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Educação e cultura popular
Publicado em 10/04/2012, às 06h08
 
Última atualização em 10/04/2012, às 06h08

Objetivo do projeto é promover um intercâmbio entre os grupos de práticas diferentes

Clarissa Coli

Lançar mais um projeto poderia nem ser uma novidade no Museu Casa da Hera (Ibram/MinC), em Vassouras. Isso porque o local já possui várias atividades educativas em sua programação. Mas, com a importância que tem, o novo trabalho do museu – o projeto “Viva! Cultura Popular” – merece todo o destaque que lhe é devido. A primeira edição aconteceu em março e a próxima está prevista para dia 20 de abril.

A ideia inicial já era aproximar grupos representantes da cultura popular a alunos da rede escolar de Vassouras e região. Ficou melhor ainda apresentando essas novidades aos jovens sob a forma de oficinas. A proposta é organizar um encontro na terceira sexta-feira de cada mês, no qual dois grupos de diferentes tipos de manifestações folclóricas, como danças e jogos, se apresentam aos estudantes. Além das apresentações, os jovens são convidados a participar de oficinas nas quais os grupos falam sobre suas artes.

– O objetivo do projeto é, não só difundir essa cultura popular, mas também promover um intercâmbio entre os grupos de práticas diferentes que participam dos encontros – explica a educadora Cinthia Rocha, coordenadora do projeto.

Para o primeiro encontro, que aconteceu dia 16 de março, foram convidados os grupos Jongo Caxambu Renascer, de Vassouras, e Abadá Capoeira. Segundo a educadora, a primeira experiência foi muito válida, pois demonstrou o grande interesse que os jovens têm a respeito da cultura e da história da região.

– Recebemos uma turma de 30 alunos de uma escola da região, com idades entre 12 e 13 anos, para duas oficinas muito interessantes. Na realidade, cada uma foi um bate-papo em que os grupos falaram sobre as origens das danças, deram informações e responderam a perguntas dos estudantes – conta Cinthia.

Para evitar que os encontros sejam apenas encontros e matar aquele gostinho de quero mais que fica nos alunos, as escolas devem se comprometer a dar continuidade aos temas das oficinas em atividades realizadas no dia a dia.

– Assim, conseguimos que as crianças não só tenham contato com essas manifestações, mas continuem aprendendo sobre elas dentro do ambiente escolar – acrescenta.   

Faixa etária variada

Se na primeira edição, o contato com o jongo e com a capoeira foi satisfatório, a próxima promete repetir a dose. Desta vez, os estudantes conhecerão – ou aprenderão mais – sobre a caninha verde. Apesar de ter sido trazida ao Brasil pelos portugueses, essa modalidade de dança foi adaptada e ganhou estilos diversos, de acordo com a região do país. Para contar mais desta história e demonstrar a dança, o projeto convidou a Caninha Verde do Morro da Vaca. E, para uma segunda dose de capoeira, foi chamado o grupo Capoeira Arte Rasteira.

– Os grupos não são apenas convidados. Eles são participantes ativos, desde a elaboração do projeto e da programação. Ou seja, a participação deles nos encontros é a continuidade dessa parceria – ressalta a coordenadora do projeto.

O que a educadora Cinthia Rocha quer dizer é que ninguém foi escolhido ao acaso. A ideia de desenvolver um projeto com o objetivo de valorizar essa rica herança cultural deixada pela economia do café no período do Brasil Colônia – ainda tão visível na cidade de Vassouras – surgiu justamente da parceria que o museu Casa da Hera mantém com os representantes dessas manifestações. Capoeira, caninha verde, jongo, calango, folias de reis e quadrilhas são expressões culturais que atravessaram séculos, sendo ainda praticadas por grupos da região.

No encontro de maio participarão o Êta Calango e a Folia Mirim, de Vassouras; e em junho, não poderiam faltar as tradicionais quadrilhas. Segundo a coordenadora do projeto, o museu busca valorizar essas atividades, promovendo sempre, na casa, apresentações do tipo. Com a programação mais do que diversificada, a idade dos estudantes que participam também não será fixa.

– A faixa etária pode variar muito, dependendo do grupo de cultura popular convidado, ou seja, depende da faixa que o museu deseja atingir com o encontro. Na oficina de quadrilhas, por exemplo, podemos receber alunos de educação infantil, na casa dos oito anos – cita a coordenadora do projeto.

Cinthia explica que as instituições de ensino que quiserem participar do projeto devem entrar em contato com o museu por telefone ou e-mail. Particular ou pública, para ela, é importante que a escola demonstre interesse em passar para os estudantes um conhecimento sobre os temas das oficinas.

– Damos sempre prioridade para escolas da região de Vassouras, mas qualquer uma que manifestar o desejo pode participar – ressalta.

O projeto Viva! Cultura Popular também tem o apoio das Secretarias Municipais de Educação e de Turismo e Cultura. O Museu Casa da Hera está sob a direção de Daniele de Sá.

Serviço

As escolas da região que desejarem participar do projeto Viva! Cultura Popular devem entrar em contato com o Museu Casa da Hera pelos telefones: (24) 2471-2930 e 2471-2961 ou ainda pelo e-mail: casadahera@museus.gov.br. O museu fica na Rua Dr. Fernandes Júnior, nº 160, Centro, Vassouras. Informações sobre os projetos e programação da casa: www.casadahera.wordpress.com.

 
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