Felippe Carotta
Sul Fluminense
A greve dos profissionais da segurança pública no estado, deflagrada hoje, foi aderida em vários municípios do Sul Fluminense. Prefeitos da região comentaram a repercussão do movimento nos respectivos municípios que governam. Os políticos esperam que o movimento termine antes do Carnaval. Em Barra Mansa, a festa popular já começou a ser prejudicada por conta da situação. O pré-carnaval, que aconteceria neste fim de semana, foi adiado. A programação do Carnaval, na próxima semana, foi mantida.
O prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto (PMDB), demonstrou-se confiante de que a greve dos PMs tenha, muito em breve, um ponto final.
- A gente espera que tudo se resolva o mais rápido possível. Sabemos, e creio que a população tem consciência disso, que a Guarda Municipal possui uma função definida. É importante salientar que não compete ao órgão fazer a segurança pública, porém, é indiscutível que temos agentes presentes, que podem ajudar a manter a ordem na cidade - abordou.
Neto destacou que o Governo do Estado já enviou reforços para Volta Redonda:
- Fui informado de que a cidade está com patrulhamento policial extra, vindo da força estadual. O comandante do 28º Batalhão (tenente-coronel Igor Magalhães) também está no município e, além disso, dados das câmeras do Ciosp (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública) mostraram que, hoje, a movimentação está normal. Então, estamos mais tranquilos.
Quanto à possibilidade de a greve dos PMs não acabar antes do Carnaval, o prefeito manifestou serenidade.
- Volto a dizer que nós esperamos, de coração, que isso se resolva rapidamente. Mas, se não acontecer, estou tranquilo em relação ao Carnaval de Volta Redonda. A festa acontece na Ilha São João e, lá, há todo aparato de segurança disponível, como câmeras de vigilância. A ordem será reforçada com a ação da Guarda Municipal e de seguranças contratados pela prefeitura.
‘Se greve continuar, pedirei reforços à força estadual', diz Essiomar Gomes
O prefeito em exercício de Angra dos Reis, Essiomar Gomes (PP), declarou que vai trabalhar para que o Carnaval do município - um dos principais polos turísticos do estado do Rio - não seja esvaziado pela paralisação dos PMs.
- Caso o movimento não termine até o início da festa, vou solicitar reforços ao Governo do Estado. Pedirei ao governador Sérgio Cabral (PMDB) que agentes da tropa de choque venham fazer o policiamento do Carnaval angrense, afinal, enquanto prefeito, tenho o dever de oferecer segurança à população - frisou.
Questionado sobre os efeitos do movimento no litoral da Costa Verde, Essiomar disse que as circunstâncias da cidade o tranquilizam:
- Angra é um local muito pacífico, então, nossa preocupação é menor. Mesmo assim, conversei com o capitão responsável pela nossa área, que me disse que o efetivo aderiu à paralisação. Fiz contatos também com os membros do comando geral da PM, que me disseram que não estão medindo esforços para estancar o motim.
O político ressaltou que não pretende pressionar Sérgio Cabral a ceder às pressões da categoria.
- O governador é quem sabe até onde ele pode ir nas negociações. Não cabe a nós, prefeitos, colocá-lo contra a parede - enfatizou, finalizando com a esperança de que o movimento acabe logo:
- Creio que a greve vai acabar antes do Carnaval, pois, os policiais sabem de seu compromisso com a população.
‘Temo pela segurança da população', diz Ruthinha
Em Barra Mansa, a paralisação da categoria começou a surtir efeitos. Um evento pré-carnavalesco, que estava programado para acontecer hoje, no Parque da Cidade, foi cancelado, em virtude da situação. A decisão foi tomada em caráter preventivo. A informação foi dada pela prefeita interina, Ruth Coutinho (PP). Ela afirmou que teme pela segurança da sociedade, embora esteja trabalhando para garantir a ordem no município.
- Em primeiro lugar, está a segurança do povo. Tenho me reunido, há alguns dias, com o comando da Guarda Municipal, já nos preparando para a greve dos PMs. Tomamos a decisão de cancelar o pré-carnaval, pensando exclusivamente na integridade das pessoas - garantiu.
- Temos 150 homens da GM em Barra Mansa, e, embora não possamos invadir a esfera do trabalho da polícia, colocamos mais agentes nas ruas, para dar à população uma sensação de segurança. Enquanto estive prefeita, fiz o que pude para garantir às pessoas um município em ordem - acrescentou.
Por fim, Ruthinha achou prematuro comentar de ações relacionadas ao Carnaval, visto que, até lá, o prefeito Zé Renato já terá reassumido o governo da cidade.
- Seria precipitado da minha parte tocar nesse assunto. Vamos aguardar e, se a situação não se resolver, o Zé Renato é quem decidirá o que vai ser feito - encerrou.
O prefeito de Barra do Piraí, José Luís Anchite (PP), e o de Resende, José Rechuan (PP), não foram localizados pelo DIÁRIO para falar sobre o assunto. Segundo a assessoria de Anchite, ele está viajando. Já Rechuan não retornou as ligações feitas para o seu celular.