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Antologia virtual
Publicado em 30/10/2009, às 09h42
 

Regina Vilarinhos e Marina Colassanti, em Volta RedondaClarissa Coli

Em comemoração ao Dia Mundial do Escritor, foi lançada (dia 13 de outubro) a nona edição da antologia virtual "Saciedade dos Poetas Vivos", pelo portal Blocos Online. A coletânea reúne trabalhos de 17 autores sobre o tema "Estações". Com seis poemas, figura entre eles a escritora Regina Vilarinhos, de Volta Redonda.

Na década de 90, a coleção de 13 volumes publicada pela Editora Blocos ficou famosa por reunir vários autores em torno de um mesmo tema. Detacou-se também por trazer nomes já consagrados entre os escritores. Affonso Romano de Sant'Anna e Martha Medeiros são exemplos de escritores que já participaram. A nona edição traz como convidados especiais os poetas Elisa Lucinda, Celso Gutfreind e Wilson Bueno.

Em 2006, a antologia ganhou a web e trocou as páginas de papel pelas virtuais. Assim, os autores não precisariam mais ficar com os exemplares para tentar vendê-los. Resultado: quase cem vezes mais leitores mensais - sem gastos com remessa nem risco de extravio. O "livro" fica disponível no portal, onde é lido diariamente por cerca de três mil internautas de vários países diferentes.

Qualquer semelhança do título com o filme "Sociedade dos Poetas Mortos" não é mera coincidência. A ideia da paródia foi fazer uma crítica à cultura da valorização póstuma dos poetas. "O título significa saciar de poesia os vivos. Dar valor aos poetas que estão vivos. De toda a parte", explica Regina.

Mas, afinal, como Regina entrou nesta história? A poetisa conta que o uso da internet como ferramenta de publicação e divulgação do seu trabalho - no blog, em sites e portais culturais - tem proporcionado encontros literários diversos em todo o país.

- Já participei de outras coletâneas pelo país, tenho poemas publicados até em sites no Nordeste. Mantenho esse contato por e-mail. O convite de Leila Mícolis (organizadora da coletânea) surgiu assim, do nosso "convívio" virtual - revela. E continua: "Além disso, estar junto com Elisa Lucinda e Wilson Bueno, regida pela sensibilidade da Leila, fazendo uma comparação com a música, é como ser chamada para gravar com Chico Buarque e Milton Nascimento. É a realização de um sonho".

Regina nasceu no Rio Grande do Sul, mas foi criada em Volta Redonda. Escritora desde os 16 anos, conta que as primeiras linhas tiveram como inspiração "as paixões adolescentes, aquelas coisas de amor, amigas unidas, de livros românticos, das músicas... E da necessidade de falar das minhas angústias". Ela diz ainda que já foi devoradora de livros. "Isso ajudou a desenvolver minha imaginação", completa.

Entre os diários da adolescência e as primeiras publicações, lá se foram 20 anos. Segundo a escritora, foi numa exposição promovida pela Prefeitura de Volta Redonda que ela mostrou seus poemas em público pela primeira vez. A primeira publicação impressa foi em 1995, na "Antologia do Gacemss" - em comemoração aos 50 anos do Grêmio Artístico e Cultural Edmundo de Macedo Soares e Silva. Depois, vieram as antologias do Glan-VR (Grêmio Literário de Autores Novos de Volta Redonda). No ano de 2001, em parceria com a poetisa Elisa Carvalho, publicou o livro "Poemas Acesos Para Noites Apagadas".

Em 2002, Elisa e a também poetisa Anielli Carraro deram início ao projeto "Fábrica do Poema", em Barra Mansa. "Eu ia de vez em quando. A Elisa propôs começarmos em Volta Redonda e me juntei a elas. O Rastero (que morreu), nosso poeta maior, era um grande amigo e entrou no barco. Depois, ficamos eu e Anielli - o Rastero sempre junto", conta Regina. Ela diz que a iniciativa nasceu de uma vontade coletiva de colocar poesia na rua, na vida das pessoas. E foi o que fizeram, de fato, em saraus, misturando poesia e MPB, na Vila Santa Cecília.

O projeto realizou oficinas, teve participações em shows de músicos da região e até em festas particulares, onde os participantes iam "falar poesia". Segundo a escritora, foi um trabalho muito sério e intenso que conquistou o público.

- Teve gente que não lia e nem gostava de poesia, que se declarou em público amante de Drummond e Vinicius. Tinha noite que acabava à uma hora da madrugada. O pessoal do prédio jogava coisas na gente, teve muita batalha, mas o resultado era sempre positivo - recorda.

Pouco mais de dois anos depois, o grupo se dispersou e o projeto acabou. Desde 2007, porém, Regina mantém o blog "Poesia em Volta". "O blog tem a mesma ideia, mas faz tempo que não me apresento com o projeto. Fiz uma gravação de um poema meu e da Anielli no CD do Marcial, nosso querido amigo, que deve sair em breve", anuncia. E revela que está preparando uma festa para comemorar os cinco anos do projeto - no Dia Nacional da Poesia, em 14 de março do ano que vem. 

Presença garantida na ‘Off Flip'

Regina Vilarinhos licenciou-se em Letras com a monografia "Entre o Aço e os Versos - Mapa da Produção Literária de Volta Redonda, na Década de 80". Hoje, divide o amor pela poesia com os trabalhos de revisão de textos e as aulas de Língua Portuguesa e Literatura.

Entre os feitos da poetisa, destacam-se a final do "II Concurso Carioca de Poesias", em 2005; o convite para o "Festival de Poesia do Circo Voador", em 2006; além da presença sempre garantida na "Off Flip", onde apresenta seus poemas desde 2006, em saraus e exposições. Este ano, ela participou também da "Oficina Literária da Flip", com o poeta Carlito Azevedo.

Segundo a escritora, a "Off Flip" é um evento que, paralelamente à "Flip", abre espaço para escritores de o Brasil inteiro divulgarem seus trabalhos. Na edição de 2008, ela publicou o livro independente "A Chave e a Senha - Pequenas Porções de Poesias de Regina Vilarinhos". "O livro estava pronto, formatado, e a Jussara, que produz comigo o meu trabalho, sugeriu levá-lo para lá", conta Regina. Ela diz que, com a ajuda de amigos - "Meu trabalho sempre foi apoiado por muitos amigos" - fez uma tiragem manual de 200 exemplares.

- Vendemos tudo, entre Paraty, Volta Redonda, Rio de Janeiro e outros lugares que fomos participar de eventos assim. Até hoje tem gente que pede um livro - fala.

Para Regina, a "Off Flip" é uma boa oportunidade para os novos escritores. "Eles são abertos e oferecem um espaço cultural muito importante", observa.

- Na primeira vez, fui através de um concurso nacional. Nos anos seguintes, o Ovídio, que é coordenador, me chamou e fui. Ano que vem, estarei lá de novo - avisa.

 

 
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