que melhoraram o desempenho do setor de administração, saúde e educação públicas e seguridade social. Além deles, o município de Duque de Caxias (RJ) subiu de 0,6% para 0,8%, devido à queda do preço do barril de petróleo, que causou significativa redução do consumo intermediário da atividade refino do petróleo e coque e, consequentemente, aumento do valor adicionado bruto.

 

Concentração

 

Em 2009, aproximadamente 25% de toda a geração de renda do país estava concentrada em cinco municípios: São Paulo (12,0%), Rio de Janeiro (5,4%), Brasília (4,1%), Curitiba (1,4%) e Belo Horizonte (1,4%). Juntos, eles representavam 12,6% da população nacional. Aproximadamente metade do PIB nacional se concentrava em 51 municípios, os quais representavam 30,8% da população. Por outro lado, na última faixa de participação relativa no PIB, 1.302 municípios respondiam por 1,0% do PIB e, juntos, representavam 3,3% da população.

Excluindo-se as capitais, 12 municípios geravam individualmente mais do que 0,5% do PIB, contribuindo, em conjunto, com 9,3% da renda gerada no país, quase todos no Sudeste: Guarulhos (SP), 1,0%; Campinas (SP), 1,0%; Osasco (SP), 1,0%; São Bernardo do Campo (SP), 0,9%; Barueri (SP), 0,8%; Duque de Caxias (RJ), 0,8%; Betim (MG), 0,8%; Santos (SP) e São José dos Campos (SP), ambos com 0,7%, Campos dos Goytacazes (RJ), 0,6% e Jundiaí (SP) e Canoas (RS), ambos com 0,5%.

Para medir a concentração da geração de renda na atividade produtiva, a pesquisa dividiu a média do PIB dos 10,0% dos municípios que mais contribuíram e a média dos 60,0%, 50,0%, 30,0% e 10,0% dos municípios com menor contribuição para o PIB. O indicador para o Brasil revelou que, em 2009, a média dos 10,0% dos municípios com maior PIB geraram 95,4 vezes mais renda que a média dos 60,0% dos municípios com menor PIB.

Considerando o período 2005 a 2009, observa-se que esse indicador vem apresentando sistematicamente pequenas quedas. Em 2005 era de 100,9 e nos anos seguintes passou para: 99,7; 99,3; 96,5 chegando a 95,4 em 2009.

Na análise por região, o Sudeste apresentou os maiores indicadores ao longo da série histórica. Em destaque, observou-se que, mesmo excluindo-se os municípios das capitais de São Paulo e Rio de Janeiro, o indicador do Sudeste continuou alto, o maior dentre todas as regiões, evidenciando concentração do PIB. Em outro extremo, as regiões Nordeste, Norte e Sul apresentaram mais dispersão. No Centro-Oeste, ficou evidente a concentração devido a Brasília.

O cálculo desse indicador, quando realizado para cada Unidade da Federação, mostrou as maiores concentrações nos estados de São Paulo (147,5), Amazonas (108,2) e Rio de Janeiro (98,5), enquanto as menores concentrações foram verificadas em Rondônia (19,1), Acre (24,1) e Tocantins (24,3).

Agregando-se os municípios por 8 faixas de população (Até 5.000 hab., de 5.001 a 10.000 hab., de 10.001 a 20.000 hab., de 20.001 a 50.000 hab., de 50.001 a 100.000 hab., de 100.001 a 500.000 hab. e mais de 500.000 hab.) observa-se que o maior ganho de participação ocorreu na faixa de 100.001 a 500.000 habitantes, que passou de 26,1% , em 2000, para 27,4% em 2009 e a maior perda, na classe de mais de 500.000 habitantes que em 2000 gerava 45,8% do PIB e passou a gerar 42,7% em 2009.

 

Açúcar e álcool

 

Considerando-se o ranking de participação de todos os municípios do país no PIB, os maiores ganhos de posição ocorreram nos municípios paulistas de Monções (da posição 4.502 para a posição 1.818), Brejo Alegre (de 4.334 para 2.373) e Borá (de 5.037 para 3.679), todos com crescimento relacionado à produção de açúcar e álcool. O aumento na participação do município pernambucano de Terra Nova (de 4.189 para 2.951) deu-se por conta do incremento no setor agropecuário; e no município catarinense de Mirim Doce (da posição 4.472 para a 3.255), por conta da instalação de empresas especializadas em usinagem de massa asfáltica com a finalidade de pavimentar cidades próximas.

Já as maiores perdas de posição foram detectadas nos municípios mineiros de Albertina (da posição 3.554 para 5.162) por causa da queda do comércio atacadista do café em grão, Catas Altas (de 1.423 para 3.018), pela queda no valor da produção do minério de ferro (que já vinha caindo desde 2005, mas se agravou com a crise, provocando o fechamento de algumas minas), e Prudente de Morais (de 2.488 para 3.645) pela queda expressiva na produção de cal e gesso, além do encerramento das atividades de empresa ligada à produção de ferro gusa; no município maranhense de São João do Carú (de 2.995 para 4.122), por causa da queda na produção de mandioca; e no município piauiense de Monsenhor Gil (da posição 2.917 para a 3.928), devido à queda na extração de britamento de pedras.

 

PIB per capita

 

Menos de 15% dos municípios brasileiros têm PIB per capita maior do que o PIB per capita brasileiro (R$16.918). Metade dos municípios brasileiros tem PIB per capita menor do que R$ 8.395 (aproximadamente metade do nacional). Três quartos dos municípios brasileiros tem PIB per capita menor do que R$ 13.317.

Os municípios com maior PIB per capita em 2009 tinham como característica em comum a baixa densidade demográfica. Em primeiro lugar, São Francisco do Conde (BA), que abrigava a segunda maior refinaria em capacidade instalada de refino do país com PIB per capita de R$ 360.815,83 e uma população de apenas 31.699 pessoas.

Em segundo lugar, Porto Real (RJ), com R$ 215.506,46 e 16.253 habitantes, cujo PIB per capita foi bastante influenciado pela indústria automobilística. Triunfo (RS), sede de um importante polo petroquímico na região metropolitana de Porto Alegre, ficou em terceiro lugar com R$ 211.964,79 e 25.374 habitantes.

A transferência da maior parte dos voos do aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, para o município vizinho de Confins (MG) fez com que este último ficasse em 4ª em 2009, com R$ 187.402,18 e 6.072 habitantes. Louveira (SP), com R$ 174.891,84 de PIB per capita e 33.251 habitantes, ocupava o 5º lugar graças aos seus centros de distribuição de grandes empresas.

O menor PIB per capita, em 2009, foi de R$1.929,97 no município maranhense de São Vicente Ferrer, com população de 20.463 habitantes. Segundo a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) 2009, o município teve perda de 77,6% da quantidade produzida e de 83,4% do valor de produção da mandioca, em função do grande período de excesso de chuva.

Os 56 municípios de menor PIB per capita (que correspondem a 1,0% dos 5.565 municípios do país) tinham PIB per capita inferior a R$ 2.728,79 e estavam localizados no estado do Pará (13) e no Nordeste, nos estados do Maranhão (14), Piauí (17), Ceará (2), Alagoas (4) e Bahia (6).

Entre os municípios das capitais, destacaram-se Vitória com o maior PIB per capita (R$ 61.790,59), seguido de Brasília (R$ 50.438,46), São Paulo (R$ 35.271,93), Rio de Janeiro (R$ 28.405,95) e Porto Alegre (R$ 26.312,45). Observa-se que apesar de Vitória ter o PIB per capita mais alto entre as capitais, correspondendo a 3,7 vezes o PIB per capita brasileiro (R$ 16.917,66), foi o terceiro maior dentro do estado do Espírito Santo, atrás dos municípios de Anchieta (R$ 108.431,27) e Presidente Kennedy (R$ 71.942,58).

 

Entenda os conceitos de PIB e PIB per capita

 

O PIB nominal é o valor de todos os bens e serviços produzidos num país ou numa economia, a preços correntes, no ano em que as mercadorias são produzidas. O PIB indica, de forma aproximada, a força de uma determinada economia, medida pelo valor da produção.

Já o PIB per capita é a divisão do produto interno bruto pela população. Em países, o PIB per capita dá uma visão aproximada da riqueza da população. No entanto, as desigualdades na distribuição de renda podem fazer com que um país com elevado PIB per capita tenha partes significativas da população vivendo abaixo da linha de pobreza.

A relação entre o PIB e situação econômica de um município fica mais evidente pelo indicador bruto. Normalmente, quanto maior o PIB, maior a arrecadação do município. Além disso, um PIB elevado geralmente está associado à existência de atividades econômicas que geram empregos. Já o PIB per capita está pouco ligado à força da economia, já que cidades com populações pequenas têm menos gente para dividir o "bolo" da produção de riqueza e uma atividade econômica ou empresa que faria pouca diferença em uma cidade maior pode alçar um  pequeno município ao topo da lista.

Dos 100 municípios com os maiores PIBs per capita do Brasil, 85 têm menos de 100 mil habitantes.

 
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