
Roberta Caulo
Para quem não sabe, fanzine é qualquer publicação feita por um fã sobre assuntos de sua preferência. O formato, a quantidade, a continuidade e periodicidade do fanzine, também fica a critério de quem faz. E amanhã, acontecerá em Resende o evento chamado ‘Fanzineiros do Século Passado' que faz parte da turnê de divulgação do documentário de mesmo nome, que passa também pelo Rio de Janeiro e Barra Mansa.
Segundo a produtora do evento, Ive Môco, o idealizador do projeto, diretor e produtor do documentário, o jornalista Márcio Sno, estará presente nas exibições e logo após o vídeo baterá um papo com os presentes sobre a cultura dos fanzines.
O documentário é o precursor sobre o assunto em terras brasileiras. Nele estão registrados depoimentos de fanzineiros de diversas partes do país, que explicam o que é fanzine, as dificuldades de se produzir e formar a rede de relacionamento em épocas em que computadores e internet ainda faziam parte dos sonhos.
- Em Resende, recentemente foi inaugurada a Subterranea, uma casa que abriga atualmente uma loja de rock, aulas de desenho mangá (desenho japonês) e desenho para crianças. O eventos da Subterranea Prod, priorizam o trabalho de artistas autorais e o ‘Fanzineiros do Século Passado', além da exibição do documentário e do bate papo com o diretor, contará também com uma exposição de fanzines impressos, com participação dos 'zineiros' Apollo Hager de Resende, Carla Duarte de Barra Mansa, Carlos Braz também de Barra Mansa e Júnior Bittencourt de São Paulo - adianta Ive lembrando que haverá também a apresentação das bandas regionais The Alchemists, punk, lançando seu EP "1984" e da banda Kiore, alternative metal, também divulgando seu CD.
Criatividade tem caminho livre nessa mídia que já foi a principal maneira informal de trocar informações sobre arte, música, cultura em geral e até política, um jeito de não depender de outros meios oficiais para se interar.
- Esse documentário já foi exibido em diversos locais, em mostras e cineclubes por todo o país. Também é utilizado em oficinas de fanzines, como material de apoio e pedagógico - comenta.
Ive explica que o evento é pago, mas com um preço bem acessível, R$5 na ‘lista amiga' e para participar desta lista é só enviar nome e RG para o email [subterraneaprod@gmail.com] e no dia do evento basta levar a identidade. Já na portaria, a entrada será R$10. Para os que não puderem enviar o nome por email, também é possível deixar na loja Enxofre Rock Store, que funciona na casa Subterranea ou ligar para (24) 33553020. Os nomes serão aceitos até hoje.
- O evento ganhou esse nome, pois é o nome da série de documentários produzidos por Márcio Sno, que se envolveu diretamente na cultura de fanzines. Nos anos 1980, essas publicações foram amplamente produzidas no Brasil e formou-se toda uma rede social analógica, através das cartas, onde trocava-se informações além de TV, jornais e revistas. O primeiro capítulo da série trata justamente disso - adianta a produtora informando que no domingo, dia 21, o Sesc Barra Mansa também receberá o evento com a exibição do documentário e o bate papo, porém sem as bandas.
Foco
De acordo com Ive, assim como os demais eventos da Subterrânea, o objetivo é divulgar a chamada cultura independente, que inclui fanzines, bandas, filmes, literatura e toda produção cultural feita fora de um grande selo, uma grande editora, gravadora, fora do que é vigente.
- O público principal são jovens estudantes, a nível médio e universitário, estudantes de comunicação, mas também qualquer pessoa interessada em participar de um evento informativo e divertido - diz Ive contando que muitos fanzineiros foram trabalhar na área de jornalismo, publicidade e design.
O evento contará com um bate-papo com o coordenador do projeto, que falará sobre a produção, a continuidade do projeto e, claro, sobre fanzine, aproximando as pessoas desse mundo.

Sobre o produtor
Márcio Sno, idealizador do projeto, diretor e produtor do documentário, conta que no começo dos anos 1990, era fissurado em revistas de histórias em quadrinhos e de rock e sempre via anúncios para adquirir fanzines, mas não sabia do que se tratava.
- Escrevi para um desses contatos perguntando: "quanto custa o seu fanzine?", como se soubesse do que se tratava. Quando eu adquiri, conheci então o que era. Percebi que eu poderia também fazer o meu e, desde então, me envolvi de tal forma nesse universo que estou nele até hoje - relembra.
Segundo ele, o que mais o atraiu na proposta dos fanzines foi a idéia de fazer parte do outro lado da notícia, ou seja, passar de receptor para emissor. A vontade de produzir algo, divulgar o trabalho de amigos, colocar no papel e espalhar suas ideias, crenças, descrenças e pensamentos.
E com a chegada da internet, houveram algumas mudanças na difusão dessa cultura.
- Sempre que se fala de internet, a palavra que vem a minha cabeça é: paradoxo. Da mesma forma que ela facilita, ela complica. Da mesma forma que aproxima, distancia. Antes da internet, tudo era muito mais fechado, você sabia onde encontrar determinado grupo, música, pessoas. Com as facilidades tecnológicas atuais, hoje qualquer um pode publicar ou lançar o que quer. Isso é bom que democratiza o acesso, produção e distribuição, porém, acaba criando mais do mesmo. E, com isso, o garimpo de algo diferente ou de qualidade fica mais difícil e árduo. O que antes era um lago, hoje é um oceano - compara.
Por fim Sno deixa um conselho para os fanzineiros iniciantes.
- Faça. Resista. E nunca desista. Acho que essas palavras são básicas para quem não quer ficar parado como um simples observador. Se ninguém faz, façamos - conclui.
Serviço
O evento ‘Fanzineiros do Século Passado' acontece amanhã, em Resende, na Subterrânea, que fica na Rua Timburibá, nº 19, Centro Histórico, a partir das 17h e no domingo, dia 21, às 15h, no Sesc Barra Mansa. A entrada é R$5 na ‘lista amiga' e para participar desta lista é só enviar nome e RG para o email subterraneaprod@gmail.com. Informações: (24) 33553020.