
Talita Ribeiro
Sul Fluminense
O período de chuvas tem início no mês de novembro e se estende até o final de março. No decorrer deste destes meses a Defesa Civil permanece em estado de alerta. Os coordenadores dos órgãos das cidades do Sul Fluminense são unânimes em afirmar que, com as modificações climáticas, os eventos da natureza são mais severos. Porém, algumas questões são primordiais para evitar as tragédias: a capacitação do corpo operacional da Defesa Civil e o investimento em equipamentos; a atuação do poder municipal no que diz respeito à recuperação de áreas degradadas e o controle das áreas de risco e a participação da população.
Em Volta Redonda, o major Rodrigo Ibiapina (coordenador da Defesa Civil da cidade) destacou que investiu um milhão de reais em 2010 e mais 650 mil este ano em equipamentos para o órgão, entre eles uma nova embarcação para monitoramento da calha do rio e salvamento e um caminhão tático operacional para locais que necessitam da permanência da DC no local. Devem completar o quadro de aparelhamento do órgão, em breve, a instalação de duas estações meteorológicas e um caminhão com guincho e cesto aéreo, utilizado para a remoção de troncos ou objetos pesados e para a manutenção das câmeras pelo Ciosp (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública).
- Os recursos para a modernização da Defesa Civil são imprescindíveis. Em Volta Redonda, o órgão está sendo capacitado tanto no que diz respeito aos recursos humanos quanto o maquinário. Os prefeitos precisam estar cientes da importância de manter um quadro de funcionários efetivo. O prefeito de Volta Redonda (Antônio Francisco Neto, do PMDB) reconheceu isso, e hoje temos 22 integrantes no corpo operacional e equipamentos que permitem oferecer um trabalho de qualidade para a população - ressaltou.
No decorrer do ano ação desenvolvidas operações rotineiras, como a vistoria de imóveis, marquises e áreas consideradas mais complicadas. Também são observadas todos itens do Plano de Contingência para problemas de ordem hídrica, geológica, humana e química que possam ocorrer. Para o major, a integração de todos os órgãos de segurança pública foi primordial para os atendimentos.
- As pessoas que necessitam de ajuda ligam para o Ciosp, de onde se pode acionar mais de um órgão - disse.
Em Resende
A região turística da Serra da Mantiqueira tem se mobilizado para evitar transtornos com o período de chuvas. Segundo o coordenador da Defesa Civil de Resende, Marco Antônio de Resende Passos, foi efetivado na última semana um consórcio entre o município e as cidades de Itatiaia e Bocaina de Minas (MG), para a implantação de um plano de emergência conjunto.
Conforme destacou o coordenador, a prefeitura de Resende investiu 60 mil reais em equipamentos para o órgão. A cidade também recebeu a instalação de uma estação meteorológica e, segundo Passos, a expectativa é que outro aparelho seja adquirido.
A preocupação no município é que as enchentes ocorridas no rio Sesmaria, nos meses de maio e dezembro do ano passado, não se repitam. De acordo com Marco Antônio, a prefeitura solicitou ao governo federal recursos para recuperar as áreas degradadas. A empresa vencedora do processo de licitação desistiu de fazer a obra e foi necessário realizar um novo processo licitatório, previsto para o início do mês de outubro.
- Foram solicitados 21 milhões de rais, mas recebemos cinco [milhões] - declarou.
De acordo com o secretário, o governo municipal investiu recursos próprios nas obras de reparo, retirada de lama e limpeza da cabeceira dos rios.
Ele afirmou, ainda, que a população residente na proximidade dos rios foi catalogada pela Defesa Civil. A ideia é emitir um sinal de alerta para diminuir os efeitos destrutivos das águas. Segundo o coordenador, a falta de um instituto de hidrologia dificulta o trabalho de prevenção.
- Quando chove muito em São José do Barbeiro, na nascente do rio Sesmaria, somos avisados pela Defesa Civil da cidade. A partir do momento do alerta, temos de duas a três horas antes que Resende sofra com o alagamento - disse.
Depois de recebido o sinal de alerta, as comunidades em locais críticos são avisadas e removidas do local.
- O bairro Ipiranga foi o mais castigado durante as últimas inundações. Estamos atuando para que a própria população esteja envolvida no trabalho de prevenção - afirmou.
Conforme destacou Marco Antônio, não é possível recuperar toda a área degradada, principalmente porque a verba necessária para execução do trabalho não foi disponibilizada integralmente. Mesmo assim, a dragagem do rio contribuirá para reduzir o impacto da natureza e diminuir os transtornos e prejuízos da população.
No início de 2011 a Prefeitura de Resende efetivou um convênio com o DRM (Departamento de Recursos Minerais do Rio de Janeiro), que contratou uma empresa para mapear a cidade. O objetivo do estudo foi identificar os riscos geológicos e de deslizamentos. Segundo Resende, o contrato foi cancelado antes do término do trabalho.
- Receberemos o resultado das analises em outubro. Paralelo a isto, a prefeitura fez um estudo tendo como base a experiência de deslizamentos e áreas alagadas - declarou.
Os estudos implementados pela Defesa Civil foram incluídos no Plano Diretor de Resende. Desta forma, qualquer novo empreendimento a ser construído nas áreas só poderá ser realizado após o aval da Defesa civil.
- Não podemos prever o comportamento da natureza. Com todas as mudanças climáticas, os eventos se tornaram mais severos. Acompanhamos países bem estruturados passando por situações calamitosas devido aos desastres naturais. O nosso trabalho é preventivo, com o intuito de evitar o pior - finalizou.
Barra Mansa
Para o coordenador da Defesa Civil de Barra Mansa, coronel Manoel Santos , os escorregamentos de talude preocupam o órgão. Segundo ele, a prefeitura tem implementado obras de contenção para evitar os deslizamentos de terra.
Outro desafio é a situação do rio Barra Mansa. Conforme contou o coordenador da DC, nos últimos quilômetros do rio o grande volume de construções acabaria por ser um obstáculo para o percurso da água.
- Quando o Barra Mansa chega para desaguar no Paraíba do Sul ele encontra essa resistência. A medida principal para impedir o agravamento desta situação foi a proibição, há pelo menos dez anos, de novas construções na barra do rio - disse.
O coordenador destacou que vários imóveis considerados em pontos críticos foram interditados, e as pessoas inseridas no programa do aluguel social. Pelo controle da Defesa Civil, estão edificados cerca de 600 imóveis nas áreas onde há proibição para novos empreendimentos.
- Bairros como Santa Clara, Jardim Marajoara, São Luiz, Boa Sorte, Nova Esperança, Piteiras e Centro possuem áreas incluídas nesta restrição - destacou.
O projeto Cuidando da Cidade foi ressaltado como instrumento importante para manter a cidade livre de entulhos, que na época das chuvas contribuem para dificultar o escoamento das águas. Porém, segundo o coordenador, mesmo com todo apelo para que as pessoas não descartem os pertences nas ruas, é normal encontrar lixo e entulho em vários locais da cidade.
- Continuamos a retirar resíduos sólidos dos rios, córregos e da rede de drenagem. Pedimos que as pessoas estejam atentas ao horários que a equipe de recolhimento do lixo passa. A prefeitura também avisa a comunidade que irá passar com o caminhão para recolher os entulhos. O lixo é responsabilidade de todos, e o resultado também afeta a todos - ressaltou.
Barra do Piraí
A expectativa em Barra do Piraí é que seja diminuída ocorrência de enchentes com a dragagem do rio Piraí. Segundo a diretora da Defesa Civil do município, Aldaci Anchite, a expectativa é que o trabalho de dragagem termine no início de 2012; porém, os benefícios do serviço já realizados serão percebidos ainda este ano.
- Temos trabalhado nas comunidades a fim de preparar a população para possíveis situações de risco, e conscientizar sobre o descarte correto de lixo e entulhos. Realizamos o levantamento das áreas de risco, e é sempre bom lembrar que o trabalho de prevenção é responsabilidade de todos - afirmou.