
Volta Redonda
O HSJB (Hospital São João Batista) atende por ano cerca
de sete mil pacientes. A movimentação é constate, principalmente de vítimas de
acidente. Mas um dado causa preocupação aos funcionários e à direção da
unidade: os pacientes sem identificação. Como no caso de um idoso, de aproximadamente
53 anos, que morreu na noite de ontem, após passar um mês internado. Segundo o
assistente social Ailton Carvalho, 80% desses casos são homens.
- As mulheres têm mais cuidado e dificilmente saem sem
levar os documentos. Os homens são mais desleixados, até mesmo com a própria
saúde. Mesmo que a distância de casa seja curta, é preciso levar um documento
de identificação, pois não se sabe o que pode acontecer. Pode ser RG, título de
eleitor, cartão do SUS (Sistema Único de Saúde) e até comprovante de
residência. Tudo pode nos ajudar a fazer a localização, em caso de internação -
falou.
O ideal é levar na carteira um telefone de um familiar,
porque o contato pode ser feito imediatamente.
A assistente social Patrícia Alves Lacerda Diniz informou
que o senhor que morreu ontem foi levado para o HSJB para fazer um exame de
tomografia e acabou ficando internado.
- Ele morreu na clínica cirúrgica por volta das 13h.
Tentamos de todas as formas encontrar a família dele, divulgamos nas rádios e na
imprensa em geral.
Chegamos a ter algumas visitas para identificação, mas
ninguém o reconheceu. Ele foi trazido por uma ambulância do Hospital do Retiro.
O homem era pardo, com vitiligo nos membros inferiores, calvo e de estatura
baixa - disse.
Uma campanha foi feita no Facebook para tentar a
identificação. Foram 740 compartilhamentos.
- Com a morte, o procedimento legal é o encaminhamento do
corpo para o IML (Instituto Médico Legal). Depois de um tempo, o IML pede
autorização para fazer o enterro como indigente - explicou o coordenador da
Funerária Municipal, Elias Gomes Barbosa.
Situação
preocupante
Em média, o HSJB recebe por ano 20 pacientes sem
documentos, mas apenas seis ficam sem identificação.
- Fazemos uma campanha árdua para a localização de
parentes. Mesmo o número não sendo alto em relação ao total de atendimentos, a
situação é preocupante para a gente. Além desse caso, um outro homem também deu
entrada sem registros pessoais, porém em dois dias encontramos os familiares -
falou o assistente social Ailton Carvalho.
Para Patrícia Alves, a falta de documentação pode
atrapalhar no tratamento médico:
- Não sabemos o histórico clínico da pessoa, nem se ela
faz uso de alguma medicação.
Segundo o diretor geral do SAH (Serviço Autônomo Hospitalar),
responsável pela administração do hospital, Sebastião Faria, mesmo com a
identificação é preciso a localização familiar.
- Recebemos há pouco tempo um senhor de Alfenas, Minas
Gerais, que não tinha contato com a cidade há 15 anos. Acionamos a Polícia
Militar da cidade mineira para encontrar algum parente, mas como não tivemos
sucesso ele está se recuperando em um albergue. Existem casos em que a pessoa
precisa de um atendimento de enfermeiros e o alojamento não tem. Por isso,
permanecem na unidade, só que ocupando os leitos de outros pacientes. A entrada
no São João Batista é muito grande e precisamos desses espaços - comentou.