
"A televisão me deixou burro. Muito burro demais". A
letra da canção "Televisão" (lembra?), aquela dos Titãs, nunca foi tão atual.
Só que agora também pode ser aplicada à internet. É claro que há exceções, em
ambos os casos. Seria burrice não estar ligado que a web é um veículo
importantíssimo em todas as áreas. Mas, assim como aconteceu com a TV, está
sendo, aos poucos, dominada por porcarias, bobagens, fenômenos efêmeros, lixo
cultural. Exemplo típico foi o que aconteceu no Brasil outro dia com a tal da
Luiza, a garota que estava no Canadá e voltou imediatamente ao país, quando se
tornou hit nas redes sociais. Com o jornalista Carlos Nascimento, do SBT,
também ocorreu coisa parecida. Os dois são opostos que se atraem e, embora não
pareça, têm muita coisa em comum.
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Após Luiza virar assunto em todos os lugares - logo
cedo, ao ligar o rádio para me exercitar ouvindo música, estava lá um comercial
de baile funk no Aero citando a moça -, Nascimento comentou na abertura do
"Jornal do SBT": "Ou os problemas brasileiros já estão todos resolvidos ou nós
já nos tornamos perfeitos idiotas. Porque não é possível que dois assuntos tão
fúteis possam chamar a atenção de um país inteiro. Já fomos mais inteligentes".
Ele se referia a Luiza, é claro, e ao "Big Brother Brasil". O jornalista está
certo? Sim, dependendo de como você encara o "meme" (alguma coisa que se
populariza entre milhares de pessoas).
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"Menos Luiza, que está no Canadá" é uma besteirinha,
uma futilidade que deveria ser encarada assim, apenas como uma coisa meio engraçadinha,
sem profundidade alguma. O problema é quando milhões de pessoas, incluindo o
jornalista Evaristo Costa, do "Jornal Hoje", da Globo, tratam o assunto como
coisa séria. Aí, sim, pode ser sinônimo de falta de inteligência. E o motivo é
simples: com a mesma rapidez que virou fenômeno, Luiza será esquecida e
substituída por outro "meme". É assim que funciona.
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Mas ser descartável não é uma exclusividade da
internet. Acontece também com a televisão e com tudo aquilo que é fútil. OK,
queridos leitores, a futilidade não faz mal a ninguém, se você tratá-la como
ela é em sua essência. Caso contrário, estaremos entrando num processo de
idiotização, de emburrecimento coletivo. E ninguém, em sã consciência, quer
isso. Ou quer?
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Na comunicação de massa, os bordões
são coisas naturais. Taí a personagem Valéria, do "Zorra Total", da Globo, que
não me deixa mentir. Dizem que tudo começou no teatro de revista, se popularizou
com o rádio e ganhou o mundo com a TV. Mas foi com a internet que os bordões se
tornaram tão rápidos como são hoje. Só assim foi possível uma frase (que não
tem nada de extraordinário) dita num comercial da Paraíba acabar incorporada na
linguagem de um país inteiro. "Menos Luiza, que está no Canadá" não é o
primeiro. Nem será o último. Pode ter certeza disso.
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Da mesma forma, o suposto
caso de abuso (ou estupro, como queiram) em um programa de TV pode ser uma
bobagem ou algo extremamente preocupante. Se o público aproveita o caso
Daniel-Monique para discutir a baixaria na televisão, é ótimo. Mas se você vai
para a web e transforma tudo numa brincadeira tola, o "reality show" se torna
mais uma futilidade, assim como a Luiza, que voltou do Canadá.
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Na TV e na internet existem coisas boas e ruins,
assim como na vida. Tudo vai depender de como as pessoas se relacionam com
isso. As redes sociais, por exemplo, podem ser ótimas, divertidas, fazer com
que a informação circule rapidamente. Ou podem nos transformar em perfeitos
idiotas, burros inconsequentes. Carlos Nascimento tem lá suas razões, ao
criticar o "meme" Luiza e o "BBB", mas ainda prefiro acreditar que tudo não
passou de uma brincadeira coletiva. Afinal, todos querem se entreter, sem
deixar de ser inteligentes. Ou não?
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Até terça-feira. Tchauzinho!