Volta Redonda
Uma campanha pelo Facebook busca conseguir doadores de sangue do tipo O negativo para o gerente de marketing Anselmo Lacerda da Silva, de 28 anos, morador do bairro Vila Mury.
Segundo a mulher de Anselmo Lacerda, a estudante Caroline Cruz Morais, ele está hospitalizado desde 14 de dezembro, quando começou a vomitar sangue e foi levado ao hospital. Um exame de endoscopia constatou varizes no esôfago. Anselmo Lacerda é portador de uma doença autoimune rara, ainda sem diagnóstico médico fechado. No hospital ainda teve infecção na pleura e foi encaminhado à UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), onde ficou em coma induzido. Ele já tinha sido internado com suspeita de autoimunidade.
- No ano passado foi internado com suspeita de autoimunidade, disseram que poderia ser lúpus e descobriram que não era quando ele foi liberado - explicou.
A campanha idealizada pelos próprios familiares tomou uma proporção muito grande, mobilizando amigos, amigos de amigos ou apenas usuários da rede social que se identificaram com a história e colaboraram com a divulgação. Até a tarde de hoje (4) uma das publicações atingia mais de 1,2 mil compartilhamentos na página do Facebook.
- Sinceramente não imaginei essa proporção, foi um fenômeno, é muito bonito você ver que as pessoas se importam tanto. Nesse momento em que estamos frágeis, nos sentimos com forças renovadas. Muitos amigos por iniciativa própria entraram em contato com a mídia, isso contribuiu muito, foi parar nas páginas de várias empresas, no rádio. Uma amiga da minha mãe de Nova York ligou para ela para saber se realmente se tratava dele - disse.
Caroline já é doadora de sangue há algum tempo, mas não tinha ideia da diferença que uma bolsa de sangue fazia na vida de quem necessita de doações.
- É como se a cada bolsa a pessoa ganhasse um sopro de vida. Quando ganha sangue ele começa a respirar melhor, muda a cor da boca. Só quando você vê um parente seu recebendo sangue que tem ideia da proporção. É um milagre a cada dia que passa - observou.
Anselmo Lacerda está no Hospital da Unimed, mas as doações estão sendo feitas no Hemonúcleo do Hospital Santa Margarida.
O número de bolsas necessárias diariamente varia de acordo com o quadro do paciente.
- Ele tem melhorado bem. De ontem para cá não está recebendo sangue. Já teve dia dele precisar de três bolsas. O médico ainda não sabe se ele vai voltar a precisar - falou a mãe de Anselmo Lacerda, Ana Maria Ferreira.
Segundo a captadora de doares do Hospital Santa Margarida, Gleyciellem Cardinalli, devido à campanha, muitas pessoas têm ido ao local contribuir com a doação de sangue.
- Está vindo muito doador, se todos os amigos e familiares fizessem igual com certeza não teríamos problema com doações - afirmou.
Além de beneficiar Anselmo Lacerda, a campanha tem ajudado outros pacientes que também necessitam de doações.
- Eles estão ajudando muitos outros pacientes, o sangue O negativo é um tipo difícil, mas as pessoas doam outros tipos. Além disso, foi uma divulgação para o nosso hospital, pois muita gente nem sabe que aqui funciona um hemonúcleo. Agradeço muito à família, aos amigos, pela campanha e por estarem ajudando tanta gente - disse Gleyciellem.
Além dela, Ana Maria e Caroline se mostraram satisfeitas por poder ajudar outros pacientes.
As doações devem ser feitas no Hemonúcleo do Hospital Santa Margarida, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h, e aos sábados, das 7h30 às 10h30. Para ser doador, a pessoa precisa ter de 18 a 67 anos, pesar mais que 50 kg, além de estar em bom estado de saúde, não ser usuário de drogas e não ter comido nada gorduroso nas últimas quatro horas.