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Mártir da Inconfidência Mineira possui descendentes na região
Publicado em 12/2/2011, às 17h50
 
Última atualização em 12/2/2011, às 17h50

Márcio descobriu ser descendente de Tiradentes graças a livro escrito por parente em Minas

Volta Redonda

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, é até hoje reconhecido como o principal nome da Inconfidência Mineira, movimento surgido no final do século XVIII que ambicionava a independência do Brasil perante a corte portuguesa. Ao ser executado em 21 de abril de 1792 por assumir, sozinho, toda a responsabilidade do levante separatista, o militar (que se tornou patrono de todas as corporações da Polícia Militar do país), minerador, comerciante e dentista (de onde veio seu apelido) transformou-se em um dos principais nomes da História do Brasil, sendo considerado herói nacional e patrono cívico da nação.

Com a memória do movimento passando praticamente um século sob ostracismo, o nome de Tiradentes foi reabilitado a partir da proclamação da República, quando os líderes que derrubaram a monarquia passaram a usar Tiradentes como exemplo da identidade republicana que os ideólogos positivistas pretendiam dar ao novo regime. Se hoje o inconfidente consta no Livro de Aço dos Panteões da Pátria e Liberdade, parte da sua vida privada ainda é fruto de especulações, principalmente no que diz respeito à sua descendência.

Descendência essa que pode ser encontrada no Sul Fluminense - mais especificamente em Volta Redonda, onde vive o engenheiro aposentado Márcio Antônio Menezes (de 62 anos e nascido na região) e mais outros 14 parentes com ligação com Tiradentes. Se o alferes teve apenas uma filha com sua mulher - e que faleceu ainda criança -, o livro "Troncos Coloniais Mineiros", de Fenelon Ribeiro, lista todos os descendentes que o mineiro teve com outras mulheres da época. E entre elas está Eugênia Francisca da Silva, mãe de João de Almeida Beltrão - que teve o sobrenome paterno retirado após a morte de Tiradentes por medo de represálias. João teve nada menos que 25 filhos, dos quais sete sobreviveram: entre eles estava Belchior, pai de Carolina, que - ao casar-se com o espanhol Sancho de Medeiros Menezes - deu continuidade à linhagem que chegou até Márcio.

Descoberta apenas na idade adulta

O aposentado, entretanto, só foi saber de sua ascendência notória quando adulto.

- Só fui saber dessa ligação com mais de vinte anos de idade, quando um parente nosso de Minas escreveu para meu pai solicitando a lista de parentes para um livro que estava escrevendo sobre a árvore genealógica de Tiradentes. Nem mesmo meu pai sabia - revelou o tataraneto do inconfidente.

Como o sobrenome não resistiu ao passar dos séculos, Márcio disse que a descoberta não influiu em nada para a família, e que ele mesmo não tem o costume de revelar aos conhecidos sua ascendência. No máximo, o que faz é contar a história de Tiradentes aos seus filhos e, atualmente, para sua neta.

- Senti contentamento por saber que era descendente de um mártir da liberdade, meu ancestral, mas nunca contei vantagem por causa disso - esclarece.

Ele revela, porém, que praticamente tudo que sabe sobre seu antepassado foi aprendida na sala de aula.

- Não procurei me informar mais, fiquei apenas com o que se ensinava na escola, em que se dizia que ele era o Herói da Inconfidência, mas visto como bandido pela corte portuguesa. Nunca fui à terra natal dele (Tiradentes nasceu na Fazenda do Pombal, atualmente pertencente ao município mineiro de Ritápolis), mas gostaria de ir lá um dia - afirmou.

Segundo Márcio, não existem registros oficiais da descendência de Tiradentes, mas que estas são creditas por uma "tradição bicentenária".

- O que se sabe é que ele teve diversos filhos "por fora", e não tenho idéia se um exame de DNA seria possível - disse.

Indenização foi aprovada nos anos 90

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou, em 1996, lei apresentada durante o governo de seu antecessor, Itamar Franco, que prevê indenização para os descendentes de Tiradentes. Uma das tetranetas do inconfidente, Lúcia de Oliveira Menezes, recebe desde 2008 - após vencer no STF (Supremo Tribunal Federal) uma longa batalha contra o INSS - indenização no valor de R$ 215, e que ela espera ver aumentada para R$ 727 devido aos reajustes ocorridos nos últimos quinze anos (quando aprovada, a lei previa pagamento no valor de 200 reais). Duas de suas irmãs, Carolina e Belita, também estavam para entrar com recurso para receberem o benefício.

Márcio, porém, desconhecia a existência da lei e muito menos que já havia descendentes como ele recebendo um valor indenizatório.

- Não sabia disso [a indenização], mas se tiver direito vou ver o que pode ser feito - afirmou.

 
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