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Angélica Arieira
Volta Redonda
Há muito percebe-se que as mulheres estão ganhando cada vez mais representatividade no mercado de trabalho, mas em Volta Redonda e região o aquecimento do mercado tem acelerado a entrada do outrora "sexo frágil" em ramos quase que estritamente masculinos até poucos anos atrás. Um exemplo claro deste avanço da mão de obra feminina pode ser visto em setores como a limpeza urbana e a coleta de lixo.
Recentemente, a Secretaria de Serviços Públicos de Volta Redonda abriu seleção para contratação imediata de 200 trabalhadores para o Mutirão da Limpeza e, para surpresa da prefeitura, 60% da procura para o cargo de servente foi de mulheres.
De acordo com o prefeito Antônio Francisco Neto (PMDB), as vagas sempre foram abertas sem distinção de sexo, mas a procura era geralmente feita por homens. No entanto, pelo fato de a construção civil ser uma empregadora de grande atração financeira para eles (homens), no mercado regional houve uma debandada de trabalhadores do sexo masculino para o segmento, o que deixou escassa outras áreas de atuação - entre elas a de limpeza urbana.
- Nos surpreendemos com a procura, mas ficamos contentes. Afinal, hoje seria injusto priorizar serviços somente para um sexo. As mulheres são responsáveis muitas vezes pelo sustento da família. É por isso que estamos investindo na capacitação de homens e mulheres. Com essa procura maior entre elas, fica evidente que nossa atuação era necessária - afirmou.
Segundo especialistas, há mais vagas no setor de limpeza que pessoas interessadas e, diante da procura de mulheres pelo trabalho, o déficit na cidade por trabalhadores vem diminuindo.
- Como hoje muitas das famílias são baseadas na liderança feminina, as mulheres estão tendo que trabalhar onde existem as vagas, e como os segmentos de serviços é um dos que mais empregam vemos uma crescente movimentação delas em serviços de todos os tipos. Elas em nada têm deixado a desejar - explicou o secretário de Desenvolvimento Econômico de Volta Redonda, Jessé de Holanda Júnior.
Ainda segundo o secretário, as empresas já têm uma percepção diferente sofre a atuação das mulheres, e muitas até sugerem a contratação delas para tarefas mais minuciosas como a soldagem, por exemplo.
Total de mulheres na limpeza urbana chega a 30%
Se a entrada do público feminino é recente no Sul Fluminense, isso não significa que elas ainda sejam poucas a trabalhar: conforme informou o secretário geral do Siacom (Sindicato dos Empregados nas Empresas de Asseio do Sul Fluminense), Marcos Antônio Machado, a prática de contratação de mulheres pelas empresas de limpeza pública não só tem aumentado como já se expandiu pela região. Hoje, segundo ele, elas já representam 30% do montante dos trabalhadores na área de limpeza urbana.
- A contratação de mulheres para coleta de lixo, capina e limpeza urbana começou em Volta Redonda, mas logo Barra Mansa também seguiu o exemplo. Há oito meses tínhamos uma mão de obra escassa; hoje, mesmo com um número ainda não suficiente de trabalhadores, as mulheres têm ajudado a preencher as vagas no mercado - afirmou.
Trabalhadoras dizem que dão conta do serviço e superam a expectativa dos patrões
Formada, em sua maioria, por jovens e mães solteiras, as mais de 100 mulheres contratadas pela Secretaria de Serviços Públicos para o Mutirão da Limpeza estavam na última semana realizando a limpeza e a capina do Cemitério Municipal de Volta Redonda e, mesmo diante de perigos como escorpiões, cobras e aranhas, o grupo se mostrava animado com o serviço.
Esse foi o caso de Tuyane dos Santos de Paula, de 18 anos. Ela ainda está estudando, mas por conta da falta de experiência não conseguia arrumar um trabalho em outro setor, e por isso não hesitou em se inscrever quando ficou sabendo do processo de seleção.
- Eu queria trabalhar, mas não me davam oportunidade. Quando vi a seleção me inscrevi. È um trabalho pesado, mas eu aguento. Agora o que não faltou foi gente para criticar. Mãe, pai e namorado falavam que eu não agüentaria, e agora estamos aqui, dando show - afirmou ela.
Este também era o pensamento de Cristiele Ribeiro, de 21 anos. Ela - que é mãe de três filhos e responsável pela casa - conta que não teve em nenhum momento vontade de desistir, e que muitas mulheres persistiram na tarefa enquanto os homens desistiram.
- Esta história de que mulher é sexo frágil aqui não funcionou. Somos a maioria e muitos deles desistiram. Temos que tocar nossa família e essa é nossa motivação - afirmou.
Já Maria Izabel da Rocha Batista, que era uma das mais velhas do grupo (com 35 anos), falou que sua motivação surgiu da vontade de trabalhar. Ela estava há seis anos desempregada e não conseguia uma oportunidade.
- Em casa lavamos roupa, damos faxina, viramos noite tomando conta dos filhos. A capina não é nada perto disso. Estou muito contente e disposição é o que não me falta. Ponho muito homem aqui no chinelo - garantiu.
Quem está gostando desta disposição feminina são os supervisores dos grupos. José Barbosa, que é um dos encarregados das mulheres nas atividades de capina, foi só elogio às moças.
- Elas são fortes, caprichosas e bem mais animadas. Não deixam a desejar em nada. Estamos satisfeitos, e para mim foi surpreendente essa força de vontade - disse ele.