

Volta Redonda
Policiais de Minas Gerais, comandados pelo delegado José
Marcelo Loureiro, de Ponte Nova, prenderam na tarde de hoje (28), em Volta
Redonda e Barra do Piraí, outras duas pessoas suspeitas de envolvimento no
esquema de roubo de caminhões, adulteração de veículos e falsificação de
documentos. A iniciativa faz parte da "Operação Esquema", que tem por objetivo
desbaratar uma quadrilha especializada em roubo de caminhões e carros de
passeio e que vendia os veículos após adulterar chassis, placas e documentos.
Os presos são Paulo Roberto Perino, de 56 anos, e Jean
Carlos Marcondes, 42. Eles tiveram a prisão temporária decretada pelo juiz da
Vara Criminal de Abre Campo (MG), Marcos Vinícius Dayer.
Na operação, que foi iniciada em maio do ano passado, já
foram presas 30 pessoas. Na quarta-feira, segundo José Marcelo, foram presos
dois delegados de Minas Gerais (das cidades de São Joaquim de Bicas e Rio
Preto) e dois policiais civis. Eles estão aos cuidados da Corregedoria de
Polícia Civil de Minas.
Também em Minas, foram presos um vereador, um ex-prefeito
e alguns empresários. Até agora, foram apreendidos 40 caminhões e 30 carros de
passeio que eram usados para lavagem de dinheiro da quadrilha.
Os policiais mineiros já tinham detido há duas semanas em
Volta Redonda e Barra do Piraí o despachante André Lanes de Oliveira, de 36
anos. Segundo a polícia, Lanes era o elo do bando.
O despachante também era um dos sócios da agência
Automarca, uma revendedora de automóveis no bairro Aterrado. Lá, foram
apreendidos 18 carros suspeitos de estarem com a documentação adulterada.
Também foram detidos: Paulo Moisés de Souza e Marcos
Alexandre Castro, o Marcão, que seriam "laranjas", da agência de automóveis;
Antônio José Coelho, o "Maresia", tio de André; Lourival Ramos, o "Val", que
trabalhava para André Lanes; e Anita Lanes de Oliveira, mãe de André Lanes.
Os suspeitos estão detidos em um presídio de Ponte Nova,
em Minas Gerais. Segundo o delegado, Anita foi a única solta na semana passada.
- A mulher foi solta porque foi uma "laranja" do filho
(André Lanes), que usava o nome dela nas suas transações ilícitas - disse José
Marcelo.
Já Paulo Roberto Perino, padrasto de André Lanes, e Jean
Carlos, que foram presos ontem, também foram levados para o presídio de Ponte
Nova. De acordo com o delegado, Paulo Roberto era uma espécie de subdespachante
de André Lanes.
- Era ele quem montava os documentos e os levava para o
Detran de Rio Preto, no interior de Minas Gerais, onde era feita a emissão
desses documentos falsos. Foi apurado que Jean Carlos teria vendido um caminhão
roubado a um terceiro de boa fé na cidade mineira de Pirapetinga - falou o
delegado.
Trinta pessoas
indiciadas
Segundo o delegado de Ponte Nova (MG), José Marcelo
Loureiro, as 30 pessoas presas na operação foram indiciadas por formação de
quadrilha, corrupção ativa e passiva, adulteração de sinal característico de
veículos, falsificação de veículos e de documentos públicos e lavagem de
dinheiro.
O policial disse que uma outra equipe de policiais seguiu
para Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo, assim que ele tomou
conhecimento, por telefone que uma funcionária da Ciretran da cidade capixaba,
citada por ele como "uma facilitadora das investigações", tinha sido
assassinada dentro da circunscrição por dois homens que chegaram de moto.
A operação batizada de "Esquema" foi realizada dia 12
deste mês em Volta Redonda, Barra Mansa e Barra do Piraí, e simultaneamente nas
cidades mineiras de Rio Preto, Santa Bárbara do Monte Verde e Juiz de Fora. O
objetivo foi cumprir 15 mandados de busca e apreensão e nove de prisão na
região.
A polícia tem cadastrados 1.249 documentos falsificados
pela quadrilha. As investigações
começaram a partir de uma série de roubos cometidos na BR-262, que liga Belo
Horizonte a Vitória (ES), entre as cidades de Rio Castro e Abre Campo.
Leilão de veículos
A quadrilha, de acordo com o delegado de Ponte Nova (MG),
José Marcelo Loureiro, se aproveitava do fato de que, até 1988, os veículos das
Forças Armadas não constavam do Cadastro Nacional e falsificou então um
documento em nome de um oficial militar autorizando o leilão de veículos.
Dessa forma, era possível inserir os caminhões roubados
no sistema como sendo de propriedade das Forças Armadas. Após ter os chassis
remarcados, os veículos eram vendidos. A documentação dos caminhões era
preparada antes do roubo, o que determinava as características que o veículo
deveria ter, preferencialmente caminhões da Mercedes Benz, da linha 1113.
Informações colhidas com um dos presos na primeira fase
da operação detalharam a existência de uma espécie de kit (documentos, placas e
lacre) que custava cerca de R$ 15 mil. Ainda de acordo com o delegado, esse
fato caracteriza um crime militar. Por isso, os presos também devem responder a
processo militar.
As investigações mostraram que a quadrilha tinha
ramificações em Volta Redonda, inclusive dois funcionários do Detran
(Departamento de Trânsito) de Rio Preto (MG) foram identificados como sendo os
responsáveis pela emissão dos documentos falsos e já tiveram prisão autorizada
pela Justiça.