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O que Luiza e Carlos Nascimento têm em comum
Publicado em 31/1/2012, às 07h36
 
Última atualização em 31/1/2012, às 07h35

Cláudio Alcântara

"A televisão me deixou burro. Muito burro demais". A letra da canção "Televisão" (lembra?), aquela dos Titãs, nunca foi tão atual. Só que agora também pode ser aplicada à internet. É claro que há exceções, em ambos os casos. Seria burrice não estar ligado que a web é um veículo importantíssimo em todas as áreas. Mas, assim como aconteceu com a TV, está sendo, aos poucos, dominada por porcarias, bobagens, fenômenos efêmeros, lixo cultural. Exemplo típico foi o que aconteceu no Brasil outro dia com a tal da Luiza, a garota que estava no Canadá e voltou imediatamente ao país, quando se tornou hit nas redes sociais. Com o jornalista Carlos Nascimento, do SBT, também ocorreu coisa parecida. Os dois são opostos que se atraem e, embora não pareça, têm muita coisa em comum.  

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Após Luiza virar assunto em todos os lugares - logo cedo, ao ligar o rádio para me exercitar ouvindo música, estava lá um comercial de baile funk no Aero citando a moça -, Nascimento comentou na abertura do "Jornal do SBT": "Ou os problemas brasileiros já estão todos resolvidos ou nós já nos tornamos perfeitos idiotas. Porque não é possível que dois assuntos tão fúteis possam chamar a atenção de um país inteiro. Já fomos mais inteligentes". Ele se referia a Luiza, é claro, e ao "Big Brother Brasil". O jornalista está certo? Sim, dependendo de como você encara o "meme" (alguma coisa que se populariza entre milhares de pessoas).

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Carlos Nascimento criticou o ‘meme’ Luiza e o ‘Big Brother Brasil’ na abertura do ‘SBT Brasil’

"Menos Luiza, que está no Canadá" é uma besteirinha, uma futilidade que deveria ser encarada assim, apenas como uma coisa meio engraçadinha, sem profundidade alguma. O problema é quando milhões de pessoas, incluindo o jornalista Evaristo Costa, do "Jornal Hoje", da Globo, tratam o assunto como coisa séria. Aí, sim, pode ser sinônimo de falta de inteligência. E o motivo é simples: com a mesma rapidez que virou fenômeno, Luiza será esquecida e substituída por outro "meme". É assim que funciona.  

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Mas ser descartável não é uma exclusividade da internet. Acontece também com a televisão e com tudo aquilo que é fútil. OK, queridos leitores, a futilidade não faz mal a ninguém, se você tratá-la como ela é em sua essência. Caso contrário, estaremos entrando num processo de idiotização, de emburrecimento coletivo. E ninguém, em sã consciência, quer isso. Ou quer?  

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Na comunicação de massa, os bordões são coisas naturais. Taí a personagem Valéria, do "Zorra Total", da Globo, que não me deixa mentir. Dizem que tudo começou no teatro de revista, se popularizou com o rádio e ganhou o mundo com a TV. Mas foi com a internet que os bordões se tornaram tão rápidos como são hoje. Só assim foi possível uma frase (que não tem nada de extraordinário) dita num comercial da Paraíba acabar incorporada na linguagem de um país inteiro. "Menos Luiza, que está no Canadá" não é o primeiro. Nem será o último. Pode ter certeza disso. 

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Da mesma forma, o suposto caso de abuso (ou estupro, como queiram) em um programa de TV pode ser uma bobagem ou algo extremamente preocupante. Se o público aproveita o caso Daniel-Monique para discutir a baixaria na televisão, é ótimo. Mas se você vai para a web e transforma tudo numa brincadeira tola, o "reality show" se torna mais uma futilidade, assim como a Luiza, que voltou do Canadá.

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Na TV e na internet existem coisas boas e ruins, assim como na vida. Tudo vai depender de como as pessoas se relacionam com isso. As redes sociais, por exemplo, podem ser ótimas, divertidas, fazer com que a informação circule rapidamente. Ou podem nos transformar em perfeitos idiotas, burros inconsequentes. Carlos Nascimento tem lá suas razões, ao criticar o "meme" Luiza e o "BBB", mas ainda prefiro acreditar que tudo não passou de uma brincadeira coletiva. Afinal, todos querem se entreter, sem deixar de ser inteligentes. Ou não?

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Até terça-feira. Tchauzinho!

 

 
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