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Junção de arte e consciência
Publicado em 14/04/2012, às 09h52
 
Última atualização em 14/04/2012, às 09h52

 

 

Banda Inabitual produziu um álbum com requintes de consciência política
Tamires Cabral

"O homem coletivo sente necessidade de lutar". Inspirados pela frase de Chico Science, os integrantes da banda voltarredondense, Inabitual, produziram um álbum com requintes de consciência política. Intitulado "Homem Coletivo" o disco independente que está prestes a sair do forno é, segundo os integrantes da banda, um trabalho sobre a importância da ação coletiva na sociedade. Partindo do princípio de que grandes conquistas foram realizadas através do coletivo e acreditando que não é possível alcançar o sucesso sozinho, a banda, que completará oito anos de estrada em 2012, tenta transmitir através do rock essa qualidade que parece estar se perdendo na sociedade.

- Quando estamos crescendo e aprendendo, percebemos que o ser humano se forma através do outro. Observamos as diferenças e nos moldamos. E o homem coletivo é exatamente isso, traz essa questão do ser humano trabalhar em conjunto, que é algo que estamos perdendo com o tempo. Fala sobre perceber que o outro tem os mesmos problemas e procurar um jeito de melhorar isso - explica Jefferson Estevão, o Jeffei, baterista e um dos compositores da banda. Para ele, atualmente as pessoas acham cada vez mais difícil conviver com as diferenças, transformando a singularidade em motivo para agredir ou tirar a vida de alguém.

- Viver com a diferença é o que faz você se tornar um ser humano melhor - frisa o músico.

E ao longo das sete músicas do disco essa ideia é firmada. Tendo como carro chefe a canção "Termine", a banda fala do sacrifício do povo que trabalha e mesmo com as mãos calejadas, segue em frente. Com o refrão: "Respire para continuar, pense e faça, torne a história triste em um futuro mais tranquilo", a composição é um incentivo a não perder as esperanças.

- Ela fala do povo que se mantém no sacrifício, mas é uma letra bem para cima. Trabalha realmente com a questão desse mundo em que tempo é dinheiro e que nos deixa cansados e às vezes com vontade de desistir. Essa música nos diz respira, vai com calma que você vai conseguir - acrescenta.

Jefferson ainda destaca a canção "Discórdia", música que retrata a visão do sertão brasileiro, a exclusão de seu povo e o fato de só ser lembrado em período de eleições.

- Ela fala desse abandono. Vivemos aqui, mas pouco sabemos do que acontece no país. As coisas ficam muito jogadas. Ocorrem as decisões em Brasília e nos damos por satisfeitos, às vezes até reclamamos, mas deixamos do jeito que está - comenta.

"Sórdidas intensões" é outra música que se sobressai. Fala da questão da falta de reconhecimento mutuo entre os seres humanos, e da visão de uma situação de fragilidade social - como pessoas morrendo em filas de hospitais e ataques a moradores de rua -, como algo normal.

Produção

O trabalho coletivo não marca apenas as composições do álbum. Para sua produção, a banda se uniu e arregaçou as mangas objetivando a verba necessária para a gravação de maneira independente.

- Em 2011 tiramos o ano por conta do CD e quando tivemos essa decisão, não tínhamos um centavo para custear a produção do que seria em um estúdio fora. Para juntar dinheiro decidimos trabalhar. Distribuímos panfletos e até seguramos placas no sinal de trânsito.
Chegamos a trabalhar de 8h da manhã até às 17h no sol para conseguir o dinheiro - conta.

O músico acrescenta que sua única apresentação no ano passado foi na abertura do show da banda Forfun, para a qual a banda foi escolhida através de votação do público. Foram mais de mil votos.

Este ano a banda voltou a se apresentar tendo participado na edição 2012 do festival Grito Rock Volta Redonda, e de acordo com Jeffei, já estão com outros shows marcados pela região.

- Com CD nas mãos sabemos que algumas portas podem se abrir mais facilmente - acredita. Parte da gravação pode ser conferida em vídeo no Youtube.

Trajetória

A vontade de viver de música e ser músico é algo que todos da banda têm desde pequenos. E foi por esse sonho que o vocalista Eduardo Henrique, o guitarrista Duílio Ferronatto, o baixista Jhon Cruz e o baterista Jeffei se uniram influenciados por Legião Urbana, Rage Against the Machine e System of a Down.

- Aconteceu de eu conhecer o vocalista da banda, o Eduardo. Conversamos sobre essa vontade de trabalhar com música e ele já tinha uma banda até. Foi ai que eu o convidei para bolarmos alguma coisa juntos, e então ele chamou o baixista e depois arrumou o guitarrista, começamos a trabalhar e foram surgindo as primeiras músicas. Atualmente podemos fazer um show apenas com músicas compostas pela banda - comenta Jeffei.

A banda, que está prestes a completar oito anos de estrada, já realizou shows pela região, no Rio de Janeiro e interior de São Paulo.

Quando questionado sobre o estilo da banda, o baterista explica que é difícil classificar, pois o rock acabou se tornando o produto final de uma série de experimentações.

- Na verdade a banda é influenciada por um monte de coisas diferentes, apesar de fazermos rock, que é o produto final, antes de chegarmos nesse produto, a galera já ouviu um pouco de samba, rap, percussão e maracatu e acabou fluindo no rock. Acredito que tocamos mais esse estilo por combinar mais com as nossas letras que são um pouco ativistas. Não vou dizer protesto, pois acredito que classificar assim é assumir um papel muito grandioso, mas talvez o rock se encaixe um pouco mais nessa questão - contou, afirmando que isso não os impede de tocar samba ou qualquer outro estilo de música.
- Costumamos dizer que somos uma banda de música. Fazemos música do jeito que ela vier, do jeito que ela fluir faremos - frisa.

Serviço

Músicas e outros materiais da banda podem ser encontrados através do perfil da Inabitual no Myspace, na Fan Page do Facebook, Twitter e Youtube.

 

 

 
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