Barra Mansa
Com a proximidade do Carnaval o trabalho das bordadeiras é redobrado para entregar as peças no prazo determinado. Janice Silva Custódio, é moradora do bairro Nova Esperança, trabalha com bordados em paetê para fantasias carnavalescas há 32 anos e comanda um grupo de aproximadamente 40 donas de casa, que nos meses que antecedem a mais famosa das festas brasileiras, se tornam artesãs.
Segunda ela, a demanda por bordados aumentou em 30% em relação ao ano passado. Em 2011 o serviço das bordadeiras foi prejudicado devido à opção de muitas escolas por utilizar material importado.
- Mas não há nada que substitua o brilho do paetê e as escolas perceberam isso e voltaram a nos procurar. Agora estamos com tanto trabalho que temo não conseguir entregar toda a encomenda a tempo - contou, acrescentando que este ano estão atendendo encomendas de escolas de samba cariocas como Imperatriz Leopoldinense, Mangueira, União da Ilha e para o Bloco da Vida, de Volta Redonda.
Ao todo, estão sendo produzidos 200 quadros diariamente com bordados que farão parte de fantasias de baianas, porta-bandeiras e outras alas. Janice contou que para o pacote de fantasias da ala das baianas as bordadeiras cobram em média R$ 23 mil. O valor varia de acordo com a complexidade do trabalho. Mas se por um lado a demanda aumentou, a mão de obra diminuiu. Janice contou que já chegou a trabalhar com mais de 50 bordadeiras e este ano a procura por mulheres querendo bordar caiu bastante.
- Estamos com menos bordadeiras no ano, em que os pedidos cresceram muito. Como o nosso serviço só existe na época que antecede o carnaval, muitas mulheres encontraram emprego com carteira assinada durante o ano e deixaram o bordado. Só quem mora no Rio de Janeiro consegue trabalhar por conta do carnaval o ano todo - comentou.
Na família de Janice, não é só ela que consegue um dinheiro extra, trabalhando para a indústria carnavalesca. Seu marido, Élson Gomes, também atende a demanda das escolas de samba fornecendo ferragens que são utilizadas na composição de ombreiras e "cabeças" de fantasias.
- Tenho encomendas de cerca de duas toneladas de ferragens para a União da Ilha e Mocidade Independente de Padre Miguel. Produzo as ferragens com o auxílio de dois ajudantes. No resto do ano, forneço essas ferragens para países como os Estados Unidos da América e Itália, para eventos. Trabalhar com o carnaval é muito bom, pois nos dá prazer ver nosso trabalho na avenida depois - contou.
Trabalho reconhecido em publicação
O trabalho das bordadeiras de Barra Mansa é bem visto na indústria carnavalesca, tanto, que Janice e seu trabalho foram eternizados no livro "Artesãos da Sapucaí", de Carlos Feijó e André Nazareth, publicado pela Editora Olhares com versão em português e inglês, em novembro do ano passado. Janice é a única barramansense escolhida para ser fotografada para o livro que mostra os bastidores da produção do carnaval brasileiro.
- Fui indicada por conhecidos do rio e quando o homem apareceu aqui para fotografar pensei que eles estivessem de conversa fiada, mas não. Na semana passada, recebi o livro pelo correio com a minha foto e do meu trabalho - disse orgulhosa, acrescentando que conta 32 anos de trabalho, mas começou a atuar na produção de fantasia ainda muito pequena.
- Comecei enchendo linha de miçangas com oito anos de idade, mas foi mais tarde que comecei a bordar. Trabalhar com isso é legal. As vezes da vontade de parar, mas a procura é grande. Tenho muito prazer de trabalhar com peças para o carnaval - disse.