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População recorda tragédia de 1967
Publicado em 16/1/2011, às 21h42
 
Última atualização em 16/1/2011, às 21h42

Volta Redonda

Diversos moradores da região recordam detalhes da tragédia ocorrida na Serra das Araras em janeiro de 1967, que o DIÁRIO DO VALE lembrou na edição de sábado (15). Alguns se lembraram de narrativas de parentes ou amigos. Outros tiveram participação direta no caso, ocorrido há 44 anos.

O professor João Bosco, de 60 anos, que leciona na Fevre (Fundação Educacional de Volta Redonda), se recorda da tragédia porque tinha um primo chamado Firmino, que na época era soldado do Exército e foi chamado para participar do resgate das vítimas. Segundo o professor, Firmino sempre comentava sobre o incidente na Serra das Araras.
O professor também comentou sobre um amigo que é professor da Fevre e que, como o seu primo, serviu na época da tragédia.

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- Trabalho com o professor João Paulo na Fevre e sempre escutei dele histórias sobre a tragédia ocorrida na Serra das Araras. Na época do incidente, o João Paulo servia no batalhão de carros de combate de Valença e sempre me contava que muita gente morreu soterrada em consequência das chuvas e desabamentos, e disse que, quando trabalhou na equipe de resgate, tinha que tomar injeção todos os dias para não ser contaminado - lembra João Bosco.

Celeste Nunes Amorim, de 55 anos, moradora do bairro Santa Clara, em Barra Mansa, se lembrou do pai ao ler a notícias sobre a tragédia. Ele por pouco não morreu no deslizamento de terra, ocorrido quando ela tinha 12 anos.

- Na época da tragédia, o meu pai trabalhava como motorista na construtora Metropolitana, que prestava serviço na Serra das Araras, mas no dia do acidente ele estava de licença por causa do nascimento do meu irmão. Com o deslizamento, a empresa foi toda destruída e o meu pai perdeu muitos amigos soterrados. O que o salvou foi ele ter viajado para Barra Mansa para visitar o meu irmão recém-nascido. Mas o destino fez com que o meu pai arranjasse um outro emprego na empresa Camargo Corrêa, onde foi trabalhar na reconstrução da estrada destruída na Serra das Araras - lembra.

Para Oristea Alves Viana, o incidente lembra sua mãe, já falecida, que sempre contava sobre a tragédia para ela.
- Nós morávamos em Caiçaras na época do temporal e a casa era muito grande e existe até hoje. E apesar de não me recordar direito, pois tinha apenas dois anos, a minha mãe comentava que a nossa casa não tinha sido atingida, mas mesmo assim ela presenciou muito sofrimento dos vizinhos e pessoas que moravam mais abaixo de nossa casa. Ela contava que tirou muito caco de vidro dos olhos e da boca das pessoas e que alojou várias pessoas que tinham perdido tudo. Ela também comentava que foi uma catástrofe gigantesca, com uma grande quantidade de vítimas e que alguns corpos nem foram encontrados tamanha foi a destruição do local. Graças a Deus a minha família não foi atingida, mas perdemos muitos amigos - lamenta.

Quem era criança na época e também se recorda desta tragédia através da história de seus pais é a professora Rosangela Pereira Lima Nogueira, que quando ocorreu o acidente morava em Ribeirão das Lajes (estrada Rio-São Paulo).

- Meus pais contaram que foi uma tragédia, que viam corpos flutuando na lama e que amigos e vizinhos morreram agarrados em galhos de árvores. Eles ouviram muitos gritos de desespero. A nossa casa ficou ilhada. Eu tinha apenas um ano e meu pai me colocou enrolada num cobertor em cima do guarda-roupa, pois a água invadiu nossa casa, levando tudo.

Recorde o caso

Uma das maiores tragédias registradas no Brasil ocorreu na Serra das Araras em janeiro de 1967. Depois de um temporal que foi 16 vezes mais intenso do que o que atingiu Teresópolis há poucos dias, as encostas da Serra das Araras praticamente se dissolveram em um diâmetro de 30 quilômetros.

Rios de lama desceram a serra levando abaixo ônibus, caminhões e carros. A maioria dos veículos jamais foi encontrada. Uma ponte foi carregada pela avalanche. A Via Dutra ficou interditada por mais de três meses, nos dois sentidos.

Cerca de 1.400 corpos nunca puderam ser resgatados e uma cruz de cerca de 10 metros de altura marca o lugar onde eles estão soterrados. Junto com os 300 corpos resgatados, o número de vítimas fatais chega a 1.700, mais que o dobro das 630 registradas até ontem na Região Serrana.

A pouca cobertura da Imprensa na época fez com que a tragédia ficasse quase esquecida  e deixasse de ser mencionada na mídia, no noticiário sobre o desastre que atingiu a Região Serrana do Estado do Rio.

 

 

 
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Maior tragédia do Brasil foi na Serra das Araras
 
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