BRACUHY
Projetos incentivam inclusão indígena em Angra
Publicado em 29/06/2013, às 18h34
 

Jogos também fazem parte das atividades com os índios

Angra dos Reis

Incluir a comunidade indígena na sociedade é um dos objetivos principais de vários projetos que acontecem atualmente em Angra dos Reis. De acordo com a prefeitura, a intenção é aumentar cada vez mais os programas realizados no município para incluir os índios em vários setores do município.

- Um dos focos do nosso governo é manter as tradições e culturas da nossa cidade. Então, valorizar a tribo indígena é uma afirmação deste propósito. Os índios contribuem muito para a cultura do nosso país, e da nossa cidade, então nada mais justo do que oferecermos a eles programas e ações que demonstrem nossa preocupação com esta comunidade - disse a prefeita Conceição Rabha (PT).

Uma das poucas aldeias a resistirem ao passar dos séculos é a Sapukai, no Bracuhy, em Angra. Um de seus membros é o cacique João da Silva - que atende pelo nome Verá Mirim (Relâmpago Pequeno) na língua guarani -, de 94 anos, que está na aldeia há 23 anos. A reserva - que foi demarcada, segundo o cacique - ainda mantém os antigos costumes indígenas.

- Desde a chegada de Pedro Álvares Cabral, a cultura, religião e linguagem já existiam. Portanto mantemos os antigos costumes, como a dança e nossos rituais. Nossas crianças aprendem primeiramente a linguagem guarani, depois dos 12 anos é que elas são alfabetizadas em português. Antigamente o índio era desrespeitado, hoje isso mudou um pouco. Nós já existíamos antes da chegada dos colonizadores. A maior dificuldade para os indígenas é a demarcação da terra - explicou João.

Os habitantes da reserva plantam e colhem o que é necessário, e alguns realizam a venda de artesanatos na região central de Angra dos Reis. A aldeia Sapukai possui uma unidade de saúde, em apoio ao atendimento indígena.

Crianças aprendem a falar em guarani antes de serem alfabetizadas em português

Estudos e exposições sobre os índios

Há três meses, a secretaria municipal de Educação, Ciência e Tecnologia de Angra iniciou, na Aldeia Sapukai, na Escola Municipal Francisco de Assis de Oliveira Diniz, no Sertão do Bracuhy, as aulas da turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA) com os indígenas da tribo guarani. O projeto é resultado de uma parceria entre a secretaria, o Instituto de Educação de Angra (IEAR/UFF), Unirio e Uerj/Proíndio. A partir de agora cabe a essas instituições, assessorar o grupo de professores da rede municipal que lecionam para a turma.

- É uma honra nossa tribo ter o privilégio de estudar. Nos sentimos valorizados - disse um dos líderes da tribo, Ivanilde Kerexu.

Outra ação de destaque que vem chamando a atenção no município é a mostra "Índios, cultura e tradições em Angra dos Reis", apoiada pela Fundação Cultural do município. A exposição contada em oito banners relata fatos históricos e relevantes dos índios na região, desde Cunhambebe, um dos mais importantes líderes indígenas da região, até a chegada dos índios guaranis na década de 80, no Sertão do Bracuhy. A curadoria é de Marcelo Ramos e Victor Rocha.

- Para a pesquisa utilizamos a internet. O acervo a respeito dos índios Guaranis é muito rico na rede de computadores. Quanto a história dos Tamoios e outras tribos, buscamos nas edições de editores angrenses, como: professora Ednea Pascoal e Camil Capaz - disse o curador Marcelo Ramos.

Este trabalho busca ser um grande laboratório para pesquisa e estudos. A exposição revela ainda crenças e costumes dos indígenas, desde a alimentação à religiosidade da tribo, passando por como vivem os índios que costumamos encontrar pelas ruas do Centro da cidade vendendo seu artesanato.

Cunhambebe uma lenda indígena

Na exposição também pode ser visto um pouco mais sobre a figura do cacique Cunhambebe, que comandou tribos do litoral do Rio de Janeiro até São Paulo, passando por Angra dos Reis. O índio, lembrado por sua bravura na defesa do seu povo, viveu em terras angrenses há muitos anos e faz parte da história da colonização do Brasil.

- Quando montamos a exposição pensamos em trazer para os moradores da nossa cidade um sentimento de pertencimento dessa história a essa terra. O trabalho foi feito com muita dedicação. Espero que possamos trazer aos angrenses e turistas a importância da luta e resistência indígena para o nosso município - concluiu o curador Vitor Rocha.

A exposição já teve na Casa Laranjeiras no mês passado, e deverá retornar.

Tradições dos índios são valorizadas na aldeia Sapucai

‘Caminhos do Bracuhy', um novo destino turístico

Outro projeto que está em andamento desde o ano passado, é o "Caminhos do Bracuhy", que com apoio da Funai e do Museu do Índio oferecer o novo destino turístico incluindo a visita à reserva indígena Sapukai. A Fundação de Turismo de Angra dos Reis (TurisAngra) continua este trabalho de elaboração do projeto que vai criar um novo destino turístico no município. A iniciativa tem como finalidade dar mais opções de lazer para quem visita a cidade, fazendo com que a permanência nos hotéis e pousadas aumente. Entre as ações previstas está uma visita a reserva indígena da tribo Sapukai, onde vivem 380 índios guaranis.

Batizado com o nome de "Caminhos do Bracuhy", o projeto já recebeu dois importantes apoios: o do coordenador técnico da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Angra dos Reis, Cristino Abreu Machado, e do diretor do Museu do Índio, José Carlos Levinho.

- Nós entendemos de turismo. Eles entendem sobre a cultura e a vida dos índios, e por isso fico feliz que tenham aceitado nosso convite para ajudar na execução desse importante projeto - disse o presidente da TurisAngra, Kaká Gibrail.

Uma das contribuições dos novos parceiros foi quanto ao local onde será construído o espaço cultural para a exposição e venda de artesanato, apresentação de danças folclóricas, entre outras atividades. Primeiro foi ventilada a possibilidade de construir esse espaço próximo à aldeia, mas os indigenistas optaram por preservar o local onde os índios convivem.

- É importante que não levemos a interferência do homem branco para dentro da aldeia. Hoje, por falta de um espaço próprio para as atividades, existe essa visitação, porém de forma esporádica. Já com este projeto, devemos ter uma visão diferenciada - declarou José Carlos Levinho, antropólogo que trabalha há mais de 20 anos na Funai.

O novo espaço sugerido fica logo após a entrada da trilha que leva à aldeia. Lá deverá ser construída uma grande estrutura com eucaliptos e palha de palmeiras, onde vão acontecer as apresentações de dança e músicas tradicionais. Ao redor ficarão as ocas, onde será exposto todo o artesanato produzido na aldeia, assim como as agendas e cadernetas confeccionadas na gráfica da comunidade indígena. O entorno vai receber árvores típicas da Mata Atlântica. Essa se tornaria mais uma atração do local, já que existe a possibilidade de realizar passeios com os turistas para mostrar as espécies nativas.

Outra ação do projeto que ganhou atenção da tribo indígena foi a possibilidade da construção do Centro de Informações Turísticas em forma de oca, na entrada do bairro Bracuhy. O equipamento será ser erguido pelos próprios índios, de forma ecologicamente correta, seguindo o modelo utilizado no Museu do Índio. No local, garrafas PET serão reaproveitadas como material de forro. A luz natural também deverá ser bastante utilizada na iluminação do local.