Nova York
A Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), vinculada à ONU, divulgou relatório hoje no qual aponta que a produção de cocaína caiu na América do Sul, que continua, contudo, como a principal fonte de cocaína manufaturada - e traficada principalmente para a América do Norte e Europa.
Apesar de concentrar a produção da droga, o Comitê destaca que o potencial de manufatura da cocaína no continente caiu 15% em 2008, em relação ao ano anterior, chegando a um total de 845 toneladas - o menor número desde 2003. A queda foi atribuída à significativa redução da área destinada ao cultivo da coca na Colômbia. Os números, contudo, foram compensados pelo "preocupante" aumento da produção no Peru e na Bolívia.
Na Colômbia, principal produtor mundial da folha, a terra dedicada à coca caiu 18%, até 81 mil hectares, segundo a Jife. A Colômbia é responsável por 48,3% das terras sul-americanas que cultivam o produto. Já na Bolívia a superfície cultivada dobrou desde 2000, chegando aos 30,5 mil hectares em 2008 -18,2% do total da América do Sul, e 6% mais que no ano anterior. No Peru, registrou-se um aumento de 45% entre 1999 e 2008, até 56,1 mil hectares.
A fabricação potencial de cocaína aumentou no Peru até as 302 toneladas e na Bolívia até 113 toneladas, o que equivale respectivamente a 36% e 13% da elaboração potencial mundial. A ONU pede ao Peru e à Bolívia que "intensifiquem as atividades de erradicação" e que "controlem o cultivo ilícito crescente".
O relatório da Jife aponta ainda que o problema das drogas na América Central e no Caribe, região de passagem da cocaína sul-americana aos mercados de consumo do norte, se complica com os crescentes vínculos entre as gangues e os cartéis mexicanos que participam do tráfico de substâncias ilícitas.
Sobretudo em El Salvador, Guatemala e Honduras, "o tráfico de drogas ocorre frequentemente sob a proteção de bandos locais", cujos membros teriam se aliado a integrantes dos cartéis de droga mexicanos, criando novos grupos. Embora reconheça os esforços dos governos para combater o tráfico, a Jife adverte que "a impunidade, a corrupção e a fraqueza das instituições" corroem o Estado de direito e a luta contra as drogas na região.
O relatório indica ainda que a Venezuela é o ponto de partida da maior parte da cocaína que entra na Europa Ocidental e na região dos Bálcãs, na Europa Oriental, e se estabelece como uma nova rota de entrada da droga ao continente.
A Jife ressalta que as apreensões de cocaína caíram na Europa Ocidental em 2008, o que pode ser reflexo da rota alternativa que a droga percorre para chegar à região.
O caminho inclui ainda a África Ocidental, que continua sendo utilizada como lugar de armazenamento e trânsito da cocaína para a Europa. O relatório indica ainda que o consumo de cocaína diminuiu durante 2008 na Espanha, Reino Unido, Alemanha, Áustria e Suíça, enquanto aumentou na Irlanda e França. Em nível geral, o uso de maconha, ecstasy e anfetaminas ficou no mesmo patamar ou caiu graças às campanhas de prevenção. No entanto, também se detectou em alguns países como Dinamarca, Reino Unido e Espanha que os usuários dessas drogas as substituíram por cocaína.
A Europa também continua sendo o maior mercado de resina de maconha do mundo. O maior volume total de apreensão dessa substância foi de 628 toneladas, registrado na Espanha em 2008. Na Europa Oriental, aumentou a presença de drogas derivadas de opiáceos, em sua grande maioria heroína procedente do Afeganistão, especialmente na Albânia, Belarus, Croácia, Rússia e Moldávia.
No total, na Europa existem entre 2 milhões e 2,5 milhões de consumidores de opiáceos, sendo o país mais afetado Rússia, com 1,68 milhões de usuários desse tipo de droga.