
Cláudio
Alcântara
Esta é a semana Michael Jackson no mundo todo.
Segunda-feira, foi lançado seu novo álbum, que é uma coletânea. Ontem, o filme
"This Is It" ganhou pré-estreia em várias cidades, e hoje entra no circuitão
(na região será exibido em Volta Redonda). Nem precisa ser fã do artista, que morreu no dia
25 de junho de uma overdose de medicamentos fortes, para saber que o
documentário é uma tentativa da Columbia de fabricar um arrasa-quarteirão. O
filme foi finalizado às pressas, deixando evidente sua vocação caça-níquel.
Por isso mesmo, os fãs do astro pop já se
manifestaram na internet. "O filme tenta esconder a verdade sobre o estado
físico de Michael, mostrando uma falsa imagem", criticaram, com base nos
trechos divulgados. Uma tentativa fadada ao fracasso. Basta ver o trailer, ou
as muitas imagens que pipocam na web, para ter certeza de que Jackson às
vésperas da morte era um pálido retrato do seu auge de sucesso.
O material de divulgação do filme, classificado como
"documentário", diz que "o público terá uma visão do artista nos bastidores,
enquanto desenvolvia, criava e ensaiava para os seus concertos com ingressos
esgotados, que seriam realizados no começo deste verão, na O2 Arena de Londres".
Em outro trecho, afirma que o longa "mostra o que aconteceu nos meses de março
a junho de 2009", e entrega: "O filme foi produzido com o total apoio
do espólio de Michael Jackson" (nem precisa dizer o motivo).
O filme contém filmagens dos bastidores, apresentando
Jackson ensaiando inúmeras músicas suas para o show. O que se vê do cantor,
dançarino, produtor e arquiteto é um artista que já não cantava nem dançava
como nos bons e velhos tempos. Não há a menor dúvida de que Michael foi um
artista muito talentoso e reinou durante muitos anos no canibalesco mercado pop.
Mas já não era o "rei do pop" faz tempo. Ao aceitar fazer 50 shows, decretou
seu suicídio.
Nas cenas divulgadas até agora, nota-se claramente
que o artista utiliza muito mais os braços e as mãos, nas coreografias, para
poupar fôlego. E fica a dúvida: Michael estava cantando ou dublando? Boas são as
chances para a segunda opção. Embora o diretor do filme, negue isso. Mas a
Britney Spears também nega que faça dublagens em seu show.
Isso não importa muito. Comercialmente falando, "This
Is It" deve ter um bom desempenho nas bilheterias. O estúdio Columbia
Pictures, da Sony, prevê uma arrecadação mundial superior a US$ 600 milhões, em
apenas duas semanas em cartaz. É o tipo do produto com lucro certo: para fazer
o filme, que é parte documentário, parte concerto, gastou-se pouco mais de US$ 60
milhões. Ou seja, basta arrecadar US$ 100 milhões que o estúdio já terá lucro.
Como "This Is It" estreia em mais de 3,4 mil cinemas só nos EUA e
Canadá, a Columbia deve estar rindo à toa.
Afinal, nem que seja por mera curiosidade, todo mundo
vai querer ver Michael cantando e dançando na tela, na expectativa que nasce
morta de encontrar o mesmo artista que reinava nas paradas nos anos 80. E, se
por acaso, o ex-rei do pop não funcionar no telão, resta o lançamento em DVD -
o estúdio planeja lançar "This Is It" nesse formato já no início do
ano que vem. De qualquer forma, a Columbia já disse que o filme poderá ficar em
cartaz por mais tempo que as duas semanas previstas.
"This Is It" será exibido também em digital IMAX pelas salas ao redor do mundo. A pré-estreia
aconteceu simultaneamente em 25 cidades, ontem. A noite de gala para a premiere
foi em Los Angeles,
no Nokia Theatre, a partir de 18 horas, e nas outras 24 cidades simultaneamente
também aconteceram eventos: Rio de Janeiro, Nova York, Londres, Berlim, Tóquio,
Paris, Sidney, Moscou e Seul. O evento em Los Angeles foi transmitido ao vivo por satélite a todas as
outras localidades.
Disco foi
lançado segunda-feira
Não por acaso o novo disco de Michael Jackson tem o mesmo
nome do filme, "This Is It". O CD chegou às lojas em todo o mundo na
segunda-feira. O álbum duplo deve liderar as paradas em vários países, principalmente
nos EUA. Como o público sabe que se trata de uma coletânea de seus maiores
sucessos, as previsões apontam para 200 mil a 500 mil cópias vendidas na
primeira semana. Pouco para um ídolo que morreu recentemente. Mas a explicação
para esses números é simples. Desde a sua morte, mais de 5,5 milhões de discos de
Jackson foram vendidos, além de mais de 900 mil unidades de álbuns on-line.
Lançado pela Sony Music, "This Is It"
inclui os sucessos "Wanna Be Startin' Somethin'",
"Thriller" e "Beat It", além de duas versões (original e
orquestral) de "This Is It", que é bem fraquinha. Depois de um
estardalhaço na mídia, descobriu-se que esse primeiro single póstumo, a música
homônima ao disco, é uma canção antiga de Paul Anka gravada há 18 anos por uma
cantora porto-riquenha desconhecida. "This Is It" começou a ser
vendido na maior parte do mundo na segunda, e na América do Norte, ontem,
véspera da estreia do filme.
Apesar dos pesares, Michael Jackson já faz parte da
história e estará sempre vivo nos corações dos fãs.
Serviço
* Michael Jackson
This is It - De Kenny Ortega. Com
Michael Jackson. Legendado.
DOCUMENTÁRIO - Cenas das 80 horas registradas de
ensaios e produções da última turnê que Michael Jackson estava preparando logo
antes de sua morte. Cine Show - sala 2, em Volta
Redonda. Sessões: 14h50min,
17 horas, 19h10min e 21h20min. Telefone: (24) 3342-5604.
AVALIAÇÃO: "O Globo" (sem avaliação),
"Veja" (sem avaliação), "JB" (sem avaliação).