LUTO
Morre o jornalista Arízio Maciel e prefeito decreta luto oficial
Publicado em 3/9/2010, às 13h31
 

Arísio Maciel, segundo da esquerda para a direita, durante entrevista concedida em 2007 para o Museu da Imagem e do Som de Resende

Resende

O prefeito José Rechuan (DEM) decretou luto oficial de três dias no município pela morte do jornalista e radialista José Arízio Maciel, que tinha 85 anos e morreu na tarde de ontem. Mineiro da cidade de Martinho Campos, o "doutor Arízio", como era conhecido, foi um dos fundadores da Rádio Agulhas Negras, que neste mês completa 60 anos de existência.

- Há 60 anos ele participou do surgimento da Rádio Agulhas Negras. O doutor Arízio deixa muitos serviços prestados ao nosso município, especialmente na área da comunicação - disse Rechuan.

Advogado formado pela Faculdade de Direito Sul de Minas, na cidade Pouso Alegre, Arízio foi também funcionário do Serviço de Meteorologia de Resende; advogado criminalista; diretor e fundador do extinto "Jornal de Resende", informativo que circulou em Resende durante as décadas de 1970 e 1980; secretário de imprensa da Prefeitura de Resende; e presidente do Rotary Club da cidade, além de professor, diretor, coordenador do curso de Comunicação e adjunto do reitor da UBM (Centro Universitário de Barra Mansa).

Como um dos fundadores da Rádio Agulhas Negras, cujo estúdio principal leva seu nome, ele contribuiu de forma direta para a divulgação do município em décadas passadas nas regiões do Vale do Paraíba e do Sul de Minas.
A participação decisiva de Arízio Maciel no surgimento da emissora foi registrada há nove anos, pela publicação, pela Academia Resendense de História, do livro "Crônica dos Duzentos Antos - Resende 1801-2001". O livro relata que a inauguração oficial da Rádio Agulhas Negras ocorreu no dia 29 de setembro de 1950, no edifício do Cinema Vitória, na Praça Oliveira Botelho, onde a emissora funcionou até o começo da década de 1980, quando se transferiu para sua atual sede, na Rodovia Presidente Dutra, no quilômetro 303, próximo ao bairro Paraíso.

Arízio teve como companheiros no movimento que culminou na criação da rádio, representantes de outros segmentos da sociedade resendense na época, entre eles, o ex-deputado Oswaldo Gomes; o advogado Roberto Petrônio; o ex-secretário municipal e estadual de Fazenda, Jefferson Bruno; o engenheiro Eiltel César Fernandes; e o comerciante Henrique Andréa, todos já mortos. Na época, coube a Arízio ir ao Rio de Janeiro adquirir os 400 discos de 78 rotações que fizeram parte do primeiro acervo da rádio.

Junto com Sidney Frazão, Paulo Andrade e Roberto Monteiro, ele fez parte do primeiro grupo de locutores da Rádio Agulhas Negras, passando a usar uma saudação aos ouvintes que ficou como uma espécie de marca dos seus programas: "Arízio Maciel, o locutor que vos fala".

Entre os programas que o radialista apresentou na emissora, estiveram "A Semana em Revista" e o "Bate Papo das Onze e Trinta com Arízio Maciel". Levado ao ar todo sábado, às 12h30, "A Semana em Revista" fazia um resumo das notícias divulgadas pela emissora ao longo da semana. Já por meio do "Bate Papo das Onze e Trinta", o radialista comentava a cada dia um assunto diferente, principalmente temas ligados ao cotidiano de Resende.