Clarissa
Coli
Em comemoração ao Dia Mundial do Escritor, foi
lançada (dia 13 de outubro) a nona edição da antologia virtual "Saciedade dos
Poetas Vivos", pelo portal Blocos Online. A coletânea reúne trabalhos de 17
autores sobre o tema "Estações". Com seis poemas, figura entre eles a escritora
Regina Vilarinhos, de Volta Redonda.
Na década de 90, a coleção de 13 volumes publicada pela Editora Blocos
ficou famosa por reunir vários autores em torno de um mesmo tema. Detacou-se
também por trazer nomes já consagrados entre os escritores. Affonso Romano de
Sant'Anna e Martha Medeiros são exemplos de escritores que já participaram. A
nona edição traz como convidados especiais os poetas Elisa Lucinda, Celso
Gutfreind e Wilson Bueno.
Em 2006, a antologia ganhou a web e trocou as páginas de papel
pelas virtuais. Assim, os autores não precisariam mais ficar com os exemplares
para tentar vendê-los. Resultado: quase cem vezes mais leitores mensais - sem
gastos com remessa nem risco de extravio. O "livro" fica disponível no portal,
onde é lido diariamente por cerca de três mil internautas de vários países
diferentes.
Qualquer semelhança do título com o filme "Sociedade
dos Poetas Mortos" não é mera coincidência. A ideia da paródia foi fazer uma
crítica à cultura da valorização póstuma dos poetas. "O título significa saciar
de poesia os vivos. Dar valor aos poetas que estão vivos. De toda a parte",
explica Regina.
Mas, afinal, como Regina entrou nesta história? A
poetisa conta que o uso da internet como ferramenta de publicação e divulgação
do seu trabalho - no blog, em sites e portais culturais - tem proporcionado
encontros literários diversos em todo o país.
- Já participei de outras coletâneas pelo país, tenho
poemas publicados até em sites no Nordeste. Mantenho esse contato por e-mail. O
convite de Leila Mícolis (organizadora da coletânea) surgiu assim, do nosso
"convívio" virtual - revela. E continua: "Além disso, estar junto com Elisa
Lucinda e Wilson Bueno, regida pela sensibilidade da Leila, fazendo uma
comparação com a música, é como ser chamada para gravar com Chico Buarque e
Milton Nascimento. É a realização de um sonho".
Regina nasceu no Rio Grande do Sul, mas foi criada em
Volta Redonda. Escritora
desde os 16 anos, conta que as primeiras linhas tiveram como inspiração "as
paixões adolescentes, aquelas coisas de amor, amigas unidas, de livros
românticos, das músicas... E da necessidade de falar das minhas angústias". Ela
diz ainda que já foi devoradora de livros. "Isso ajudou a desenvolver minha
imaginação", completa.
Entre os diários da adolescência e as primeiras publicações,
lá se foram 20 anos. Segundo a escritora, foi numa exposição promovida pela
Prefeitura de Volta Redonda que ela mostrou seus poemas em público pela
primeira vez. A primeira publicação impressa foi em 1995, na "Antologia do Gacemss"
- em comemoração aos 50 anos do Grêmio Artístico e Cultural Edmundo de Macedo
Soares e Silva. Depois, vieram as antologias do Glan-VR (Grêmio Literário de
Autores Novos de Volta Redonda). No ano de 2001, em parceria com a poetisa
Elisa Carvalho, publicou o livro "Poemas Acesos Para Noites Apagadas".
Em 2002, Elisa e a também poetisa Anielli Carraro
deram início ao projeto "Fábrica do Poema", em Barra Mansa. "Eu ia de vez em quando. A
Elisa propôs
começarmos em Volta Redonda e me juntei a elas. O Rastero (que morreu), nosso
poeta maior, era um grande amigo e entrou no barco. Depois, ficamos eu e
Anielli - o Rastero sempre junto", conta Regina. Ela diz que a iniciativa
nasceu de uma vontade coletiva de colocar poesia na rua, na vida das pessoas. E
foi o que fizeram, de fato, em saraus, misturando poesia e MPB, na Vila Santa
Cecília.
O projeto realizou oficinas, teve participações em
shows de músicos da região e até em festas particulares, onde os participantes
iam "falar poesia". Segundo a escritora, foi um trabalho muito sério e intenso
que conquistou o público.
- Teve gente que não lia e nem gostava de poesia, que
se declarou em público amante de Drummond e Vinicius. Tinha noite que acabava à
uma hora da madrugada. O pessoal do prédio jogava coisas na gente, teve muita
batalha, mas o resultado era sempre positivo - recorda.
Pouco mais de dois anos depois, o grupo se dispersou
e o projeto acabou. Desde 2007, porém, Regina mantém o blog "Poesia em Volta".
"O blog tem a mesma ideia, mas faz tempo que não me apresento com o projeto.
Fiz uma gravação de um poema meu e da Anielli no CD do Marcial, nosso querido
amigo, que deve sair em breve", anuncia. E revela que está preparando uma festa
para comemorar os cinco anos do projeto - no Dia Nacional da Poesia, em 14 de
março do ano que vem.
Presença
garantida na ‘Off Flip'
Regina Vilarinhos licenciou-se em Letras com a
monografia "Entre o Aço e os Versos - Mapa da Produção Literária de Volta
Redonda, na Década de 80". Hoje, divide o amor pela poesia com os trabalhos de
revisão de textos e as aulas de Língua Portuguesa e Literatura.
Entre os feitos da poetisa, destacam-se a final do "II
Concurso Carioca de Poesias", em 2005; o convite para o "Festival de Poesia do
Circo Voador", em 2006; além da presença sempre garantida na "Off Flip",
onde apresenta seus poemas desde 2006, em saraus e exposições. Este ano,
ela participou também da "Oficina Literária da Flip", com o poeta Carlito
Azevedo.
Segundo a escritora, a "Off Flip" é um evento que,
paralelamente à "Flip", abre espaço para escritores de o Brasil inteiro
divulgarem seus trabalhos. Na edição de 2008, ela publicou o livro independente
"A Chave e a Senha - Pequenas Porções de Poesias de Regina Vilarinhos". "O
livro estava pronto, formatado, e a Jussara, que produz comigo o meu trabalho,
sugeriu levá-lo para lá", conta Regina. Ela diz que, com a ajuda de amigos - "Meu
trabalho sempre foi apoiado por muitos amigos" - fez uma tiragem manual de 200
exemplares.
- Vendemos tudo, entre Paraty, Volta Redonda, Rio de
Janeiro e outros lugares que fomos participar de eventos assim. Até hoje tem
gente que pede um livro - fala.
Para Regina, a "Off Flip" é uma boa oportunidade para
os novos escritores. "Eles são abertos e oferecem um espaço cultural muito
importante", observa.
- Na primeira vez, fui através de um concurso
nacional. Nos anos seguintes, o Ovídio, que é coordenador, me chamou e fui. Ano
que vem, estarei lá de novo - avisa.