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Presos em VR são indiciados em Minas
Publicado em 15/4/2011, às 21h44
 
Última atualização em 15/4/2011, às 21h44

Ponte Nova e Volta Redonda

O delegado de Ponte Nova (MG), João Marcelo, indiciou hoje as seis pessoas presas no dia anterior em Volta Redonda e Barra do Piraí, suspeitas de integrar uma quadrilha especializada em roubo, vendas de caminhões e carros de passeio, que vinha agindo em todo o país. Eles seriam transferidos, ainda ontem, para o presídio Nelson Hungria, em Belo Horizonte.

Os presos são: o proprietário da agência de veículos Automarca, o despachante André Lanes de Oliveira - o estabelecimento fica em Volta Redonda, mas o acusado foi encontrado em sua casa no bairro Califórnia, em Barra do Piraí -; Paulo Moisés de Souza e Marcos Alexandre Castro, o "Marcão", que seriam "laranjas" da agência de automóveis; Antônio José Coelho, o "Maresia", tio de André Lanes; Lourival Ramos, o "Val", que trabalha para André Lanes; e Anita Lanes de Oliveira, mãe de André Lanes. Eles foram indiciados por formação de quadrilha, roubo, falsificação e adulteração de documentos.

Na quinta-feira, foram apreendidos 26 carros na agência do despachante, no bairro Aterrado, em Volta Redonda. Outros dois carros de passeio e dois caminhões foram apreendidos em outros pontos da cidade.
Segundo o delegado, desde o início da "Operação Esquema", no ano passado, Volta Redonda foi a cidade onde foram apreendidos o maior número de carros com documentação "esquentada". Até agora, a polícia já identificou 1.249 caminhões roubados, principalmente, na BR-262, que liga Belo Horizonte a Vitória (ES), entre as cidades de Rio Casca e Abre Campo, em Minas Gerais.

Já os dois caminhões encontrados na Oficina Porcão, no bairro Santo Agostinho, ficaram aos cuidados do delegado da 93ª DP (Volta Redonda), Adilson Palácio. O policial aguarda o resultado do laudo do ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli), para se certificar se os veículos tiveram os chassis e placas alteradas ilegalmente. A oficina pertence a Márcio Rodrigues da Costa, o Porcão. Ele chegou a ser levado para a delegacia, mas foi liberado, e aguardará o resultado do laudo do ICCE. - Dependendo do resultado do exame, Márcio (Porcão) será indiciado por falsificação de sinal identificador de veículos e falsidade ideológica - falou Palácio.

Operação envolveu 150 policiais

A operação batizada de "Esquema" foi realizada em Volta Redonda, Barra Mansa, Barra do Piraí, e simultaneamente nas cidades mineiras de Rio Preto, Santa Bárbara do Monte Verde e Juiz de Fora. Participaram também a Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais), Forças Armadas, Polícia Civil de Belo Horizonte e Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Ao todo, cerca de 150 policiais, incluindo 19 delegados, 40 viaturas e um helicóptero foram envolvidos. O objetivo foi cumprir 15 mandados de busca e apreensão e nove de prisão na região.

Segundo o delegado de Ponte Nova (MG), João Marcelo, essa é a segunda fase da operação, cujas investigações começaram há seis meses. A primeira aconteceu no fim do ano passado, em Minas Gerais, onde 11 pessoas foram presas, entre elas, um vereador, um ex-prefeito e alguns empresários, além de  caminhões apreendidos. Ainda de acordo com o policial, a investigação começou a partir de uma série de roubos cometidos na BR-262, que liga Belo Horizonte a Vitória (ES), entre as cidades de Rio Castro e Abre Campo.

A quadrilha, segundo ele, se aproveitava do fato de que, até 1988, os veículos das Forças Armadas não constavam do Cadastro Nacional e falsificou então um documento em nome de um oficial militar, autorizando o leilão de veículos.
Dessa forma, era possível inserir os caminhões roubados no sistema como sendo de propriedade das Forças Armadas. Após ter os chassis remarcados, os veículos eram vendidos. A documentação dos caminhões era preparada antes do roubo, o que determinava as características que o veículo deveria ter, preferencialmente caminhões da Mercedes Benz, da linha 1113.

‘Kit' custava cerca de R$ 15 mil

Informações colhidas com um dos presos na primeira fase da operação detalharam a existência de uma espécie de "kit" (documentos, placas e lacres) que custava cerca de R$ 15 mil. De acordo com o delegado de Ponte Nova (MG), João Marcelo, esse fato caracteriza crime militar. Por isso, os presos também devem responder a processo militar.

As investigações mostraram que a quadrilha tinha ramificações em Volta Redonda, inclusive dois funcionários do Detran (Departamento de Trânsito) de Rio Preto (MG) foram identificados como sendo os responsáveis pela emissão dos documentos falsos e já tiveram prisão autorizada pela Justiça, mas, segundo os delegados, ainda não foram presos porque forneceram endereços falsos. A polícia teve informação hoje de que eles moram em Volta Redonda e Valença, mas não foram localizados.

 
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