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Angélica Arieira
Volta Redonda
O prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto (PMDB) disse que esta semana deu mais uma oportunidade à Locanty - empresa responsável pela coleta de lixo da cidade - de se adequar e prestar um serviço de qualidade à cidade. Depois de afirmar que cedeu ao pedido da empresa de liberar mais um caminhão, que não estava previsto na licitação e contrato, Neto disse que esta será a última chance da empresa cumprir com seu compromisso. Caso isso não ocorra, Neto afirmou que abrirá nova licitação para o contrato de outra empresa "que seja competente para o serviço".
- Não estamos e não poderíamos estar satisfeitos com o trabalho da Locanty. Apesar de a empresa afirmar que está cumprindo o que estabelecido no contrato, ela não vem mantendo os nove caminhões em funcionamento. Quando um deles quebra, eles não têm como repor. Estamos dando um voto de confiança a ela e se em novembro a situação for a mesma, não teremos outra opção a não ser abrir nova licitação - disse Neto.
O prefeito de Volta Redonda afirmou que a prefeitura já aplicou uma série de multas na empresa, que está atendendo ao município desde março de 2010, quando o contrato com a antiga prestadora do serviço foi finalizado.
- Antes quem nos atendia era a Vega e por todo o tempo que ela nos atendeu, as reclamações foram muito menores e praticamente pontuais. Desde que a Locanty passou a nos atender, as reclamações têm sido frequentes e com elas as multas que estamos sendo obrigados a dar à empresa - disse.
Só neste ano, a Locanty recebeu da prefeitura 28 multas, que juntas somam cerca de R$ 100 mil. Estas multas vão desde atrasos, ao não cumprimento da rota traçada em contrato. O valor é retido no valor mensal que a prefeitura paga à empresa pelo serviço e fica no caixa da prefeitura.
- As multas variam de R$ 206 a R$ 18 mil. Mas a prefeitura não quer multar a Locanty. Queremos que ela nos preste um serviço que foi acordado. Reconhecemos que hoje o trânsito da cidade está mais complicado e por isso questionamos à empresa sobre o que ela precisava para se adequar e o que nos falaram era que era necessário mais um caminhão para que conseguissem desafogar o atendimento- disse Neto.
O prefeito afirmou que solicitou à empresa que realizasse um pedido formal à prefeitura para a liberação de mais um caminhão, já que este recurso terá que ser liberado como um adendo ao contrato inicial.
- Nosso contrato foi feito de forma transparente. A licitação foi feita em forma de pregão presencial, onde a Locanty conseguiu ser a escolhida depois de 117 lances. Ela sabia das condições, fomos transparentes. O contrato foi feito pelo então secretário de Serviços Públicos, agora vereador, Carlos Roberto Paiva. Não há nada que a prefeitura esteja descumprindo. Fazemos o pagamento (R$415 mil mensais) criteriosamente em dia e queremos um serviço de qualidade. Ainda estamos sendo solícitos ao pedido da empresa, mas este é nosso último voto de confiança - disse.
Neto afirmou que o caminhão solicitado pela empresa custará R$ 13 mil por mês e deverá estar em funcionamento ainda em outubro.
- Se até novembro a situação se mantiver a mesma, o que acreditamos que isso não deva ocorrer, faremos, até em comum acordo com a Locanty, uma nova licitação para assim contratarmos uma empresa que seja competente para o serviço - afirmou.
Prefeito reconhece que a cidade tem um dos
serviços de coleta de lixo mais baratos do país
A Locanty foi a primeira colocada no pregão em que três empresas disputavam. Além da vencedora, concorreram a Multiambiental e a Revita. A prefeitura estimava para o contrato com a empresa vencedora um valor de R$ 33,986 milhões. No entanto a Locanty ofereceu realizar o serviço por R$ 29,907 milhões, valor que, segundo Neto, deve ser um dos mais baratos do Brasil.
- Volta Redonda é uma cidade referência e executar um serviço aqui, se bem feito é propaganda para os demais municípios. A Locanty sabia disso. Eu mesmo liguei para as prefeituras que ela prestava serviço e tive boas referências. É por isso que a contratamos. Tenho esperança e certeza que ela tem condições de se adequar . Esperamos por isso. Sabemos que pagamos um dos valores mais baratos do Brasil, mas ela assinou um contrato claro - defendeu o prefeito.
Por conta de entender algumas das dificuldades expostas pela empresa, segundo Neto, é que ele já vinha fazendo concessões permitidas pela lei para ajudar a empresa contratada.
- Quando nos diziam que não estavam dando conta do trabalho, chegamos por várias vezes a ceder caminhões nossos para ajudar. Cedemos várias vezes. Eu não gostaria de ter multado a Locanty nenhuma vez. O que queremos, e imaginamos que ela também, é resolver a situação. Quem não pode sair no prejuízo é a população de Volta Redonda - disse.
População diz que serviço não vem sendo feito
com qualidade desde dezembro do último ano
A reportagem do DIÁRIO DO VALE acompanhou esta semana o serviço da Locanty em vários bairros da cidade e poucos foram os locais em que não havia quem reclamasse do serviço da empresa. Além disso, mesmo depois de passadas horas do horário de coletada, ou mesmo do dia estabelecido em calendário, era possível ver locais com lixo esparramado pela rua.
A moradora do Açude I, Néia Cruz, disse que poucas eram as vezes que o caminhão passava no horário previsto e nos dias estabelecidos.
- Aqui os dias que deveriam passar são terças, quintas e sábados. Mas já teve dia que ficou sem passar e acumulou tudo para a semana seguinte. É uma bagunça - reclamou ela.
Situação parecida foi vista também no Retiro, Açude II e Vila Mury. Um caminhão da Locanty que estava passando pelo Açude II foi parado por um morador e o motorista disse que estavam indo para outro bairro e que a coleta do Açude II era para ter sido feita pela manhã por outra equipe.
Shaine Cristina que mora na Avenida Glória Roussim Guedes, no Açude I reclamou do descaso com a população.
- A gente coloca o lixo um dia antes à noite na esperança de que peguem no outro dia de manhã. E fica manhã, tarde noite, passa o dia e nada. È um absurdo com o morador - afirmou ela, dizendo que a empresa estava deixando a desejar com a limpeza urbana.
Locanty diz que vem cumprindo contrato
e procura atender a população com qualidade
A Locanty esclareceu por meio de nota que o contrato firmado com a prefeitura de Volta Redonda, vigora desde o dia 15 de março de 2010 e tem duração de 60 meses. Sobre o cumprimento das exigências contratuais a empresa "informou que está atendendo todos os requisitos exigidos no contrato".
Garantiu também que sua frota contempla 14 veículos: dois caminhões destinados à coleta seletiva, um para coleta hospitalar, dois guinchos d'água em apoio à limpeza de ruas e nove compactadores para o recolhimento de resíduos domiciliares. Destes compactadores, um veículo é destinado ao uso exclusivo em locais de difícil acesso e outro constitui reserva obrigatória.
Sobre a distribuição nos turnos de trabalho a nota afirmou que a empresa segue as exigências do edital, destinando sete caminhões para a coleta de resíduos domiciliares, e apenas um faz o recolhimento em locais de difícil acesso. Já no segundo turno, seis veículos são utilizados na coleta domiciliar.
Questionada sobre se estaria fornecendo um serviço de qualidade à cidade a nota afirma somente que "A Locanty também esclarece que está empenhada em propiciar o melhor atendimento à população seguindo as recomendações determinadas pelo Poder Público".
A assessoria de imprensa da empresa não quis comentar as reclamações da população e nem as informações repassadas pela prefeitura.