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Maçonaria teria deixado símbolos por Volta Redonda
Publicado em 17/07/2012, às 15h59
 
Última atualização em 17/07/2012, às 16h13

Em amarelo as Ruas 21, 31 e 41; entre a 31 e a 41, a Rua 33, que é o maior grau da Maçonaria

Volta Redonda

Não há como duvidar da importância da Companhia Siderúrgica Nacional para o desenvolvimento de Volta Redonda. O então distrito de Barra Mansa era um ponto esquecido no mapa que cresceu de forma vertiginosa nos últimos 70 anos, 58 deles após a emancipação.
Para que a Cidade do Aço conquistasse a sua independência administrativa, porém, ela contou com a participação decisiva de um grupo em particular: a Maçonaria local. A construção da moderna Volta Redonda, o primeiro movimento sindical dos metalúrgicos, seu primeiro hospital, seu primeiro colégio ginasial - assim como o movimento que resultou na criação da cidade -, tiveram a presença dos maçons.
A presença e a importância da Maçonaria para o município estão espalhados, principalmente, naquilo que se convencionava chamar de Cidade Nova: a Vila Santa Cecília, erguida com a vinda da CSN.
Um dos exemplos é a principal via do bairro, por onde passam milhares de pessoas todos os dias, a Rua 33. Basta pegar um mapa da cidade e observar que a Vila teve suas vias planejadas com uma numeração lógica. A exceção é exatamente a 33: pela lógica do planejamento, ela deveria ser a Rua 41 - aquela que corre à beira do Rio Brandão -, pois seria a sequência óbvia das ruas 21 e 31. Entretanto, como foi planejada para ser a principal via da localidade, ela teria recebido essa numeração para prestar homenagem ao maior grau maçônico do principal rito maçônico.
E esta ainda é a primeira evidência da influência da Maçonaria no desenvolvimento de Volta Redonda. Segundo o historiador Ronaldo Gori, ainda muito jovem ele teria conversado com um engenheiro norte-americano, maçom, que trabalhou na construção da CSN, e este lhe revelou que a cidade estava sendo construída com símbolos maçônicos.
E um deles é facilmente observável no bairro: é o Edifício Mollica. O seu número (81) pode ser visto no alto da edificação, e representa exatamente o número de nós da corda que ornamenta os templos do rito maçônico. O número de maior grau maçônico (33) desemboca exatamente no prédio cuja numeração é de importante simbologia maçônica.

Um templo na Vila

Ao analisar o projeto original da Vila Santa Cecília, feito pelo urbanista Attilio Corrêa Lima, no trecho que vai da atual fonte luminosa até o antigo Escritório Central, pode-se perceber que este é semelhante a um templo maçônico. Ao observar-se esta planta, da esquerda para a direita, é possível notar o que seria a entrada, a área onde ficam os mosaicos e o painel, a escada para o oriente e, finalmente, o altar. Este trecho do bairro teria seis quadras em cada lado a partir de onde se localiza atualmente a Praça Brasil, assim como os templos possuem seis colunas em cada flanco. As alterações posteriores - a construção da praça no lugar de prédios reduziu o número de "colunas", mas se aproximou da medida dos templos - que é a chamada proporção áurea (1,618).
Se a parte central da Vila fosse um templo maçônico, estando o altar onde foi construído o Escritório Central da CSN, a corda que ornamenta o templo teria o seu último nó, o de número 81, caindo exatamente onde se encontra o Edifício Mollica - cujo número é 81. Cruzando essa construção, não custa lembrar, está a Rua 33 - maior grau do rito maçônico.
Mais ainda: no local onde foi erguido o Escritório Central, tanto Attilio quanto seus sucessores haviam projetado não a sede da CSN, mas a prefeitura. Nesta sede ficaria o prefeito. E a via de acesso ao local é nada menos que a Rua 14 - número que, na graduação maçônica, representa o Grau do Grande Eleito.
Attilio, até onde se sabe, não era maçom. Mas dois nomes que trabalharam no desenho do plano urbanístico da Vila (que também incluíam a numeração de prédios e ruas) participaram da fundação da Loja Independência e Luz II, em 15 de outubro de 1948: Apollo Augusto Pereira de Amorim e José Sayão Lobato.
Outra curiosidade a respeito da dupla: Sayão Lobato trabalhou na Comissão Executiva do Plano Siderúrgico, na capital, quando a CSN ainda nem existia e estava sendo planejada. Na mesma comissão trabalhava Apollo Augusto Amorim - que, por sinal, foi o primeiro funcionário da CSN em Volta Redonda, para onde foi transferido depois que a empresa foi criada em 9 de abril de 1941.

União entre metalúrgicos e a Maçonaria

O Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda teve um maçom como seu primeiro presidente, que mais tarde seria decisivo para a emancipação de Volta Redonda. Ele organizou a estrutura sindical na cidade. O nome é conhecido, mas poucos sabem que ele foi o primeiro líder sindical de Volta Redonda: Alan Cruz, egresso da Loja de Barra Mansa e fundador da primeira Loja de Volta Redonda. União que se manteria, anos depois, para lutar pela emancipação da cidade.

Na Praça Brasil

Mesmo com a Praça Brasil não estando no projeto original da Cidade Nova, a Maçonaria acabou se fazendo presente lá em dois de seus símbolos. O primeiro é mais evidente e atende pelo nome de Marianne, representada pelas duas estátuas femininas do local. Elas são a representação de Marianne, um dos símbolos da Revolução Francesa em 1789 - liderada pelos maçons e seu ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Para homenagear a independência dos Estados Unidos (que teve entre seus líderes um maçom, George Washington), a França enviou para os norte-americanos uma representação de Marianne, a Estátua da Liberdade. Os maçons brasileiros que proclamaram a República também escolheram Marianne com símbolo, e ela está hoje nas notas do Real.
O outro símbolo é o obelisco, que é da Maçonaria Universal presente em diversos países, sendo o mais famoso deles o que homenageia George Washington, na capital dos Estados Unidos. A exemplo dos antigos obeliscos, ele vai se afunilando em direção ao topo até formar uma pirâmide, que tem por objetivo iluminar o mundo.
O obelisco da Praça Brasil, a princípio, não apresenta essa pirâmide, mas basta se afastar um pouco para vê-la lá no alto. Pode-se imaginar que quem idealizou o monumento decidiu que só sendo contemplado de longe o conjunto da obra mostraria um dos seus mais belos detalhes. Um detalhe oculto a quem só olha as coisas de perto e de baixo para cima.

 Um dos símbolos maçônicos, o obelisco da Vila Santa Cecília também possui uma pirâmide no topo, que só se consegue enxergar um pouco mais a distância

Por toda a cidade

Uma das pistas que se pode levar em consideração para a inclusão de símbolos maçônicos está no nome do presidente da Comissão Pró-Monumento Getúlio Vargas, criada em 1953: Oscar Arthur de Mello Morais, um dos fundadores da Loja Maçônica Independência e Luz II, em 1948.
A praça começou a ser construída em 2 de fevereiro de 1954, poucos meses antes do principal projeto dos maçons: a emancipação do então distrito de Santo Antônio de Volta Redonda, idealizado por um de seus membros, Lucas Evangelista.
A importância da Maçonaria é destacada em uma publicação ainda inédita do historiador - já falecido - Waldyr Bedê:
"A tradição liberal-progressista da Maçonaria no Brasil motivou as principais lideranças do movimento emancipacionista identificadas com o ideário político daquela organização (...). Os maçons foram os principais intelectuais orgânicos da emancipação de Volta Redonda. Dentre as principais lideranças do movimento emancipacionista estavam os membros da Maçonaria vinculados ao serviço público de coletoria, à Justiça, à CSN, ao sindicato, ao comércio, às fazendas, aos jornais, à educação, aos partidos e aos governos municipal e estadual".
E não é difícil encontrar outros símbolos dos maçons pela cidade, como o compasso na logomarca dos Asilos dos Velhinhos ao nome do Hospital São João Batista, homenageando o padroeiro da Maçonaria.
Se a disposição de ruas, prédios, monumentos e estátuas na Vila Santa Cecília são representações da presença da Maçonaria em Volta Redonda ou mera coincidência, cabe a cada um decidir. O certo é que a influência deles para que Volta Redonda se tornasse o que é hoje - a mais importante cidade da região - está registrada na História através dos nomes que, unidos pela Loja Maçônica, trabalharam pela emancipação da Cidade do Aço.

 

 
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