Rio de Janeiro
A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres
da Presidência da República, Eleonora Menicucci, cobrou hoje (12) dos
partidos políticos maior ênfase no cumprimento da Lei 9.504/97 -
conhecida como Lei das Eleições - que prevê o preenchimento de pelo
menos 30% das candidaturas nas eleições proporcionais por mulheres. Para
a ministra, os partidos políticos também deveriam dar mais atenção às
candidatas. As informações são da Agência Brasil.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de
candidaturas femininas alcançou 31,7%, superando o piso da legislação
pela primeira vez desde que a lei entrou em vigor, há 15 anos. No
entanto, dos 190 candidatos a prefeito nas 26 capitais, apenas 28 (15%)
são mulheres. A crítica da ministra foi apresentada em debate que
marcou a celebração dos 80 anos do voto feminino no Brasil, realizado na
Fundação Casa Rui Barbosa, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.
Com relação à conquista do percentual mínimo de candidatas, Eleonora
Menicucci disse que foi apenas um de diversos desafios que as mulheres
devem enfrentar na luta por seus direitos. "Outro desafio na reforma
eleitoral é a questão do financiamento da campanha. Os partidos precisam
considerar que as candidaturas femininas são tão fundamentais quanto as
dos homens e, portanto, [também] precisam de recursos", afirmou.
De acordo com Eleonora Menicucci, sem a mudança do comportamento
feminino, a partir da década de 70, quando as mulheres começaram a
ingressar no mercado de trabalho, o Brasil não elegeria Dilma Rousseff
como presidenta da República. Porém, segundo ela, essa mudança não é
observada nos cargos executivos estaduais e municipais.
"Quando nós olhamos para os executivos estaduais e municipais, isso não
se repete, por mais que, nesta eleição, nós tenhamos mais mulheres do
que há quatro anos concorrendo a cargos executivos, ou seja, mais
mulheres estão considerando a sua autonomia para se candidatar à
política", ressaltou.
Segundo a pesquisadora da Fundação Casa Rui Barbosa e professora da
Universidade Federal de Juiz de Fora, Cláudia Maria Ribeiro Viscardi,
apesar de as mulheres constituírem 52% do eleitorado feminino, somente
9% são eleitas. "O nível de eleição de mulheres é inferior a de outros
países onde os direitos foram conquistados depois do Brasil. Por que as
mulheres não estão sendo eleitas, apesar de ter conquistado esse direito
há 80 anos?", questionou.