Sapucaia
A Defesa Civil confirmou que o número de mortos pelos deslizamentos de terra subiu para 18. Um carro soterrado com cinco pessoas da mesma família foi encontrado. No veículo, estavam os corpos de dois homens, duas mulheres e uma criança aparentando cerca de 10 anos.
Mais cedo, antes de uma nova pancada de chuva, depois de três dias do deslizamento provocado pelas chuvas, famílias que tiveram as moradias interditadas em área de risco, no distrito de Jamapará, puderam retornar para retirar móveis e objetos. O prefeito Anderson Zanon decretou situação de emergência.
Paralelo ao trabalho dos bombeiros, que ainda fazem buscas no local do deslizamento, a retirada dos objetos começou cedo, às 8h, e contou com a participação de vizinhos, parentes e amigos dos moradores da Rua dos Barros, onde pelo menos nove casas desabaram.
- Tirei tudo o que podia: colchão, cama, material de cozinha e umas coisinhas como enfeites. Só não deu para tirar os armários porque são pesados e não dá para desmontar rápido - disse Kátia Vieira, de 38 anos.
Ela levou seus móveis para um galpão cedido por um comerciante do local.
Alguns moradores da Rua dos Barros, no entanto, não têm para onde levar seus pertences e terão que abandoná-los. É o caso da aposentada Eni Maria da Conceição, 65.
- A casa da minha filha, onde estou, é muito pequena, não cabe mais nada - falou.
Para ela, agora, o maior desafio é convencer o marido que não dá mais para voltar para casa.
- Eu não quero descer daqui, vou morar de favor, de aluguel? - pergunta João Batista, 68, à mulher.
Eles moravam na residência há pelo menos 40 anos e que agora está interditada.
Quem ainda não tinha visitado a própria casa desde a tragédia foi surpreendido hoje com a autorização para salvar os móveis.
- O que está acontecendo, vou poder entrar em casa? - perguntou uma moradora ao major do Corpo de Bombeiros Sidney Gonçalves, que coordena a ajuda na localidade.
Segundo os vizinhos, ela tinha se mudado havia apenas dois meses.
Chuva causa interrupção de tráfego na BR-393
Devido à chuva na madrugada de segunda-feira, ocorreram mais deslizamentos de terra em Sapucaia. No Km 123 da BR-393, uma pista cedeu e parte dela desmoronou no Rio Paraíba do Sul, que passa pelo local. A pista do Km 122 está interditada, para a remoção de material e reparo.
A Acciona, concessionária responsável pela rodovia, recomenda aos usuários que utilizem uma das rotas alternativas e, além disso, sigam as instruções da Polícia Rodoviária Federal e equipes da concessionária.
As rotas alternativas são: sentido Volta Redonda a Além Paraíba — seguir até a altura do Km 167 (Três Rios), acessar a BR-040 rumo a Petrópolis e seguir até a BR-116 sentido Magé, continuando pela BR-040 até Três Rios, ou seguir até a altura do Km 167 e acessar a BR-040 sentido Juiz de Fora, seguir até a BR-267 sentido Bicas e continuar pela BR-267 até a BR-116 sentido Amparo.
Já no sentido contrário de Além Paraíba a Volta Redonda, na altura do Km 104 (Sapucaia), acessar a BR-116 rumo a Teresópolis, seguir até a BR-040 sentido Petrópolis e continuar pela BR-040 até Três Rios, ou na altura do Km 104 acessar a BR-116 rumo a BR-267, seguir por ela até Juiz de Fora, continuar até a BR-040 e depois até Três Rios.
No Km 151 há interdição parcial, devido a perigo de desmoronamento, a pista está funcionando no sistema “siga e pare”, na tarde de ontem não havia congestionamento no local.
Muro cai e moradores ficam isolados na Água Limpa
Volta Redonda e Barra do Piraí
Moradores da Alameda 1, na Avenida Visconde Rio Branco, no bairro Água Limpa, ficaram isolados e sem água desde o fim da noite de ontem até às 7h de hoje, devido à queda de um muro, parte da obra de ampliação da Escola Municipal Professora Juracy Varanda. Pela manhã uma equipe da Secretaria Municipal de Obras esteve no local.
— Ficamos ilhados desde as 22h de ontem, abriram um portão aqui para a gente umas 7h, as casas mais atingidas foram a 16 e a 18, no total foram cinco casas — disse o morador Sebastião Silva Santos.
Segundo ele, um muro estava sendo construído para erguer uma sala de aula.
— Tiraram a terra embaixo do muro, aqui seria uma nova sala, com a chuva o muro foi caindo, o que puxou um pouco foi o alambrado. Na verdade tiraram o apoio da base — falou.
Ainda de acordo com o morador, equipes da Defesa Civil e do Furban (Fundo Comunitário) estiveram no local e agentes informaram que um novo muro será construído.
O relatório diário de ocorrência da CMDC (Coordenadoria Municipal de Defesa Civil) de Volta Redonda divulgado hoje constatou 20 ocorrências, nenhuma vítima e o bairro mais atingido foi a Água Limpa, devido ao desmoronamento. Ontem o total de ocorrências chegava a 172 neste ano.
Em Barra do Piraí, um muro também caiu no Centro da cidade, na Rua Franklin de Moraes, na madrugada de hoje.
De acordo com a diretora da Defesa Civil, Aldaci Anchite, nenhuma casa foi interditada, mas o órgão continua monitorando a área.
O muro pertencia a uma pensão, mas o proprietário não estava no local e não permitiu que os funcionários dessem qualquer informação sobre o desmoronamento.
Defesa Civil interdita sete imóveis na Vicentina
Resende
A Defesa Civil interditou, na segunda-feira, duas casas e dois comércios na Rua Clodomiro Maia, na altura do nº. 810, no bairro Vicentina. Esses quatro imóveis fazem divisa com o barranco da Rua Ângela, que começou a desmoronar na semana passada, causando a interdição de três imóveis. Já são sete imóveis interditados no bairro.
De acordo com o diretor geral da Defesa Civil, Lindomar Miranda, esses imóveis foram interditados por medida de segurança, uma vez que estão dentro das áreas consideradas de risco no município e vêm sendo monitorados há alguns anos.
- Interditamos as casas da Clodomiro Maia, por causa do perigo de desabamento das casas que estão no terreno do Joinha, na Rua Ângela, e fizemos essa interdição por medida de segurança, porque precisamos reduzir os riscos para evitar problemas mais graves - disse, ressaltando que, de acordo com o monitoramento que a Defesa Civil vem realizando, a Represa do Funil está com vazão de 155 m³/segundo e o Rio Sesmaria também não apresenta riscos de alagamento.
- A situação em Resende está sob controle, mas as chuvas estão só começando, é preciso ficar atento aos riscos e realizar um trabalho de prevenção - falou.
Para a proprietária do imóvel da Clodomiro Maia, Adriana Pires Salgado, a solução definitiva seria a demolição das casas da Rua Ângela.
- Quando o diretor da Defesa Civil esteve aqui, ele falou que os geólogos que analisaram o terreno das casas da Rua Ângela disseram que se elas caírem põem em risco a casa da minha mãe, a casa da minha irmã, e até mesmo quem estiver passando na rua. Então, acho que a rua também deveria ser interditada nesse trecho. Não adianta só retirar os moradores, é preciso que as casas que foram construídas na rua de cima sejam demolidas, porque elas estão na iminência de cair. Já tem uns dois anos que a Defesa Civil vem aqui e fica colocando plástico no barranco, isso não resolve nada - comentou a moradora.
Já a moradora da Rua Ângela, Claudia Pizzi, acredita que a demolição nesse caso não seria justa com o proprietário do imóvel.
- Sou vizinha do Sr. Joinha. Ele tem mais de 80 anos, tem pouco estudo e não tem para onde ir. Acho que a prefeitura não deveria demolir a casa, deveria fazer uma obra de contenção do barranco - afirmou.
Dificuldade em encontrar casa para alugar
Barra Mansa
Os moradores da Alameda Vitalino, no bairro Metalúrgico, Região Leste, que tiveram suas casa interditadas pela Defesa Civil no início da semana, estão encontrando dificuldades em encontrar casa para alugar.
A Promoção Social da prefeitura está oferecendo um aluguel social às 11 famílias com casas em situação de risco. Hoje, alguns moradores estavam em suas casas, mas de acordo com a dona de casa Francisca das Chagas Pompeu, que mora acima de onde ocorreu o maior ponto de deslizamento, até o momento não conseguiu encontrar imóvel para alugar. Ela está dormindo na casa da irmã e durante o dia, quando não está andando à procura de casa, vai até onde morava para abrir as janelas.
- Estamos procurando casa para mudar, mas está muito difícil. Por isso, estamos aqui conversando e observando o perigo que estamos correndo. Estou com mais medo daqui porque é em frente à minha casa que está o maior perigo. Se isso descer, puxa a minha casa toda. Fico pensando também quem é que vai me ajudar a tirar meus móveis - disse.
Francisca contou que mora no local há 27 anos e durante todo esse tempo já viu muito barranco cair, mas nada tão grave como aconteceu:
- Bom mesmo é ficar no cantinho da gente, mas como vamos achar bom ficar aqui agora, correndo risco de morrer soterrados?
A vizinha de Francisca, a também dona de casa Paula Rodrigues Simplício, estava em sua casa com um de seus três filhos. Ela contou que tem dormido na casa da sogra, mas vai até o imóvel dela durante o dia.
- Fica difícil a gente passar o dia todo na casa dos outros, então além de passar o dia procurando uma casa para alugar, também venho um pouco aqui, quando não está chovendo - falou.
Uma outra vizinha delas, a dona de casa Marília Gabriela de Matos, afirmou que já havia procurado um imóvel para alugar nas proximidades do bairro, mas que desistiu.
- Agora vou procurar em uma imobiliária, porque aqui está bastante difícil - destacou.
Sem enchentes
A Defesa Civil informou que até o momento não houve registro de enchentes no município. As equipes da Defesa Civil continuam monitorando as áreas de risco. As ocorrências registradas até agora de maior relevância foram no bairro Roselândia, onde houve o desabamento de uma casa, e no bairro Metalúrgico, onde ocorreu deslizamento de terra. Nos dois casos ninguém se feriu, mas a Defesa Civil teve de interditar a casa no Roselândia (Rua I) e 11 casas no bairro Metalúrgico (Alameda Joaquim Valério). As famílias estão sendo assistidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos. Outra ocorrência foi na Rua Major José Bento, na altura do bairro Vila Coringa, onde uma pedra deslizou e atingiu o cômodo de uma casa fazendo com que o órgão interditasse parcialmente o local.
A Defesa Civil informou ainda que teve de interditar hoje todas as casas (cerca de dez unidades) no entorno da Servidão da Matinha, no bairro Boa Vista III. Há risco de deslizamento de terra e os moradores foram orientados a procurar a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos. O órgão ainda informou que interditou a Rua São Salvador, no bairro Getúlio Vargas, pois um muro de nove metros de altura ameaça cair sobre a via. Os veículos e pedestres podem utilizar as ruas Fortaleza e Curitiba como alternativa de acesso até o local.