Rio-Sul Fluminense
A Secretaria de Cultura, através do Instituto Estadual do Patrimônio
Cultural (Inepac) e o Instituto Light, em parceira com o Instituto Cultural
Cidade Viva, lançam, nesta segunda-feira (9), no Centro Cultural Light, no Rio
de Janeiro, o Inventário das Fazendas de Café do Vale do Paraíba Fluminense
2008-2009. As informações são da secretaria de Comunicação do Estado. O evento
acontece das 18h às 20h.
Este rico material, fruto de intensa pesquisa, cuja primeira fase foi
concluída em 2008, com 88 fazendas inventariadas, conta, a partir de agora, com
a ficha completa de mais 94 propriedades históricas, remanescentes das antigas
unidades cafeeiras que povoaram o Vale do Paraíba Fluminense.
Trata-se de um dossiê com a descrição arquitetônica de cada uma das
fazendas, através de textos, plantas e fotos, o registro de sua localização
geográfica e o histórico das famílias a elas associadas. Inclui, ainda, textos
que contextualizam, tanto no passado como no presente, a realidade histórica
daquela região. Todo o material produzido, das Fichas de Inventário ao Manual
de Conservação Preventiva, passando por referências bibliográficas,
iconográficas e arquivísticas, está disponível nos sites
www.light.com.br/institulolight e www.instututocidadeviva.org.br/inventarios.
Além de seis novos textos autorais, outra novidade nesta segunda etapa,
concluída em outubro de 2009, é a produção de três mapas digitais (reproduzidos
em papel), com a localização das fazendas inventariadas em ambas as fases, em
bases cartográficas com linguagens diferenciadas: mapa histórico (séc. XIX),
IBGE (séc. XX) e imagem satélite do Google Earth (séc. XXI).
Com base neste inventário será possível a elaboração de programas, planos e
projetos específicos para a restauração desse acervo arquitetônico. O resultado
deste trabalho permitirá também aos governos em todas as instâncias,
pesquisadores, professores, alunos, moradores e aos profissionais de
planejamento traçarem planos embasados de desenvolvimento e crescimento desta
importante região do Estado do Rio de Janeiro, com enorme vocação para o
turismo cultural.
Potência econômica
Uma das maiores potências econômicas do país durante o Ciclo do Café, a
região do Vale do Paraíba contribuiu para a consolidação da hegemonia do
Sudeste brasileiro, abriu espaço para a industrialização no país e reforçou o
crescimento e a modernização da cidade do Rio de Janeiro nos seus papéis de
capital do país e de polo econômico.
O turismo cultural tem sido visto por antigos e novos donos de fazendas
históricas - preocupados com a sustentabilidade de suas propriedades - como uma
alternativa ao esvaziamento socioeconômico ocorrido após a fase áurea do
plantio do café.
- Acreditamos que este inventário será um instrumento de apoio ao
desenvolvimento e ressurgimento dessa região - diz Mozart Vitor Serra - diretor
do Instituto Light.
Metodologia
Numa primeira etapa, sob coordenação técnica da arquiteta Dina Lerner, do
Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, foram priorizados como fontes de
pesquisa os inventários arquitetônicos pertencentes ao arquivo do Inepac,
executados no final da década de 1970, e o material produzido no projeto dos
Caminhos Singulares do Café no Vale do Paraíba, em 2003/2004.
Foi relacionado, preliminarmente, um total de 170 bens imóveis
representativos da arquitetura rural no Vale, distribuídos nos municípios da
região. O objetivo era contemplar 22 cidades, divididas em 4 áreas: Área I
(Resende, Itatiaia, Quatis, Barra Mansa, Porto Real, Volta Redonda e Rio Claro);
Área II (Piraí, Pinheiral, Barra do Piraí, Mendes, Vassouras, Engenheiro Paulo
de Frontin, Miguel Pereira e Paty do Alferes); Área III (Valença e Rio das
Flores); Área IV (Paraíba do Sul, Comendador Levy Gasparian, Três Rios, Areal e
Sapucaia).
Para o trabalho de campo, foram constituídas cinco equipes, envolvendo 20
profissionais, entre arquitetos, historiadores, estudantes e desenhistas
(cadistas). Profissionais e pesquisadores locais, bem como de instituições
educacionais e culturais que se dedicam ao estudo e à preservação do patrimônio
histórico da região também participaram do projeto.
Coordenaram e acompanharam o trabalho em campo o arquiteto Raymundo
Rodrigues, especialista na área de preservação, conservação e restauro de
edifícios e estruturas históricas, e o sociólogo Adriano Novaes, pesquisador
com conhecimento e estudos voltados para formação histórica, socioeconômica e
cultural da região do vale do Paraíba Fluminense.
Foram realizadas, no período de três meses, mais de 200 visitas a antigas
fazendas de café e preenchidas 100 fichas de inventário, de acordo com o modelo
desenhado para o projeto. Paralelamente aos trabalhos de campo, houve a
pesquisa documental nos aspectos relacionados ao histórico arquitetônico e à
cronologia construtiva das fazendas, genealogia de seus proprietários, etc. Também
foram feitas pesquisas nos acervos do Museu da Imagem e do Som, Inepac,
Instituto Moreira Salles, na Fundação Biblioteca Nacional, no Arquivo Central
do Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e no Arquivo
Nacional.
Finalmente, elaborou-se o guia Conservação Preventiva e Preservação
Arquitetônica, que incorpora o saber existente sobre restauração arquitetônica
referente às construções do Ciclo do Café.
No fim do ano de 2008 foi iniciada a segunda etapa do Inventário, que fez o
levantamento de mais 94 fazendas históricas. Além dos municípios cobertos na
primeira fase, o Projeto se estendeu aos municípios de São José do Rio Preto,
Petrópolis, Miracema e Itaperuna, criando a área VI. O levantamento foi feito
com a mesma metodologia da primeira fase, com algumas pequenas alterações. A
novidade nesta fase foi a reprodução de mapas dos séc. XIX e XX, recuperados do
Arquivo Nacional e cópias do inventario em formato digital.