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As meninas eletrônicas e os veteranos do britpop
Publicado em 07/08/2012, às 07h57
 
Última atualização em 07/08/2012, às 07h57

As moças e os rapazes: Maria Minerva e Grimes são a nova cara da música eletrônica; ingleses do Blur voltam ao combate

Júlio Black
julio.black@diariodovale.com.br

Júlio BlackAs mulheres sempre tiveram vez no vasto mundo da música eletrônica, mas quase sempre apenas emprestando suas vozes para os mais diversos projetos, dos bons aos descaradamente picaretas que inundam as FMs da vida. Seja para viajar ou dançar, do pop à alucinação extrema, quem costuma mandar no terreiro eletrônico são nomes como Daft Punk, Chemical Brothers, Skrillex, The Orb, Aphex Twin, Prodigy, Orbital, Fatboy Slim e Banco de Gaia, entre tantos outros.

Casos como o da islandesa Björk, a deusa que veio do gelo, e da desbocada canadense Peaches são a exceção da regra. As gurias, porém, estão a fim de inverter o jogo, e estão mostrando qualidade para isso. Entre os novos nomes do cenário, dois se destacam logo à primeira audição: a também canadense Grimes e a estoniana Maria Minerva.

Batizada como Maria Juur em 1988, em Talin, capital da Estônia, Maria Minerva pode ter o seu som definido como um Cocteau Twins fantasmagórico, a trilha sonora de uma terra em que a névoa está presente 24 horas por dia, sete dias por semana, em todos os lugares - até mesmo nos ouvidos. Basta procurar na internet por dois de seus álbuns, "Cabaret Cixous" e "Tallin at Down" (pela Not Not Fun Records), para se deixar levar pelas brumas de músicas como "HopHop Gone in Spring" e "Soo High".

Mas nem só de sons vindos do além é feito o estranho mundo de Minerva: quem ouvir "Disko Bliss" e "Noble Savage", do EP "Noble Savage" (100% Silk), terá uma ideia de como seria a disco music se ela surgisse no século XXI. Muito estranha, soturna, mas ainda assim feita para mexer o corpo. Segundo ela, o mosaico sonoro é fruto das suas próprias experiências musicais e dos discos que o pai tinha em casa.

E, como é comum nos dias hoje, a estudante de História da Arte - atualmente com os dois pés em Londres - produz suas músicas no próprio quarto. Um verdadeiro "do it yourself digital", utilizando computadores e equipamentos analógicos, que terá nova cria em setembro, quando será lançado o novo disco da estoniana, "Will Happiness Find Me?".

Oh, Canadá

O nome da moça é Claire Boucher, mas pode chamá-la de Grimes. Com os mesmos 24 anos de Maria Minerva, a nativa de Vancouver lançou seu primeiro trabalho, "Geidi Primes", em 2010 (inicialmente, apenas em fita cassete); já no ano passado foi a vez de "Halfaxa", que acabou um rendendo um convite para se juntar ao cast da lendária gravadora inglesa 4AD, que lançou discos de gente boa como Dead Can Dance, Cocteau Twins e Pixies. Foi por lá que a moça lançou este ano "Visions", que pode ser encontrado nas lojas brasileiras - com um pouco de sorte, claro.

E o sortudo da vez terá a certeza de que não gastou suas Dilmas em vão: "Vision" é uma bela coleção de canções pop emolduradas por batidas eletrônicas retrô - mas sem nenhum ranço saudosista dos finados anos 80. São camadas de teclados, beats e efeitos que permitem novas descobertas a cada audição, como pode ser conferido em "Circumambient". Música pop do (não tão) novo século para dançar e ser feliz sem a menor culpa.

O Blur voltou!

E uma das bandas mais emblemáticas do britpop está de volta à ativa: depois de um longo hiato (nove anos, período em que os fãs dos ingleses foram contemplados com apenas uma canção solitária), o Blur lançou há pouco tempo o single "Under the West Way", que tem a faixa-título e "The Puritan". Com o guitarrista Graham Coxon empunhando novamente seu instrumento, o grupo já confirmou que em breve o mundo poderá ouvir um novo álbum dos londrinos - o primeiro desde "Think Tank", de 2003.

Já que o momento é de celebração, o Blur está escalado para tocar no encerramento dos Jogos Olímpicos, no próximo domingo, e preparou um verdadeiro objeto do desejo para seus seguidores: a caixa "21", que conta com todos os sete álbuns da banda remasterizados, com direito a faixas bônus, mais CDs repletos de raridades e DVDs com apresentações do grupo.

Se o investimento vale a pena? O fã mais xiita provavelmente condenaria o distinto leitor a receber 100 chibatadas pela "heresia" de ainda fazer a pergunta. Formado em 1989 - ainda batizados como Seymour - por Damon Albarn (vocais), Graham Coxon, Alex James (baixo) e Dave Rowntree (bateria), o Blur poderia ser apenas mais uma banda shoegazer a seguir os passos do Stone Roses e Inspiral Carpets, como fica explícito em seu disco de estreia, "Leisure", de 1991.

Insatisfeitos com o que saía pelas caixas de som, eles resolveram que era hora de dar personalidade à banda, buscando na sonoridade dos anos 60 e no jeito inglês de ser a alma que ainda faltava ao quarteto. Se "Modern Life is a Rubbish" pode ser considerado um "estudo de cores", "Parklife", de 1994 é o auge do britpop em todos os seus tons, ângulos, luminosidade e perspectiva: primeiro lugar na parada inglesa, mais de um milhão de cópias vendidas na Inglaterra e prêmios de banda, disco, single e vídeo no Brit Awards, o Grammy britânico, batendo "Definitely Maybe", do Oasis, transformado em arquirrival do Blur pela imprensa ávida por um embate "Beatles vs. Stones".

Depois do sucesso de "Parklife" o Blur continuou gravando outros discos mantendo a excelência de sempre, com músicas que ora mantinham o espírito inglês ("The Universal"), ora enveredavam pelo rock alternativo ianque ("Song 2") - e até mesmo o gospel ("Tender"). E sem esquecermos o sensacional videoclipe de "Coffee & TV".

Se Demon Albarn manteve uma carreira à margem do Blur com trabalhos de qualidade tanto com o Gorillaz quanto com o The Good, The Bad and The Queen - assim como Grahan Coxon se saiu bem com seus álbuns solo -, resta esperar que essas férias mais que prolongadas façam com que os quatro rapazes retornem com ânimo renovado.

Sei lá, mil coisas

O que ver no YouTube? "Abstrai", do Autoramas

 

 
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